terça-feira, 30 de setembro de 2008

Dia Mundial da Arquitectura


A Ordem dos Arquitectos decidiu este ano envolver as crianças nas comemorações do Dia Mundial da Arquitectura, desafiando as instituições com Serviços Educativos a integrarem o tema nas suas actividades. A ideia é "despertar nas crianças o gosto e o sentido pela Arquitectura, fornecendo-lhes as ferramentas para observarem, participarem e contribuírem de uma forma activa para um meio ambiente melhor".
Ainda a propósito deste dia, será colocado on line material didáctico para utilização em casa, com os amigos ou na própria escola.
Mais informações aqui e aqui.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

De Beja, doces histórias...


A Casa de Chá das Maltezinhas fica numa rua que parte das traseiras da Biblioteca de Beja (essa biblioteca mágica que dispensa apresentações).
Nas Maltezinhas, os pastéis têm uma espessura de nata de dois pisos e é difícil ficarmo-nos por apenas uma unidade. A primeira é de espanto, a segunda de confirmação... a terceira é só para cépticos, corajosos ou gulosos (como eu).

Tinha estado nas Palavras Andarilhas há muitos anos, de fugida, por isso, esta ida a Beja foi como se fosse a primeira.
A Cristina Taquelim merece uma daquelas condecorações dadas pela Presidência da República, tal é a qualidade do encontro que organiza, a forma gratuita com que faz a coisa e o modo muito especial de receber os visitantes.
(Adorava ter gravado a leitura do poema "O Brincador", de Álvaro Magalhães, dito por ela, para aqui partilhar. E também as histórias de Zé Craveiro, esse tentugalês que, para além de histórias, percebe de pastéis... Mas deu-me a preguiça para as novas tecnologias.)
...
Chegada de Beja, são outras as histórias: orçamentos, textos quase técnicos, tarefas com pouco açúcar e poesia.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Exposições nas Palavras Andarilhas

Para além de um programa imenso de oficinas, palestras, maratonas de contadores, actividades para escolas, mostras de cinema... e tanta, tanta coisa interessante que o mais difícil vai ser escolher, as Palavras Andarilhas também vão ter expostos originais de alguns álbuns ilustrados.

Quem quiser ver em formato maior e emoldurado as ilustrações dos livros "O Mundo num Segundo" (Bernardo Carvalho) e "O Meu Vizinho é um Cão" (Madalena Matoso), tem mais um motivo, entre dezenas de outros igualmente bons, para visitar esta bela cidade alentejana.



Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina 2008




Madalena Matoso, Planeta Tangerina 2008


Para além destas exposições "made in Planeta Tangerina", estarão ainda expostos os originais do livro "Vencer os Medos" (João Paulo Cotrim e vários ilustradores), "Caixas para contar histórias" (Joaquim Cunha) e "Scriptorium Movel" (João Lizardo).


Todo o programa no blog das Andarilhas aqui.
Preparem-se porque a dificuldade é mesmo escolher onde parar.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

E levante-se o véu...

Depois de meses de incubação, os livros que temos estado a preparar chegaram finalmente da gráfica. São dois, um par simétrico, um par oposto: o primeiro é um livro construído totalmente com tipografia, servindo as letras que o compõem para nos trazer não apenas texto (como é mais habitual), mas também imagens; o segundo é um livro praticamente sem letras... a não ser o texto legal e "obrigatório", este livro dispensa todas as restantes palavras, recorrendo apenas às imagens para contar a sua história.


Trava-línguas, Recolha: Dulce de Souza Gonçalves, Ilustrações: Madalena Matoso, Planeta Tangerina 2008


Um Dia na Praia, História e Ilustrações: Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina 2008

Ambos os livros estarão à venda durante o "Encontro Palavras Andarilhas" que arrancará já esta 4.ª feira na cidade de Beja. Por enquanto esta será uma venda "em exclusivo", mas daqui a poucas semanas chegarão às restantes livrarias, primeiros às mais pequenas, depois às maiores, como tem vindo a ser nosso costume.

