Os arcaísmos são as palavras e as locuções que já não são usadas ou que o são apenas muito raramente. A propósito de um projecto que temos estado por aqui a pensar, tenho-me cruzado com algumas destas palavras, a fazer lembrar avós que já morreram, outros tempos e lugares. Devo dizer que fiquei encantada (ora aqui está uma palavra que, pelo andar da carruagem, não tarda a transformar-se num arcaísmo) com algumas destas palavras...
Vejam só:
Asinha (depressa): Vai asinha buscar água!
Falar a sabor (gracejar): O rapaz fala a sabor...
Trigoso (apressado): Que trigoso que ele vai, onde irá?
Gamanho (janota): Olha o gamanho, olha, olha...
E esta, que é a minha preferida, "Viver a sabor", que significa seguir sempre apetites e vontades. Haverá quem ainda viva assim?
Se a expressão está prestes a perder-se, é caso para duvidar...
Estamos muito filosóficos, lá isso estamos...
terça-feira, 9 de setembro de 2008
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Curso de Pós-graduação em Literatura Infantil
Já abriram as inscrições para a nova Pós-graduação em Literatura Infantil que vai decorrer este ano na Universidade Católica.
Com coordenação pedagógica de Dora Batalim e José Alfaro, este curso pretende responder às lacunas de formação em relação ao livro infantil sentidas por todos aqueles que, de uma forma ou de outra, lidam com este objecto/produto/ser/no qual se cruzam tantas áreas de saber.
Este curso promete "contemplar o estudo do livro infantil de um ponto de vista abrangente, em vez de extrair dele apenas uma das suas componentes" e "combinar saber teórico com um aprendizado tendencialmente prático". Ou seja, não se vai falar apenas de literatura, mas de ilustração, design, edição, promoção da leitura etc... e vai haver muitos seminários, o que é sempre bom. O Planeta Tangerina também vai lá estar!
Todo o programa e mais detalhes aqui.
Com coordenação pedagógica de Dora Batalim e José Alfaro, este curso pretende responder às lacunas de formação em relação ao livro infantil sentidas por todos aqueles que, de uma forma ou de outra, lidam com este objecto/produto/ser/no qual se cruzam tantas áreas de saber.
Este curso promete "contemplar o estudo do livro infantil de um ponto de vista abrangente, em vez de extrair dele apenas uma das suas componentes" e "combinar saber teórico com um aprendizado tendencialmente prático". Ou seja, não se vai falar apenas de literatura, mas de ilustração, design, edição, promoção da leitura etc... e vai haver muitos seminários, o que é sempre bom. O Planeta Tangerina também vai lá estar!
Todo o programa e mais detalhes aqui.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Um olá para a Bruaá
Fica-nos muito mal não termos ainda falado aqui da Bruáa. Porque é uma editora nova em Portugal, porque se dedica à edição de álbuns ilustrados e (sobretudo) porque tem seleccionado criteriosamente os livros que tem vindo a publicar, escolhendo editar "pouco mas bom", um lema que devia ser adoptado por todas as casas de edição do planeta (a bem do ambiente, dos nossos olhos e cabeças).
Até ao momento foram apenas dois os livros publicados pela Bruaá mas, perdoe-se-me a indelicadeza, apenas dois conseguem já dar dois a zero a muitos quilómetros de prateleira de livraria por esse país fora (hoje estou terrível, desculpem).
O primeiro "A árvore generosa" é um verdadeiro clássico, um livro intemporal que há muito merecia uma edição portuguesa (a edição original é de 1964). Com textos e ilustrações de Shel Silverstein, esse homem da escrita e da ilustração que tinha o dom de fazer extraodinariamente bem as duas coisas, "A árvore generosa" conta a história da relação entre um menino e uma árvore e de como essa relação se vai alterando à medida que o menino cresce.

O segundo livro "Eu espero", de Davide Cali e Serge Bloch (editado na versão original pela Sarbacane) é também uma aposta fora do comum. Por ser um álbum ilustrado que não se destina exclusivamente às crianças, por ser original no tema escolhido (e na forma poética como este tema é abordado) e também por ser uma surpresa a nível gráfico: um fio encarnado atravessa as ilustrações de uma página a outra, ligando os diferentes acontecimentos.

