segunda-feira, 10 de março de 2008

My name is Ryan, Robert Ryan

Vale a pena espreitar os trabalhos do ilustrador Robert Ryan.
Não só pelas imagens (que são lindas), como pelas mensagens escritas recortadas letra a letra.
Via Beco das Imagens (que entrou só hoje para os nossos links. Um lapso sem perdão...)

sexta-feira, 7 de março de 2008

Bolonha 2008

Ainda faltam algumas semanas para a grande feira, mas os prémios deste ano já foram divulgados. Os grandes vencedores de 2008 foram "Avstikkere", do norueguês Øyvind Torseter (na categoria Fiction) e "The Wall", com texto e ilustrações de Peter Sís (na categoria Non fiction).
Não consegui descobrir quase nada sobre estes livros... e bem procurei.

Mais algumas informações e imagens (poucas) aqui.

Tóquio, 09:17:06

Ilustração: Bernardo Carvalho/ Planeta Tangerina

O livro novo está quase, quase...
Mas os acertos finais dão que fazer e há ainda alguns pormenores a limar.

Quem adivinha o que está escrito naquele muro, à esquerda?
(Oferecemos um livro ao primeiro que acertar!)

quarta-feira, 5 de março de 2008

A filha do Pedro e do Paulo chama-se Maria

Ilustração: Manuela Bacelar, O Livro do Pedro, Edições Afrontamento

Ultimamente tem sido assim: pouco tempo para ver os livros novos que dão à estampa.
Pelos blogues e jornais oiço falar do livro novo da Manuela Bacelar, um livro "cheio de afectos e muito luminoso" nas palavras da Dora Batalim.
A Afrontamento fez um pequeno blogue sobre o lançamento, onde se lê também:
"Este livro não pretende ser um panfleto. Pretende, ao invés, contribuir para que do imaginário infantil faça parte a diversidade dos modos de amar. E, nesse sentido, este é um livro pioneiro em Portugal. Pela primeira vez, a edição nacional de literatura para a infância contempla a diversidade das formas de parentalidade."

Imagem a preto e branco via Alfinete de Dama.

terça-feira, 4 de março de 2008

Dormir (é o que não se tem feito por aqui)


Da agenda de 2006 (Este Mundo É Uma Bola) . Ilustração: Madalena Matoso

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Mi familia

Mi familia, de Daniel Nesquens (texto) e Elisa Arguilé (ilustrações), edição Anaya.

"Mi familia" conta a história dos vários membros da família Nesquens, pessoas que, segundo o próprio, não têm nada de especial: «...entre los míos no hay ningún héroe digno de pasar a la posteridad... Los Nesquens somos una gente de lo más corriente. Y si no se lo creen, juzguen ustedes mismos».
Perante isto - e depois de espreitarmos as ilustrações de Elisa Arguilé que servem de separador aos vários capítulos do livro-, só nos resta morrer de curiosidade.

"Mi familia" ganhou o Prémio Daniel Gil de Ilustração (2006) e o Prémio Nacional de Ilustração 2007, em Espanha.
Por mais estranho que pareça, o nome da ilustradora não aparece na capa...

Via Book by its cover.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Um segundo, por favor


Ilustração: Bernardo Carvalho

O próximo livro do Planeta Tangerina já anda por aqui a voar...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Do ecrã para o papel

Já há uma editora especializada em procurar na internet matéria-prima (supostamente de boa qualidade) para ser transformada em livros. The Friday Project tem por lema "turning the best of the web into the finest of the books" e, como seria de esperar, publica sob a sua chancela os temas e os géneros mais variados.
Na internet, como na vida (e como nos livros) há mesmo de tudo...

Ideias Que Mudam o Mundo

No Planeta Tangerina não fazemos só livros.
Um dos projectos que temos estado a trabalhar com entusiasmo chama-se "Ideias Que Mudam o Mundo" e, depois de ter vivido dois anos em suportes tradicionais (cartazes, folhetos e brochuras para os alunos), viajou este ano para a internet.
O IQMM é um projecto de valorização da Ciência e da Tecnologia destinado aos alunos do 3.º Ciclo e Secundário, que conta com o apoio da Bayer e os apoios institucionais da UNESCO e do Ministério da Educação.
Hoje, até às 24.00 H, está a decorrer o 2.º Quiz de Ciência, aberto à participação de todos.
Só os mais novos é que ganham prémios, mas toda a gente pode participar para pôr à prova os seus conhecimentos nestas áreas...
O site IQMM mora aqui.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Um salto à Salta Folhinhas