O Planeta Tangerina estará representado nas Palavras Andarilhas pela "Bichinho do Conto".

Estas são as capas, em breve revelaremos mais miolo...

Ainda as hipérboles...

Ainda bem que o projecto das hipérboles está a deixar toda a gente entusiasmada. Para além das sugestões que temos recebido via blog, têm-nos chegado também algumas por e-mail e, pela extensão de algumas listas, começo mesmo a desconfiar que não sou a única a ter ficado obcecada com o tema... Vamos cozinhar todo este material e daqui a algumas semanas revelaremos finalmente para que fim. Obrigada, mesmo, a todos os que têm contribuído.

Mais logo, temos mais novidades...

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Contra a "grande invasão", marchar...


Vem aí mais um Dia Europeu sem Carros e a respectiva Semana Europeia da Mobilidade, durante a qual as Câmaras Municipais se desdobram em iniciativas para a promoção do uso de transportes públicos e/ou não motorizados nas nossas cidades.

Por estas bandas, pelo que ouvi dizer, já está marcada uma emocionante manhã sem carros na marginal, desafiando os munícipes para desempoeirarem bicicletas, triciclos e patins e mostrarem o seu empenho em serem cidadãos verdes e saudáveis.
Eu até sou capaz de ir. Porque estas iniciativas têm piada, mas é mesmo só isso que têm: piada. Proporcionam uma vivência do espaço invulgar, põem-nos a sonhar com cidades mais verdes e simpáticas, mas a manhã passa e os carros continuam a passar, ultrapassar e, muitas vezes, a tomar o nosso lugar nas ruas.

Aqui no Planeta Tangerina falamos disso muitas vezes. E, apesar de não termos por hábito jogar no Euromilhões (só de vez em quando quando há aqueles jackpots a que ninguém resiste), já combinámos que, se algum dia ganharmos uma quantia desta dimensão, será directamente canalizada para o negócio das implosões.
Gastaremos cada cêntimo a mandar implodir edifícios feios, bairros desordenados, quarteirões caóticos e concentrações anormais de prédios. Claro que tudo isto implicará gastar muito dinheiro nas indemnizações a câmaras, construtores e moradores (e daí o Euromilhões...).

No lugar de cada um destes quarteirões implodidos nascerão praças, parques e jardins, passeios, ruas sem trânsito... espaço, portanto, para podermos andar com os pés no chão (ou nos pedais) sem medo de morrer.

Quando pensámos o livro "A Grande Invasão" era tudo isto que pedíamos: cidades melhores, com espaços para brincar na rua, andar de bicicleta, passear bebés nos carrinhos. Cidades sem invasores que trepam passeios, invadem pracetas e tomam conta da nossa vida quase sem darmos por isso.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Sempre que brilha o Sol

Para as mães, tias e amigos que andam à procura e não encontram:
O artigo sobre o Planeta Tangerina na revista Tabu, do jornal Sol desta semana.

Estamos nas páginas 22 e 23 (a seguir à Britney Spears e antes da Cindy McCain).
NOTA: o artigo já não se encontra online!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Hipérboles procuram-se

Depois dos arcaísmos e das catacreses, chegámos às hipérboles.
Procuramos expressões do tipo "Surdo como uma porta", "Gordo como um pote" ou "Mais velho que a Sé de Braga"...
Ainda não podemos dizer qual será o destino desta recolha, mas posso adiantar-vos que é para um projecto que o Planeta Tangerina está a preparar para o novo ano. Tchiii... já disse tanto!
A nossa lista já vai longa, mas agradecemos todas as ideias que a possam aumentar.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Perdidos e achados



Aí por volta dos meus 16 anos fiz uma grande limpeza às prateleiras do meu quarto. Delas varri quase todos os vestígios da minha infância e isso incluiu, obviamente, livros.
Quase todos os livros, os meus e os da minha irmã, foram então atirados, sem dó nem piedade, nem ponta de saudade para vários caixotes de cartão onde ficaram à espera que fosse ditada a sua sorte... Aos 16 anos, todos os vestígios que nos dizem que já tivemos 6, 8, 10 e 12 anos são provas a apagar. E os meus livros, por muito que gostasse deles, deixaram de fazer sentido.