Com tudo isto, queríamos dizer olá à Bruaá, agradecer-lhe as boas escolhas... e dar-lhe as boas-vindas na nossa lista de links aqui à direita.
A Bruaá pode ser visitada aqui.
Para conhecer melhor o trabalho de Shel Silverstein é seguir por aqui.
E para visitar o site do ilustrador Serge Bloch (obrigatório!) é virar já aqui.
Até ao momento foram apenas dois os livros publicados pela Bruaá mas, perdoe-se-me a indelicadeza, apenas dois conseguem já dar dois a zero a muitos quilómetros de prateleira de livraria por esse país fora (hoje estou terrível, desculpem).
O primeiro "A árvore generosa" é um verdadeiro clássico, um livro intemporal que há muito merecia uma edição portuguesa (a edição original é de 1964). Com textos e ilustrações de Shel Silverstein, esse homem da escrita e da ilustração que tinha o dom de fazer extraodinariamente bem as duas coisas, "A árvore generosa" conta a história da relação entre um menino e uma árvore e de como essa relação se vai alterando à medida que o menino cresce.

O segundo livro "Eu espero", de Davide Cali e Serge Bloch (editado na versão original pela Sarbacane) é também uma aposta fora do comum. Por ser um álbum ilustrado que não se destina exclusivamente às crianças, por ser original no tema escolhido (e na forma poética como este tema é abordado) e também por ser uma surpresa a nível gráfico: um fio encarnado atravessa as ilustrações de uma página a outra, ligando os diferentes acontecimentos.

Com tudo isto, queríamos dizer olá à Bruaá, agradecer-lhe as boas escolhas... e dar-lhe as boas-vindas na nossa lista de links aqui à direita.
A Bruaá pode ser visitada aqui.
Para conhecer melhor o trabalho de Shel Silverstein é seguir por aqui.
E para visitar o site do ilustrador Serge Bloch (obrigatório!) é virar já aqui.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Música Electroacústica

Quando nos ligaram há uns meses a falar da hipótese de transformar um dos livros do Planeta Tangerina numa peça de música electroacústica, não fazia ideia de que mundo musical me estavam a falar. E a verdade é que passados todos estes meses, continuo sem saber...
Sou um péssimo exemplo em matéria musical: morro de vergonha dos meus CD's do século passado, não tenho leitor de MP3, não compro músicas pela net.
Tenho pena, mas poucas desculpas porque ainda por cima tenho o exemplo contrário, todos os dias, aqui mesmo à minha frente (a Madalena, essa Dj interplanetária).
Deambulações à parte: apesar de a música electroacústica continuar a ser para mim um mistério, a verdade é que este projecto foi mesmo para a frente.José Luís Marques Ferreira transformou em música o livro "Uma Mesa é Uma Mesa" e a peça vai ser apresentada em estreia absoluta no CCB, no dia 23 de Setembro. Depois repete até dia 27.
Lá estaremos (sem espirrar, nem tossir), a ouvir, muito orgulhosos.
Mais informações sobre o projecto do Teatro Electroacústico aqui e aqui.
Ilustrações: Madalena Matoso, "Uma Mesa é uma Mesa. Será?", Planeta Tangerina 2006
Mais um regresso às aulas
Aqui no atelier ainda contamos os anos à moda antiga, ou seja pelo ano escolar que se inicia. É assim porque ainda sentimos próximos os anos de escola (ai que mentira...), mas sobretudo porque temos muitos trabalhos que têm que estar prontos a tempo do arranque do ano lectivo (ou do Natal), o que implica escrever muito em Março, Abril e Maio e ilustrar muito em Junho, Julho e Agosto.
Eu consigo ir de férias quando as escolas também fecham, mas os meus companheiros de estrada ficam aqui a bulir quando os termómetros sobem. Este ano, o calor não chegou para o Bernardo ir à despensa buscar a sua mega ventoinha e pô-la a girar no seu cada vez mais arrumado gabinete (ainda bem, senão teríamos tido um furacão de folhas de papel a fugir pelo corredor)...
Tudo isto para dizer que as férias chegaram ao fim e cá estou para mais um regresso às aulas.
Iupi!
Eu consigo ir de férias quando as escolas também fecham, mas os meus companheiros de estrada ficam aqui a bulir quando os termómetros sobem. Este ano, o calor não chegou para o Bernardo ir à despensa buscar a sua mega ventoinha e pô-la a girar no seu cada vez mais arrumado gabinete (ainda bem, senão teríamos tido um furacão de folhas de papel a fugir pelo corredor)...
Tudo isto para dizer que as férias chegaram ao fim e cá estou para mais um regresso às aulas.
Iupi!
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
OQO, livros novos