"Quando eu nasci", Planeta Tangerina, 2007

No próximo sábado, 1 de Março, não deixem de dar um salto à Livraria Salta Folhinhas, no Porto. Durante a tarde estão previstos dois workshops para pais e filhos, sob a orientação de Cláudia Regado, que terão como ponto de partida o livro "Quando eu Nasci".
Aqui ficam todas as indicações para quem quiser participar:

SALTA FOLHINHAS
R. de António Patrício, n.º 50
4150-050 PORTO
T: 22 609 22 14
info@saltafolhinhas.pt
"Workshop Histórias com Movimento"
15.30 h Sessão para pais com crianças entre os 6 e 0s 9 anos.
17.30 h Sessão para pais com crianças entre os 3 e os 5 anos.
Entrada limitada e sujeita a marcação.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Uma notícia que podia ser verdade


Não é verdadeira, mas se fosse soaria assim:

Cientistas descobrem esqueleto do alfabeto
Uma equipa de cientistas australiana revelou esta semana uma descoberta extraordinária: afinal as letras também são seres vertebrados, e todas elas, do A ao Z, são dotadas de um esqueleto mais ou menos complexo.
Há muito que cientistas e designers se intrigavam com a capacidade revelada pelas letras em tomar as formas mais diversas: o estudo agora publicado na revista Nature explica por que razão são capazes os O's de se enrolar sem grande esforço, os S's de se serpentear sem dores aparentes ou os M's de realizar uma ponte acrobática desde sempre considerada intrigante.
Os estudos vão prosseguir no sentido de averiguar se as letras, à semelhança dos humanos, também sofrem de lombalgias, entorses e artrites.

Letras de Björn Johansson's , via Ciência ao Natural.

O fim de um prémio

Após mais de duas décadas de parceria, a Booktrust e a Nestlé decidiram pôr fim a um dos mais antigos prémios britânicos na área da Literatura para a Infância.
Durante 23 anos, o Nestlé Children's Prize (antigamente chamado Smarties Prize) distinguiu os melhores trabalhos de ficção e poesia de autores ingleses, ajudando a lançar dezenas de nomes, incluindo os das justamente famosas JK Rowling e Lauren Child, três vezes vencedoras deste galardão.
Oficialmente, as razões apontadas foram de ordem estratégica (a Booktrust quer rever o modo como os prémios servem os seus objectivos; a Nestlé vai dedicar-se mais às suas campanhas de Responsabilidade Social relacionadas com nutrição e bem-estar), mas é conhecida a controvérsia que envolvia a marca patrocinadora, que não se livra da reputação de ter promovido o consumo de leite em pó nos países em desenvolvimento.

Polémicas à parte, não há dúvida da respeitabilidade conquistada por este prémio, que fará falta não só ao meio editorial, como às centenas de crianças que todos os anos participavam activamente na selecção das obras.
Os livros premiados na edição deste ano e em edições anteriores, aqui.


terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Best seller ou besta célere?

Convido-vos a ler esta "besta célere", de Alexandre O'Neill, lembrada esta semana pela Pó dos Livros. Absolutamente fantástica!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

El microcrítico


Ilustração: Madalena Matoso

La Mar de Letras, de Madrid, organiza todos os anos um concurso de crítica literária com uma particularidade engraçada: os candidatos a críticos têm apenas entre 4 e 12 anos, a idade de grande parte dos frequentadores desta livraria.
Depois de comprarem um livro (em qualquer livraria especializada, de qualquer canto do mundo), os microcríticos -como lhes chamam-, escrevem um pequeno texto dando a sua opinião sobre o livro escolhido. Não são aceites resumos, nem textos acríticos porque o objectivo é mesmo criticar: dizer o que se gostou mais e o que se gostou menos, o que resultou melhor e pior. E também porque se preferiu esta história a qualquer outra, ou aquelas ilustrações, às do livro do vizinho...
No final, é organizada uma grande festa onde são entregues os prémios aos críticos que demonstraram maior capacidade de análise, mais originalidade e "pluma literária".
Com esta iniciativa, a Mar de Letras consegue "matar dois coelhos de uma só cajadada": promove um conjunto de livros infantis pela voz de quem os lê (e todos sabemos como os miúdos vão a correr experimentar o que outros já gostaram) e, mais importante do que tudo, ajuda a fazer crescer leitores mais exigentes, que procuram outras perspectivas no modo de olhar os livros.