Resolvi então (muito filantrópica) oferecer os meus livros aos meninos da Enxabarda, a aldeia da minha avó, escondida entre serras, ali para os lados do Fundão.
Fiz lá chegar os caixotes, a achar que ia fazer uma revolução cultural na terra. Mas o tempo passou e, apesar dos esforços, a coisa demorava a organizar-se. Soube que já havia prateleiras, que havia muitas outras pessoas a dar livros, que os livros estavam até a ser catalogados, mas depois deixei de saber... e pensei que a biblioteca não tinha tido força para arrancar.



Os anos foram passando, deixei de ir tantas vezes à Enxabarda como no tempo das férias grandes. De vez em quando perguntava pelos livros, mas a certa altura perdi-lhes o rasto... pensei que se tinham dispersado (o que até não tinha mal nenhum).
Só que este ano tive uma supresa: ao lado da casa da minha avó, onde entretanto construíram um Centro Cultural e Recreativo, há agora uma sala onde os mais pequenos ocupam o tempo nas férias do Verão. Espreitei por curiosidade... e foi então que os vi: os meus livros (os meus queridos livros) estavam todos ali, ainda eram vivos e respiravam!
Os da "Anita", os do "Teo", os do "Hopi", os da colecção "ABC" e todos os outros, entretanto esquecidos, e que se acenderam na minha cabeça mal lhes pus a vista em cima.
Corri a fotografá-los: "a minha irmã tem que ver isto", pensei...

Mas, na verdade, não têm nada de especial "como livros": nem ilustrações extraordinárias, nem aquele charme que se descobre em qualquer coisa que não se via há muito tempo. Há alguns textos bons (como os de "Contos no Jardim", de Mª Isabel Mendonça Soares), mas há, sobretudo, muitos exemplares de envergonhar qualquer pessoa. Um livro da Sarah Kay, por exemplo. E como eu gostava dele...

Por razões de ordem estética, não mostro aqui os piorzinhos (o pessoal aqui do Planeta matava-me se pusesse aqui uma imagem dessa capa, por exemplo). Mas a fotografia já cá canta, para quando quiser matar saudades...


Reparem como esta mini-biblioteca, entretanto formada, é tão eclética: ao lado da Colecção "Uma Aventura" figuram obras como as "Memórias da Irmã Lúcia" ou "Intervenções e Reparações do Automóvel".

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Pê de Pai e os meninos dos Açores

A qualidade da imagem e do som podem não ser as melhores, mas não podíamos deixar de mostrar aqui a sessão de animação em torno do livro "Pê de Pai", orientada por Cristina Taquelim, algures nos Açores.

Ficamos babados, então não havíamos de ficar...



A música, supomos nós, foi inventada pela própria Cristina... e resulta na perfeição.

Descobri agora que a escola em questão é a EB1/JI dos Altares, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira. Obrigada meninos! Obrigada Cristina.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A propósito de viver a sabor


Há dias em que nos apetecia mesmo dormir debaixo de uma grande árvore.

(frase e imagem do Livro para Todos os Dias — Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Viver a sabor

Os arcaísmos são as palavras e as locuções que já não são usadas ou que o são apenas muito raramente. A propósito de um projecto que temos estado por aqui a pensar, tenho-me cruzado com algumas destas palavras, a fazer lembrar avós que já morreram, outros tempos e lugares. Devo dizer que fiquei encantada (ora aqui está uma palavra que, pelo andar da carruagem, não tarda a transformar-se num arcaísmo) com algumas destas palavras...
Vejam só:

Asinha (depressa): Vai asinha buscar água!
Falar a sabor (gracejar): O rapaz fala a sabor...
Trigoso (apressado): Que trigoso que ele vai, onde irá?
Gamanho (janota): Olha o gamanho, olha, olha...
E esta, que é a minha preferida, "Viver a sabor", que significa seguir sempre apetites e vontades. Haverá quem ainda viva assim?
Se a expressão está prestes a perder-se, é caso para duvidar...