Lembram-se das serigrafias da garagem do Lucas? As ilustrações serigrafadas eram para fazer um livro da OQO, que foi lançado em Espanha recentemente. "Macario, Dromedario" (é como se chama o livro) foi editado em castelhano e galego e faz parte de uma trilogia assinada por "Rachel Chaundler (texto) & Bernardo Carvalho (imagens)".
Os primeiros livros da série são o "Mariluz, Avestruz" e o "Rita" e já estão editados em castelhano, galego, catalão, português, inglês, francês e italiano (acho que são essas as línguas mas sinceramente já não sei muito bem).

Eu também tive o prazer de ilustrar um livro para a OQO que se chama "Quen levou a Lúa" (editado também em espanhol e galego) e que é a história de Kipa, um lobito que queria uivar como os lobos grandes da alcateia.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Abcd - Antes das novidades

Agosto foi o mês "antes das novidades".
Aqui fica um desenho a lembrar que ainda aqui estamos — a trabalhar, como as formiguinhas (para preparar tudo para os meses que aí vêm).
Em Setembro (para além de já cá termos a Isabel, a nossa escritora profissional) vai haver muito que contar.
Este silêncio tem os dias contados.
sábado, 2 de agosto de 2008
Elogio do Leve

"Penso nas férias, quando saímos do ninho, justamente.
Saber partir, saber que podemos viver como nómadas, isso aprende-se quando somos pequeninos. Partir “leve”, sem a varinha mágica, nem os três pares de sapatos… foi uma coisa que aprendi com a minha mãe.
Até aos quinze anos, passava férias numa casa na Bretanha que tinha a particularidade de ser na praia e de medir dois metros por três! Foi o meu pai que a construiu. Na realidade era uma grande cabana de praia para nós os cinco: duas camas de beliche em baixo, três camas no sótão, uma mesa com um Camping Gaz… e era tudo. Sem electricidade e com a torneira de água fria e as casas de banho na praia.
De manhã abríamos a porta e a primeira coisa era… “Onde está o mar?”.
Se a maré estava cheia, bebíamos a nossa taça de chocolate com os pés na água. Se estava baixa, corríamos na nossa sala de um quilómetro quadrado, lavada todos os dias pela maré.
A casa de férias menos cara do mundo, e durante três semanas, a felicidade total!
Nem vale a pena dizer que em vez de malas, tínhamos três t-shirts, três cuecas, um pullover quentinho e um par de botas arrumado debaixo do beliche. Todas as manhãs uma fileira de cuecas secava na ameixoeira mais próxima…
Aprendi de pequenina que podemos viver em qualquer lado do mundo, com muito pouco.
Sentir que somos capazes de ser felizes assim, liberta-nos.
Saber que podemos viver quase como os pássaros do céu, eis algo formidavelmente tranquilizador.”
Agnès Rosenstiehl

Agnès Rosenstiehl escreveu e ilustrou centenas de livros para crianças. É a autora da famosa Mimi Cracra, a personagem que ganhou vida nas páginas da revista Pomme d'Api (penso que nos anos 70) e que deu, depois, origem a uma extensa colecção de livros traduzida para muitas línguas.
O texto que escolhi para encerrar a saison ("saison de trabalho", não a silly saison, essa só agora vai começar) foi publicado num suplemento para pais da revista pomme d’Api, onde Rosenstiehl (a propósito das crianças de hoje) escreve uma série de "elogios", a lembrar algumas das coisas importantes da vida.
Para além deste "elogio do leve", onde partilha as memórias das suas férias de Infância, escreveu ainda o "elogio do menos", o"elogio do verde"... e outros que agora não me lembro igualmente bonitos.
PS: A tradução do francês (livre, muito livre) é minha. Espero ter sido minimamente fiel ao original...
Como diziam no blogue da Pó dos Livros: se este blogue ficar ao abandono a culpa é da Yara e do Bernardo.
Abraços, bom Verão!
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Como é possível...?