De notar que esta livraria foi distinguida este ano com o "IX Prémio Nacional Librero Cultural", uma iniciativa da Confederación Española de Gremios y Asociaciones de Libreros que conta com o apoio da Dirección General del Libro del Ministerio de Cultura (mais um belo exemplo a seguir por cá). Segundo palavras do júri, foi atribuído o prémio a esta livraria: “por saber simbolizar la figura del librero como lector y, por otro lado, por el esfuerzo continuado como especialista de las letras infantiles”. Muy bien!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Sugestão para o fim-de-semana


"2008 anos são exactamente sessenta biliões
de momentos como este, agora, a olhar pela janela.
Quantas vezes olhamos a paisagem?
Quantas paisagens olhamos de uma vez?
Um ano, um dia, uma hora, têm de diferente o que parece igual.
Um dia ao começar parece um ano.
Um ano, ao acabar, parece um dia.
Quem não sabe a quantas anda, às tantas é melhor parar, ver, ler, escrever, ouvir.
E a páginas tantas irá descobrir para que servem verdadeiramente tantas páginas."
Texto de Eugénio Roda para a Agenda "2008 Voltas no Carrossel"

As ilustrações que fazem parte desta agenda (editada pelas Publicações Eterogémeas) podem ser apreciadas a partir deste sábado, no Auditório Augusto Cabrita, no Barreiro.

2008 VOLTAS NO CARROSSEL
Exposição colectiva de 53 ilustradores
Auditório Municipal Augusto Cabrita,
Parque da Cidade, Barreiro
Terça a Domingo, das 17h às 22h
www.ilustrarte.net/ 21 214 13 19

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

"Pê de Pai" ganha prémio internacional


Pê de Pai, de Isabel Martins e Bernardo Carvalho
Uma edição do Planeta Tangerina, 2007

Acabámos de saber que o nosso "Pê de Pai" foi distinguido com uma "Honorary Appreciation" na competição internacional "The Best Book Design From All Over The World", da Stiftung Buchkunst (Book Art Foundation).
Depois de ganhar uma Menção Especial no Prémio Nacional de Ilustração 2007, o trabalho do Bernardo foi mais uma vez premiado, numa competição onde participaram 34 países e foram apreciados mais de 600 livros. Estamos muito contentes!

Uma exposição que nos interessa, num sítio do outro mundo


Primeiro o lugar (nunca lá estive mas parece fantástico): é o Nordiska Akvarellmuseet, o Museu Nórdico da Aguarela, instalado na ilha de Skärhamn, na Suécia (as casas de madeira que se vêem ao fundo são ateliers para artistas convidados: um luxo).
Neste momento e até ao próximo dia 9 de Março, o Museu acolhe uma grande exposição de livros ilustrados para crianças, inserida num programa de eventos variado que inclui workshops para ilustradores, visitas guiadas, sessões de contadores de histórias, teatro, música etc.
A exposição reúne trabalhos originais de 20 ilustradores internacionais (15 de origem nórdica, 5 de outras paragens), entre os quais Wolf Erlbruch, Carll Cneut, Lilian Brogger ou Isol.

Mais informações (em inglês) aqui.

CHILDREN’S PICTURE BOOKS
The Contemporary Story 02.12.2007 a 9.03.2008
Nordiska Akvarellmuseet

Cristina, se me estiveres a ler aí por terras suecas, não percas.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Já estão em flor



"Nem sempre as folhas são
quem primeiro vê a luz.
Olhem esta magnólia,
que se cobriu de flores,
antes de se terem coberto
de folhas, os ramos nus."

Poema de Jorge Sousa Braga, do livro "Herbário", ilustrado por Cristina Valadas e editado pela Assírio e Alvim. Mais uma dupla que casa muito bem.

Só é pena a fotografia não fazer justiça à beleza da árvore em questão. Foi tirada a correr, num dia cinzento, tentando escapar aos fios eléctricos, telefónicos e telecábicos que cruzavam o céu ali à volta. Mesmo assim, com tanta coisa feia em seu redor, a magnólia não se intimidou. Alegrem-se amigos, a Primavera não tarda!

Terrorismo nos livros da Anita

Tudo começou em França, com um internauta terrorista mas cheio de sentido de humor chamado Tremechan ("très mechant", ou seja mauzinho, como já se vai ver...), que viu nas capas dos livros da "Anita", um verdadeiro filão para se divertir e fazer rir os outros.