Estamos muito filosóficos, lá isso estamos...

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Curso de Pós-graduação em Literatura Infantil

Já abriram as inscrições para a nova Pós-graduação em Literatura Infantil que vai decorrer este ano na Universidade Católica.
Com coordenação pedagógica de Dora Batalim e José Alfaro, este curso pretende responder às lacunas de formação em relação ao livro infantil sentidas por todos aqueles que, de uma forma ou de outra, lidam com este objecto/produto/ser/no qual se cruzam tantas áreas de saber.
Este curso promete "contemplar o estudo do livro infantil de um ponto de vista abrangente, em vez de extrair dele apenas uma das suas componentes" e "combinar saber teórico com um aprendizado tendencialmente prático". Ou seja, não se vai falar apenas de literatura, mas de ilustração, design, edição, promoção da leitura etc... e vai haver muitos seminários, o que é sempre bom. O Planeta Tangerina também vai lá estar!

Todo o programa e mais detalhes aqui.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Um olá para a Bruaá

Fica-nos muito mal não termos ainda falado aqui da Bruáa. Porque é uma editora nova em Portugal, porque se dedica à edição de álbuns ilustrados e (sobretudo) porque tem seleccionado criteriosamente os livros que tem vindo a publicar, escolhendo editar "pouco mas bom", um lema que devia ser adoptado por todas as casas de edição do planeta (a bem do ambiente, dos nossos olhos e cabeças).

Até ao momento foram apenas dois os livros publicados pela Bruaá mas, perdoe-se-me a indelicadeza, apenas dois conseguem já dar dois a zero a muitos quilómetros de prateleira de livraria por esse país fora (hoje estou terrível, desculpem).

O primeiro "A árvore generosa" é um verdadeiro clássico, um livro intemporal que há muito merecia uma edição portuguesa (a edição original é de 1964). Com textos e ilustrações de Shel Silverstein, esse homem da escrita e da ilustração que tinha o dom de fazer extraodinariamente bem as duas coisas, "A árvore generosa" conta a história da relação entre um menino e uma árvore e de como essa relação se vai alterando à medida que o menino cresce.


O segundo livro "Eu espero", de Davide Cali e Serge Bloch (editado na versão original pela Sarbacane) é também uma aposta fora do comum. Por ser um álbum ilustrado que não se destina exclusivamente às crianças, por ser original no tema escolhido (e na forma poética como este tema é abordado) e também por ser uma surpresa a nível gráfico: um fio encarnado atravessa as ilustrações de uma página a outra, ligando os diferentes acontecimentos.


Com tudo isto, queríamos dizer olá à Bruaá, agradecer-lhe as boas escolhas... e dar-lhe as boas-vindas na nossa lista de links aqui à direita.

A Bruaá pode ser visitada aqui.
Para conhecer melhor o trabalho de Shel Silverstein é seguir por aqui.
E para visitar o site do ilustrador Serge Bloch (obrigatório!) é virar já aqui.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Música Electroacústica


Quando nos ligaram há uns meses a falar da hipótese de transformar um dos livros do Planeta Tangerina numa peça de música electroacústica, não fazia ideia de que mundo musical me estavam a falar. E a verdade é que passados todos estes meses, continuo sem saber...

Sou um péssimo exemplo em matéria musical: morro de vergonha dos meus CD's do século passado, não tenho leitor de MP3, não compro músicas pela net.
Tenho pena, mas poucas desculpas porque ainda por cima tenho o exemplo contrário, todos os dias, aqui mesmo à minha frente (a Madalena, essa Dj interplanetária).