Como é que é possível que esta exposição nos tenha escapado (a mim, pelo menos, escapou-se-me)? E que, azar dos azares, termine hoje mesmo, no exacto dia em que a descobri?
Eis a ideia que deu o mote à iniciativa:
"A maioria dos autores, ilustradores, editores e outras “pessoas dos livros” têm o seu livro-de-sonho imaginário.
Inspirada por esta ideia, Barbara Scharioth, directora durante 15 anos da Biblioteca Infantil Internacional de Munique, desafiou 72 ilustradores de 30 países a criar a capa de um livro, real ou inventado, que gostariam de ilustrar."
Entre os participantes contam-se alguns dos melhores ilustradores mundiais como Klaus Ensikat, Kveta Pacovská, André Letria, Teresa Lima, João Vaz de Carvalho, entre outros.
Quem andar por terras barreirenses, tem ainda algumas horas para lá dar um salto...
segunda-feira, 28 de julho de 2008
As voltas do Pê de Pai
Isto de fazer livros tem coisas (algumas) muito próximas às de fazer (ter!) filhos: andam meses e meses na nossa cabeça, às voltas, a ser pensados, imaginados, desejados. Depois crescem, para a frente e para trás, de maqueta em maqueta até estarem no ponto de sair cá para fora. E, finalmente, chega o dia da maternidade, em que os esperamos ansiosos à saída da gráfica, para os receber de braços abertos e olhar vezes e vezes sem fim...
Mais tarde, tal como os filhos, os livros crescem e vão à sua vida. Alguns deles partem à descoberta do mundo e vamos recebendo notícias suas (um postal de vez em quando, um telefonema...), dizendo-nos que estão aqui e acolá, que já fizeram isto e aquilo.
E essa parte é também extraordinária!

Esta semana recebemos notícias de um desses rapazes. Diz que esteve em Évora.
Quem nos enviou a notícia foi a educadora Maria Margarida Junça, do Externato Infanta Maria. Contou-nos que os meninos da sala dos 4/5 anos estiveram a trabalhar o livro e, desse trabalho, resultou uma exposição de desenhos e observações das crianças sobre as várias páginas e imagens.
Aqui ficam alguns registos:


“O pai casaco é quando o pai nos põe ao pé dele!”
“O pai colchão é quando o pai está no sofá e eu me atiro para cima da barriga dele!”
“O pai meta é quando corremos muito depressa e o pai me faz cócegas, eu fujo e depois o pai apanha-me!”
“O pai avião é quando o pai me leva no ar para a minha cama!”
“O pai bóia é quando não temos braçadeiras!”
“O pai esconderijo é quando estamos envergonhados!”
“O pai é pequenino quando me ata os sapatos!”
“O pai motor é quando venho para a escola e o pai me diz: Anda filho”!
“O pai despertador é quando acordo com um beijinho!”
“O pai ambulância vai a correr!”
“O pai carrossel é quando ando à roda, à roda e eu rio-me!”
“O pai grua é quando fazemos birra!
“O meu pai é o pai chocolate quando… Mnham…mnham…!”
“O meu pai é o pai seta quando me diz: Joana já para o quarto! (Às vezes diz isto um bocadinho zangado)!”
Agradecemos aos meninos de Évora e à sua educadora.
Bem-haja a todos!
Mais tarde, tal como os filhos, os livros crescem e vão à sua vida. Alguns deles partem à descoberta do mundo e vamos recebendo notícias suas (um postal de vez em quando, um telefonema...), dizendo-nos que estão aqui e acolá, que já fizeram isto e aquilo.
E essa parte é também extraordinária!

Esta semana recebemos notícias de um desses rapazes. Diz que esteve em Évora.
Quem nos enviou a notícia foi a educadora Maria Margarida Junça, do Externato Infanta Maria. Contou-nos que os meninos da sala dos 4/5 anos estiveram a trabalhar o livro e, desse trabalho, resultou uma exposição de desenhos e observações das crianças sobre as várias páginas e imagens.
Aqui ficam alguns registos:


“O pai casaco é quando o pai nos põe ao pé dele!”
“O pai colchão é quando o pai está no sofá e eu me atiro para cima da barriga dele!”
“O pai meta é quando corremos muito depressa e o pai me faz cócegas, eu fujo e depois o pai apanha-me!”
“O pai avião é quando o pai me leva no ar para a minha cama!”
“O pai bóia é quando não temos braçadeiras!”
“O pai esconderijo é quando estamos envergonhados!”
“O pai é pequenino quando me ata os sapatos!”
“O pai motor é quando venho para a escola e o pai me diz: Anda filho”!
“O pai despertador é quando acordo com um beijinho!”
“O pai ambulância vai a correr!”
“O pai carrossel é quando ando à roda, à roda e eu rio-me!”
“O pai grua é quando fazemos birra!
“O meu pai é o pai chocolate quando… Mnham…mnham…!”
“O meu pai é o pai seta quando me diz: Joana já para o quarto! (Às vezes diz isto um bocadinho zangado)!”
Agradecemos aos meninos de Évora e à sua educadora.
Bem-haja a todos!
terça-feira, 22 de julho de 2008
Gisèle, ma belle
"Gisèle de verre" não é um livro novo, nem ganhou recentemente qualquer prémio.
Lembrei-me dele porque sempre que levanto a cabeça do ecrã, os meus olhos se cruzam esta Gisèle, deitada a ler um livro, o corpo apoiado nos cotovelos e o ar feliz de quem tem a cabeça a vaguear.
A particularidade de Gisèle é que nasceu transparente e, por causa desse pequeno defeito (ou feitio), podemos observar em detalhe todos os seus pensamentos e devaneios. Sorte a nossa... Não pela indiscrição do acto em si, mas pela beleza destas imagens-pensamentos, ora desenhadas, ora recortadas pelas mãos da muito talentosa Beatrice Alemagna, autora-ilustradora deste livro.
Beatrice Alemagna é um quebra cabeças de países e cidades: tem Alemanha no apelido, mas nasceu em Bolonha, Itália, e vive desde há alguns anos em França, onde tem editado a maior parte dos seus livros (Seuil, Autrement, Gallimard, entre outras).
Infelizmente, ainda não está disponível o site oficial desta artista (uma verdadeira artista!), mas é possível conhecer aqui alguns dos seus trabalhos.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Já apetecia

Ir de férias.
Mas, por enquanto, o melhor é aproveitar bem o fim-de-semana.
(a imagem é do Quando Eu Nasci)
(a imagem é do Quando Eu Nasci)
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Preparem-se os Andarilhos

Estão abertas as inscrições para o Palavras Andarilhas, o Encontro dos Aprendizes do Contar (que este ano cumpre 10 anos de existência — um número redondo, como se costuma dizer).
Já nem deve ser preciso dizer (mas, pelo sim, pelo não, aqui vai) que o Palavras Andarilhas é um encontro (em Beja) de contadores de histórias, vindos dos quatro cantos do mundo (este ano há participantes do Chile, Tunísia, Camarões, Brasil e mais), em que se contam contos, há oficinas e palestras sobre vários temas, exposições, mostras de cinema, cantorias, petiscos e sabe-se lá mais o quê (tudo em nome de uma boa história).
E que só poderia ser organizado pela Biblioteca de Beja, a-biblioteca-sem-sono (adorei este slogan — por ser tão verdade, por nos acordar a todos, por nos dar vontade de ficar a ouvir histórias pela noite fora e porque as pessoas-com-sono dão-me sono).
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Um concurso (ou julgavam que estavam de férias?)

A Academia das Belas Artes de Katowice e o Ministério da Cultura da Polónia estão a lançar um concurso de ilustração e design de livros destinados à infância. Podem concorrer estudantes universitários de todo o mundo.
As regras do jogo, formulários e afins, podem ser consultados aqui (em polaco, mas também em inglês).
Obrigada à Inês pela informação.
Um alfabeto muito apetecível