A fórmula foi simples: bastou um olhar mais cínico sobre as capas da colecção e uma rápida operação de photoshop para alterar o título e, assim, alterar também a personalidade e o tipo de aventuras vividas por Martine e pelos seus amigos.
A brincadeira acabou por provocar um pequeno terramoto em França, onde a simpática Martine tem uma verdadeira legião de fãs: muitos franceses ficaram ofendidos por se fazer " terrorismo cultural" com um verdadeiro ícone da literatura infantil. A bela, doce e tão pura Martine, modelo de tantas gerações desde os anos 50, transformava-se numa menina de comportamentos pouco recomendáveis...
Mas houve também quem achasse graça. Em pouco tempo foi criado um site onde se podia dar azo à imaginação e criar uma nova capa ao gosto de cada um. Pouco tempo depois, este "cover generator" foi educadamente mandado fechar pelas Edições Casterman (editores da Martine, claro) que, muito compreensivelmente, não acharam graça à brincadeira.

Mas tentem lá não rir depois de ver estas capas...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Sexta

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Guardas: vale a pena olhar para elas

Como sentinelas do livro, as guardas guardam, vigiam, protegem e defendem. Não me admirava que ganhassem dentes, garras e picos e se armassem de espadas, prontas a entrar em acção...

Para quem não conhece a palavra dentro do contexto em questão: as guardas são as folhas que resguardam o princípio e o fim de um livro. Podem ser feitas do mesmo papel do miolo, mas também é comum vê-las num papel mais forte que serve ainda melhor a sua função.

As guardas têm três missões importantes: rematam a capa, escondendo as colagens que resultam das dobras do papel da capa sobre o cartão; unem o conjunto de folhas do miolo à capa; e servem ainda para proteger este mesmo miolo e tudo o que de mais surpreendente ele pode conter.

As guardas podem ser lisas ou impressas. Podem ter padrões que se repetem, detalhes das imagens do interior ou ilustrações feitas à sua medida. Podem conter fichas técnicas, dedicatórias, agradecimentos. Podem servir para aproveitar o livro até à última gota ou apenas para o deixar respirar: no início, para ganhar fôlego; no fim, para recuperar da corrida das páginas.

Quando tal acontece, quando as guardas têm direito a vida própria, podem ultrapassar as suas funções de ordem mais prática ou funcional, e tornar-se importantes espaços de comunicação.
Por se colocarem "à entrada" e "à saída" do livro, servem de antecâmara para o que se vai passar, e de remate, no final. Mas, muitas vezes, acabam por funcionar como um suporte paralelo, quase à parte, um espaço livre e aberto à imaginação de ilustradores e designers.

Por serem elementos tão singulares, as guardas merecem um olhar atento. Porque não um prémio que distinga as melhores guardas de livros (à semelhança dos prémios que existem para capas)? E uma exposição de guardas também não seria má ideia...

Estas e outras guardas, aqui.

Referências das imagens: 1. "The Junior Instructor, Book 1" por Adam McCauley (edição original de 1923); 2. "Child Craft Readers" por Carl Wiens; 3. "The Yellow Phantom" por Margaret Sutton (1933).

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Café com Letras e um Gato

Soube pelo Adrian&Pandora (o blog sobre jovens e bibliotecas) que Ricardo Araújo Pereira esteve esta quarta-feira na Biblioteca Municipal de Oeiras a falar da sua vida e dos livros que o marcaram. O auditório esteve apinhado de gente (a maioria adolescentes e jovens) para o ouvir.
RAP falou da infância e do seu percurso profissional, dos autores que o influenciaram e, no final, até recomendou algumas leituras aos jovens presentes. A saber:
- A Relíquia, de Eça de Queiroz
- A Queda de um Anjo, de Camilo Castelo Branco
- Três homens num Bote, de J. K. Jerome
- Contos do Gin Tonic e Novos Contos do Gin Tonic, de Mário-Henrique Leiria
- Planeta do Futebol, de Luis de Freitas Lobo
- Toda a obra de Miguel Esteves Cardoso
- E Boca do Inferno (do próprio, claro)

RAP veio a Oeiras a convite do projecto "Café com Letras", uma iniciativa das Bibliotecas Municipais de Oeiras que todos os meses traz à vila um autor contemporâneo para uma conversa informal à volta dos livros.
Porque somos Oeirenses (alguns de nós, credo! Se o Bernardo me ouve...), estaremos atentos a próximos encontros.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Dias maiores



É mesmo verdade, já se nota.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

"A gente corremos pelas ruas da vila"

José Luís Peixoto ganhou hoje o Prémio Daniel Faria 2008, criado pela Câmara Municipal de Penafiel e pela Quasi Edições.
O conjunto dos poemas agora premiado será editado em Março pela Quasi, sob o nome "Gaveta de papéis".
Enquanto o livro chega e não chega...