Deambulações à parte: apesar de a música electroacústica continuar a ser para mim um mistério, a verdade é que este projecto foi mesmo para a frente.
José Luís Marques Ferreira transformou em música o livro "Uma Mesa é Uma Mesa" e a peça vai ser apresentada em estreia absoluta no CCB, no dia 23 de Setembro. Depois repete até dia 27.
Lá estaremos (sem espirrar, nem tossir), a ouvir, muito orgulhosos.

Mais informações sobre o projecto do Teatro Electroacústico aqui e aqui.

Ilustrações: Madalena Matoso, "Uma Mesa é uma Mesa. Será?", Planeta Tangerina 2006

Mais um regresso às aulas

Aqui no atelier ainda contamos os anos à moda antiga, ou seja pelo ano escolar que se inicia. É assim porque ainda sentimos próximos os anos de escola (ai que mentira...), mas sobretudo porque temos muitos trabalhos que têm que estar prontos a tempo do arranque do ano lectivo (ou do Natal), o que implica escrever muito em Março, Abril e Maio e ilustrar muito em Junho, Julho e Agosto.
Eu consigo ir de férias quando as escolas também fecham, mas os meus companheiros de estrada ficam aqui a bulir quando os termómetros sobem. Este ano, o calor não chegou para o Bernardo ir à despensa buscar a sua mega ventoinha e pô-la a girar no seu cada vez mais arrumado gabinete (ainda bem, senão teríamos tido um furacão de folhas de papel a fugir pelo corredor)...

Tudo isto para dizer que as férias chegaram ao fim e cá estou para mais um regresso às aulas.
Iupi!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

OQO, livros novos

Lembram-se das serigrafias da garagem do Lucas? As ilustrações serigrafadas eram para fazer um livro da OQO, que foi lançado em Espanha recentemente. "Macario, Dromedario" (é como se chama o livro) foi editado em castelhano e galego e faz parte de uma trilogia assinada por "Rachel Chaundler (texto) & Bernardo Carvalho (imagens)".

Os primeiros livros da série são o "Mariluz, Avestruz" e o "Rita" e já estão editados em castelhano, galego, catalão, português, inglês, francês e italiano (acho que são essas as línguas mas sinceramente já não sei muito bem).
Eu também tive o prazer de ilustrar um livro para a OQO que se chama "Quen levou a Lúa" (editado também em espanhol e galego) e que é a história de Kipa, um lobito que queria uivar como os lobos grandes da alcateia.



segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Abcd - Antes das novidades


Agosto foi o mês "antes das novidades".
Aqui fica um desenho a lembrar que ainda aqui estamos — a trabalhar, como as formiguinhas (para preparar tudo para os meses que aí vêm).

Em Setembro (para além de já cá termos a Isabel, a nossa escritora profissional) vai haver muito que contar.
Este silêncio tem os dias contados.

sábado, 2 de agosto de 2008

Elogio do Leve


"Penso nas férias, quando saímos do ninho, justamente.
Saber partir, saber que podemos viver como nómadas, isso aprende-se quando somos pequeninos. Partir “leve”, sem a varinha mágica, nem os três pares de sapatos… foi uma coisa que aprendi com a minha mãe.
Até aos quinze anos, passava férias numa casa na Bretanha que tinha a particularidade de ser na praia e de medir dois metros por três! Foi o meu pai que a construiu. Na realidade era uma grande cabana de praia para nós os cinco: duas camas de beliche em baixo, três camas no sótão, uma mesa com um Camping Gaz… e era tudo. Sem electricidade e com a torneira de água fria e as casas de banho na praia.
De manhã abríamos a porta e a primeira coisa era… “Onde está o mar?”.
Se a maré estava cheia, bebíamos a nossa taça de chocolate com os pés na água. Se estava baixa, corríamos na nossa sala de um quilómetro quadrado, lavada todos os dias pela maré.
A casa de férias menos cara do mundo, e durante três semanas, a felicidade total!
Nem vale a pena dizer que em vez de malas, tínhamos três t-shirts, três cuecas, um pullover quentinho e um par de botas arrumado debaixo do beliche. Todas as manhãs uma fileira de cuecas secava na ameixoeira mais próxima…
Aprendi de pequenina que podemos viver em qualquer lado do mundo, com muito pouco.
Sentir que somos capazes de ser felizes assim, liberta-nos.
Saber que podemos viver quase como os pássaros do céu, eis algo formidavelmente tranquilizador.”
Agnès Rosenstiehl