A colecção L'ABéCédaire juntou 21 ilustradores e a cada um deu uma letra e a oportunidade de escolher e ilustrar algumas das palavras que lá cabem dentro.
O resultado é um livro por letra e por ilustrador e, no conjunto, uma colecção de 20 livros que nos dá a descobrir uma série de universos gráficos, sensibilidades e formas de expressão.
(Pelas contas já podem ver como há excepções, por exemplo, dois ilustradores que partilham duas letras num só livro).
As imagens são representadas em página simples ou dupla e, no final, existe um índice com as palavras em causa. Nas guardas iniciais, cada ilustrador desenhou um alfabeto completo.
Apesar de as capas já terem sido apresentadas, os livros não foram ainda todos publicados. A ideia é irem saindo durante os próximos meses, conseguindo-se com esta espera saborear demoradamente as letras já publicadas e aguardar com expectativa as que faltam.
No site das Edições L'Édune é possível conhecer melhor o espírito da colecção e espreitar todas as letras deste alfabeto.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
O valor do vento
Porque hoje está um dia de vento (e, ao que parece, assim vai continuar), lembrei-me deste poema de Ruy Belo que deve ter um dos finais mais inesperados (e cómicos) da História da Poesia...
Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto
(Todos os Poemas, Vol I)
Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto
(Todos os Poemas, Vol I)
terça-feira, 8 de julho de 2008
Refresco
A MeMo, juntamente com a Topipittori de que a Isabel já aqui tinha falado, foi uma das editoras que mais gostei de descobrir este ano em Bolonha. Parece que não é tão nova como isso, nós é que andávamos distraídos. Editam poucos livros por ano, escolhidos a dedo entre novidades e reedições de coisas que tinham ficado esquecidas. Olivier Douzou é um dos autores da MeMo e está visto que (qual ventoinha) por onde ele passa o ar fica logo mais leve e fresco.
As ideias das histórias dão vontade de devorar os livros: há a do dariz entupido, a do ouriço que não gostava de picar (e que não achava graça nenhuma a ter balões por perto), a do livro da noite, a da nuvem que não se queria ir embora...
As ideias das histórias dão vontade de devorar os livros: há a do dariz entupido, a do ouriço que não gostava de picar (e que não achava graça nenhuma a ter balões por perto), a do livro da noite, a da nuvem que não se queria ir embora...
Estas são algumas das capas de que gostei muito:





quinta-feira, 3 de julho de 2008
O novo cartão da Pó dos Livros
A minha relação com a Pó dos Livros é estranha quanto baste.
Nunca lá fui. Não conheço ninguém que lá trabalhe. Nunca os vi mais gordos (como se diz), mas tenho por aquela casa uma simpatia anormal. Ao ponto de muitas vezes me apetecer ir lá comprar livros.
Hoje soube qua a Pó dos Livros tem um novo cartão de cliente. E, mesmo não sendo cliente (nem habitual, nem esporádica), fiquei cheia de vontade de ter este cartão.
Tudo por causa deste vídeo promocional.
Nunca lá fui. Não conheço ninguém que lá trabalhe. Nunca os vi mais gordos (como se diz), mas tenho por aquela casa uma simpatia anormal. Ao ponto de muitas vezes me apetecer ir lá comprar livros.
Hoje soube qua a Pó dos Livros tem um novo cartão de cliente. E, mesmo não sendo cliente (nem habitual, nem esporádica), fiquei cheia de vontade de ter este cartão.
Tudo por causa deste vídeo promocional.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Máquina de sonhos e desenhos
Muita expectativa existia à volta desta máquina...
Dizia-se que sonhávamos lá para dentro, pedíamos um desejo, e a máquina, qual génio da lamparina (ou Cristiano Ronaldo do anúncio do BES), acedia aos nossos pedidos.
Fomos lá experimentar e não ficámos nada desiludidos.
Primeiro escrevia-se o pedido num papel pequenino que se dobrava em quatro.
Depois enfiava-se o dito papel numa ranhura, acompanhado de uma moedinha de 50 cêntimos (para os artistas dos bastidores irem beber uma cerveja).
Depois esperava-se, como quem espera naquelas máquinas de tirar fotografias que há nas estações dos comboios (e que tantas vezes nos roubam moedas)...
Tzzzzz! Tchhhhek....Tchhhhek...!
Aqui ninguém nos roubou...
O Simão escreveu um desejo: "Quero a minha prima Sara!"
E o génio da caneta desenhou a prima Sara em todo o seu esplendor, mesmo nunca a tendo visto.
O Simão achou-a perfeita...
Uma verdadeira gata!
Máquina de desenhar, a funcionar na Feira Laica da Bedeteca, 28 de Junho de 2008, Artista anónimo
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Viagens para lugares que nunca fui