"A gente corremos pelas ruas da vila"
(de JLP, publicado no livro "Cal", da Bertrand)

O céu das hortas é maior do que
o mundo:
a vila apresenta ruas calcetadas para
homens de sapato fininho, mulheres
sozinhas e cachopos: eh, cachopo
de má raça.

Vamos aos figos e passamos
a vida:
a vila, às vezes, é desenhada
por esta aragem que é o lápis
de um carpinteiro. Quem é que é
o teu pai? perguntam os velhos
sentados num banco do jardim.

A gente corremos pelas ruas da vila.

Eu já vi as laranjeiras e as janelas
abertas no verão. Pranta-te quedo,
dizem as velhas de olhos pretos.

Vamos fazer um mandado, vamos dizer
o tempo:
porque a gente corremos pelas ruas da vila
e sabemos quem é a Ti Rosa do Queimado
e ainda não temos a cegueira de ser grandes.

(É pena não termos o texto em audio, com um diseur daqueles fenomenais).

Elogio das Pequenas Livrarias

Ilustração: Madalena Matoso


Gostamos das FNAC's. Gostamos das Bertrand's. Não temos absolutamente nada contra as Bulhosas, nem as Byblos que aí vêm. São cadeias grandes, normalmente organizadas, eficientes, com milhares de artigos à disposição. Tornaram os livros mais acessíveis em algumas cidades, onde o máximo que existia era uma papelaria que, para além de jornais, revistas, dossiers, cadernos e cadernetas (e serpentinas e máscaras para o Carnaval...), tinha duas ou três prateleiras com meia dúzia de livros que não fossem os "escolares". Em muitas cidades ainda assim é.
Em muitas cidades, também é verdade, estas redes livreiras abriram os seus espaços em grandes centros comerciais e talvez tenham contribuído para desertificar ruas de comércio local... onde até existia uma livraria simpática. É possível (e não gostamos dessa parte!).
Porque a verdade é que gostamos muito das pequenas livrarias. Não das pequenas livrarias, mal amadas e pouco esforçadas onde não se encontra mesmo nada... mas das outras. Das pequenas e cuidadas, acolhedoras e cheias de ânimo, onde somos recebidos por gente que domina as prateleiras como as ruas da sua própria cidade.
Nestas casas (à boa moda antiga) não se vendem milhares de CD's, DVD's e outro material electrónico, não tropeçamos em pilhas de livros que disputam cada centímetro de espaço e, sobretudo, temos a certeza de não encontrar um filme do "Noddy" (ou de outro qualquer herói) a passar, em alto volume, por cima das nossas cabeças...

Temos conhecido algumas destas livrarias especiais, e é por isso que gostamos que façam parte dos nossos links. Já lá temos a "Pó dos Livros", a "Mãos à Arte", a "A Que Sabe a Lua" ou a "Arquivo".
Hoje acrescentamos à lista a "Trama", que ainda lá faltava.
Continuaremos a procurá-las.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A Bibliotecária de Bassorá


Alia Muhammad Baker é a bibliotecária de Bassorá, no Iraque. A Biblioteca de Alia é um lugar onde muitas pessoas se encontram para ler e falar de livros. Quando a guerra chega ao Iraque, Alia pede ao governador da cidade para guardar os livros num local seguro mas ele diz que não. Alia desobedece e começa a levar, em segredo, à noite, os livros da biblioteca para casa, até que Bassorá acaba por ser bombardeada e a biblioteca destruida. Alia, com a ajuda de amigos (e com a casa cheia até ao tecto), já tinha conseguido salvar quase todos os 30 mil livros da biblioteca.
Esta é uma história verdadeira, que foi contada por uma jornalista do New York Times (Shaila K. Dewan) e transformada em livro por Jeanette Winter.
Eu ouvi-a no Palavras Andarilhas de Beja, contada pelos Piratas da Alexandria e fiquei fascinada.

A galope!

Ilustração: Bernardo Carvalho

Este blog já andava mesmo a pedir uma ilustração!
Esta é do Bernardo e foi criada para a Agenda Cultural da Câmara Municipal de Cascais.
Para quem ainda tem dúvidas de que os livros nos podem levar estrada fora...

domingo, 27 de janeiro de 2008

Está quase seca...


Tenho-me esquecido de anunciar que a nossa Yara, gomo fundamental deste Planeta, e também contribuidora deste blog, inaugurou há dias o fantástico estendal que aqui vêem. Nos seus posts (presos com molas, claro, não vá o vento...) podemos ver alguns dos trabalhos que vai desenvolvendo como ilustradora, designer, tricotadeira e costureira... Moça prendada, portanto.