Agnès Rosenstiehl escreveu e ilustrou centenas de livros para crianças. É a autora da famosa Mimi Cracra, a personagem que ganhou vida nas páginas da revista Pomme d'Api (penso que nos anos 70) e que deu, depois, origem a uma extensa colecção de livros traduzida para muitas línguas.
O texto que escolhi para encerrar a saison ("saison de trabalho", não a silly saison, essa só agora vai começar) foi publicado num suplemento para pais da revista pomme d’Api, onde Rosenstiehl (a propósito das crianças de hoje) escreve uma série de "elogios", a lembrar algumas das coisas importantes da vida.
Para além deste "elogio do leve", onde partilha as memórias das suas férias de Infância, escreveu ainda o "elogio do menos", o"elogio do verde"... e outros que agora não me lembro igualmente bonitos.
PS: A tradução do francês (livre, muito livre) é minha. Espero ter sido minimamente fiel ao original...

Como diziam no blogue da Pó dos Livros: se este blogue ficar ao abandono a culpa é da Yara e do Bernardo.
Abraços, bom Verão!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Como é possível...?


Como é que é possível que esta exposição nos tenha escapado (a mim, pelo menos, escapou-se-me)? E que, azar dos azares, termine hoje mesmo, no exacto dia em que a descobri?
Eis a ideia que deu o mote à iniciativa:
"A maioria dos autores, ilustradores, editores e outras “pessoas dos livros” têm o seu livro-de-sonho imaginário.
Inspirada por esta ideia, Barbara Scharioth, directora durante 15 anos da Biblioteca Infantil Internacional de Munique, desafiou 72 ilustradores de 30 países a criar a capa de um livro, real ou inventado, que gostariam de ilustrar."

Entre os participantes contam-se alguns dos melhores ilustradores mundiais como Klaus Ensikat, Kveta Pacovská, André Letria, Teresa Lima, João Vaz de Carvalho, entre outros.
Quem andar por terras barreirenses, tem ainda algumas horas para lá dar um salto...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

As voltas do Pê de Pai

Isto de fazer livros tem coisas (algumas) muito próximas às de fazer (ter!) filhos: andam meses e meses na nossa cabeça, às voltas, a ser pensados, imaginados, desejados. Depois crescem, para a frente e para trás, de maqueta em maqueta até estarem no ponto de sair cá para fora. E, finalmente, chega o dia da maternidade, em que os esperamos ansiosos à saída da gráfica, para os receber de braços abertos e olhar vezes e vezes sem fim...

Mais tarde, tal como os filhos, os livros crescem e vão à sua vida. Alguns deles partem à descoberta do mundo e vamos recebendo notícias suas (um postal de vez em quando, um telefonema...), dizendo-nos que estão aqui e acolá, que já fizeram isto e aquilo.
E essa parte é também extraordinária!


Esta semana recebemos notícias de um desses rapazes. Diz que esteve em Évora.
Quem nos enviou a notícia foi a educadora Maria Margarida Junça, do Externato Infanta Maria. Contou-nos que os meninos da sala dos 4/5 anos estiveram a trabalhar o livro e, desse trabalho, resultou uma exposição de desenhos e observações das crianças sobre as várias páginas e imagens.