Com o aproximar das férias a aproximar-se (na verdade ainda não se aproximam, mas só a ideia de não estarem longe já não é nada má...), a cabeça começa a vaguear, louca, por esse mundo fora. Como diz Arthur Nestrovski, o autor deste livro:
"Para a gente viajar,
não precisa muito:
só a vontade,
só um pouco de tempo.
Basta abrir os olhos,
basta fechar os olhos.
Basta abrir um livro,
depois fechar."
"Viagens para lugares que nunca fui", editado pela brasileira Companhia das Letrinhas, propõe uma viagem a lugares imaginários, daqueles que uma pessoa sonha a vida toda e tantas vezes acaba por não ir.
O não-viajante deste livro vê mais de 9000 elefantes no Parque Kruger (África do Sul), conta coisas incríveis da cidade de Bessarábia, na Moldávia, visita Marrakesh, Sevilha, as Montanhas Celestes da China, o rio Negro do Amazonas ou a Ilha de Páscoa.
Tudo lugares que nunca viu, mas tratou de inventar, sem qualquer cerimónia.

O ilustrador Andrés Sandoval (vejam o site dele que vale a pena) juntou-se à viagem, tratando de imaginar ao lado do imaginado, fazendo ver o nunca visto.
Só uma curiosidade: o tipo de letra usado neste livro foi criado especialmente pelo ilustrador. Chama-se Asandoval.


Não resisto a pôr aqui mais umas imagens (não deste livro, mas de outros trabalhos do ilustrador). Vejam o site, vá lá...
sexta-feira, 27 de junho de 2008
A não perder






Se o guia Michelin desse estrelas aos contadores de histórias, estes* tinham 3. Mas eles só precisam das estrelas por cima da cabeça, para terem um tecto.
*Paulo Patraquim, *Cristina Taquelim e *Tim Bowley vão contar histórias hoje (27-junho) à noite (21h) na Praia da Torre, em Oeiras. Para além disso, haverá histórias contadas pelo Grupo de Contadores de Histórias Contabandistas e pela Bolsa de Contadores da Biblioteca Municipal de Oeiras (BMO).
Mais informações aqui e aqui.
Levar casaco, um amigo e uma toalha para se sentar.
(As imagens foram criadas pelo Planeta Tangerina para a sebenta do Palavras Andarilhas do ano passado e são inspiradas nas personagens dos contos tradicionais italianos recolhidos e recontados pelo Italo Calvino)
Feira Laica

Aqui fica mais um programa alternativo às praias a abarrotar: a 10.ª edição da Feira Laica que vai acontecer já este sábado, no espaço da Bedeteca.
Para além da feira, o programa inclui exposições de artes gráficas, pintura ao vivo, uma demonstração de serigrafia e gravura, e ainda actividades para os miúdos (por exemplo uma mini Laica onde os mais novos poderão vender brinquedos, livros antigos, produções artísticas e artesanais).
O programa, sempre independente, urbano e muito alternativo, pode ser consultado na íntegra aqui.
Já me esquecia: os livros do Planeta Tangerina também vão lá estar, representados pelo Manel e pela Raquel que vão à Laica com as suas divertidas mobilstories e os seus micro-aviões super-sónicos.
Vende-se mesmo de tudo nesta feira...
Bedeteca (Olivais), sábado 28 de Junho, entre as 11.00 e as 20.00.
Para além da feira, o programa inclui exposições de artes gráficas, pintura ao vivo, uma demonstração de serigrafia e gravura, e ainda actividades para os miúdos (por exemplo uma mini Laica onde os mais novos poderão vender brinquedos, livros antigos, produções artísticas e artesanais).
O programa, sempre independente, urbano e muito alternativo, pode ser consultado na íntegra aqui.
Já me esquecia: os livros do Planeta Tangerina também vão lá estar, representados pelo Manel e pela Raquel que vão à Laica com as suas divertidas mobilstories e os seus micro-aviões super-sónicos.
Vende-se mesmo de tudo nesta feira...
Bedeteca (Olivais), sábado 28 de Junho, entre as 11.00 e as 20.00.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
O rapaz já dá cursos
Pois é, os anos passam...
O nosso Bernardo, mais conhecido por Bernardo Carvalho, foi convidado a orientar um Curso de Ilustração Infantil no Ar.co - Centro de Comunicação e Arte Visual, ali à R. de Santiago, junto ao Castelo.
Excusado será dizer que o curso é mais do que recomendado: a todos que agora se iniciam nestas artes e e também a todos os outros que já sabem alguma coisa, mas têm vontade de saber mais.
Informações úteis sobre o curso:
Ilustração Infantil
Técnicas de ilustração e estratégias de representação e expressão relacionadas com o universo da literatura infantil. Desenvolvimento de trabalho prático através de exercícios que trabalham a relação da palavra com a imagem.
Professor: Bernardo Carvalho
Data: 7 a 17 Julho 2008, 2ª a 5ª das 10h00 às 13h00
Local: Rua de Santiago, 18, Lisboa
Preço: 24 horas - 230,00 €
Façam o favor de passar a palavra porque não é todos os dias que o mestre está disponível para transmitir todo o seu saber. E posso garantir-vos que vai valer a pena.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
1946

Não sei bem onde é que a minha mãe desencantou estas revistas.
Sei que são de 1946, 100% portuguesas e que têm umas capas que continuam frescas que nem uma alface, como se fossem acabadas de fazer.
Na véspera do São João, aqui fica a capa da "Ver e Crer" dedicada a Santo António que saiu em Junho, há 62 anos.




Na véspera do São João, aqui fica a capa da "Ver e Crer" dedicada a Santo António que saiu em Junho, há 62 anos.

E ainda, as capas de Janeiro, Fevereiro e Novembro desse mesmo ano e um anúncio cheio de estilo às deliciosas conservas de peixe (que despertam o apetite e alimentam).



sexta-feira, 20 de junho de 2008
Porque amanhã é Sábado

Amanhã não devemos caber na praia. As toalhas devem estar encostadas umas às outras, o creme protector da pessoa que está ao nosso lado deve ficar colado ao nosso braço (e não conhecemos a pessoa de lado nenhum), para ir até à água devemos ter de saltar alguns sacos de praia, contornar os chapéus-de-sol, tropeçar em várias lancheiras, desviarmo-nos de 4 bolas, pisar 3 velhinhas e chocar com 9 barrigudos.
O melhor mesmo é ir ao CCB ao lançamento do livro do João Vaz de Carvalho e, depois, atravessar o rio para o outro lado e chegar à inauguração das duas exposições de ilustração que vai haver na Casa da Cerca, precisamente às 19.00.
O Bernardo participa numa das exposições com este desenho que aqui está. O tema que lhe calhou foi o cor-de-laranja.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
O dia em que a mamã ficou com cara de chaleira
Só o título dá vontade de rir...É o novo livro da OQO, com ilustrações do "portuga" João Vaz de Carvalho.
O lançamento vai ser acompanhado por uma sessão de contos (com chá e bolinhos) e vai contar com a presença do ilustrador.
No próximo sábado, à tarde, no CCB.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
NO to age banding
É assim que os ingleses apelidaram o movimento contra a categorização dos livros por idades, sobre a qual já aqui falámos.
O movimento existe online (para quem queira conhecer alguns argumentos dos que defendem o "Não"), mas mesmo muito interessante é o texto que Philip Pullman (autor do livro "The Golden Compass") escreveu há dias no The Guardian a propósito da polémica.
Notícia via Cadeirão Voltaire.
O movimento existe online (para quem queira conhecer alguns argumentos dos que defendem o "Não"), mas mesmo muito interessante é o texto que Philip Pullman (autor do livro "The Golden Compass") escreveu há dias no The Guardian a propósito da polémica.
Notícia via Cadeirão Voltaire.
Propostas do Planeta Tangerina




Para pais, educadores, bibliotecários e afins... preparámos um conjunto de propostas de exploração que têm como ponto de partida algumas das edições do Planeta Tangerina.
Tal como explicamos na apresentação, estas sugestões são apenas pistas ou pontapés de saída, como lhe chamamos...
Não são “lições”, nem “fichas de trabalho”, não procuram respostas “certas” ou “erradas”, não são “obrigatórias”, nem se deseja que sejam levadas “à letra”.
Não achamos que os livros necessitem de "Guias de Leitura" (pelo menos estes...) e respeitamos totalmente os diferentes caminhos de cada leitor.
Com estas propostas, agora à vossa disposição, gostávamos apenas de ajudar grandes e pequenos leitores, a melhor descobrirem os livros editados pelo Planeta Tangerina.
Esperamos que gostem.
Os PDF's podem ser descarregados aqui.
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