Aqui ficam alguns registos:



“O pai casaco é quando o pai nos põe ao pé dele!”
“O pai colchão é quando o pai está no sofá e eu me atiro para cima da barriga dele!”
“O pai meta é quando corremos muito depressa e o pai me faz cócegas, eu fujo e depois o pai apanha-me!”
“O pai avião é quando o pai me leva no ar para a minha cama!”
“O pai bóia é quando não temos braçadeiras!”
“O pai esconderijo é quando estamos envergonhados!”
“O pai é pequenino quando me ata os sapatos!”
“O pai motor é quando venho para a escola e o pai me diz: Anda filho”!
“O pai despertador é quando acordo com um beijinho!”
“O pai ambulância vai a correr!”
“O pai carrossel é quando ando à roda, à roda e eu rio-me!”
“O pai grua é quando fazemos birra!
“O meu pai é o pai chocolate quando… Mnham…mnham…!”
“O meu pai é o pai seta quando me diz: Joana já para o quarto! (Às vezes diz isto um bocadinho zangado)!”

Agradecemos aos meninos de Évora e à sua educadora.
Bem-haja a todos!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Gisèle, ma belle


"Gisèle de verre" não é um livro novo, nem ganhou recentemente qualquer prémio.
Lembrei-me dele porque sempre que levanto a cabeça do ecrã, os meus olhos se cruzam esta Gisèle, deitada a ler um livro, o corpo apoiado nos cotovelos e o ar feliz de quem tem a cabeça a vaguear.
A particularidade de Gisèle é que nasceu transparente e, por causa desse pequeno defeito (ou feitio), podemos observar em detalhe todos os seus pensamentos e devaneios. Sorte a nossa... Não pela indiscrição do acto em si, mas pela beleza destas imagens-pensamentos, ora desenhadas, ora recortadas pelas mãos da muito talentosa Beatrice Alemagna, autora-ilustradora deste livro.

Beatrice Alemagna é um quebra cabeças de países e cidades: tem Alemanha no apelido, mas nasceu em Bolonha, Itália, e vive desde há alguns anos em França, onde tem editado a maior parte dos seus livros (Seuil, Autrement, Gallimard, entre outras).
Infelizmente, ainda não está disponível o site oficial desta artista (uma verdadeira artista!), mas é possível conhecer aqui alguns dos seus trabalhos.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Já apetecia


Ir de férias.
Mas, por enquanto, o melhor é aproveitar bem o fim-de-semana.

(a imagem é do
Quando Eu Nasci)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Preparem-se os Andarilhos


Estão abertas as inscrições para o Palavras Andarilhas, o Encontro dos Aprendizes do Contar (que este ano cumpre 10 anos de existência — um número redondo, como se costuma dizer).

Já nem deve ser preciso dizer (mas, pelo sim, pelo não, aqui vai) que o Palavras Andarilhas é um encontro (em Beja) de contadores de histórias, vindos dos quatro cantos do mundo (este ano há participantes do Chile, Tunísia, Camarões, Brasil e mais), em que se contam contos, há oficinas e palestras sobre vários temas, exposições, mostras de cinema, cantorias, petiscos e sabe-se lá mais o quê (tudo em nome de uma boa história).

E que só poderia ser organizado pela Biblioteca de Beja, a-biblioteca-sem-sono (adorei este slogan — por ser tão verdade, por nos acordar a todos, por nos dar vontade de ficar a ouvir histórias pela noite fora e porque as pessoas-com-sono dão-me sono).

Pode-se consultar o programa integral e descarregar as fichas de inscrição aqui.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Um concurso (ou julgavam que estavam de férias?)


A Academia das Belas Artes de Katowice e o Ministério da Cultura da Polónia estão a lançar um concurso de ilustração e design de livros destinados à infância. Podem concorrer estudantes universitários de todo o mundo.

As regras do jogo, formulários e afins, podem ser consultados aqui (em polaco, mas também em inglês).

Obrigada à Inês pela informação.

Um alfabeto muito apetecível


A colecção L'ABéCédaire juntou 21 ilustradores e a cada um deu uma letra e a oportunidade de escolher e ilustrar algumas das palavras que lá cabem dentro.
O resultado é um livro por letra e por ilustrador e, no conjunto, uma colecção de 20 livros que nos dá a descobrir uma série de universos gráficos, sensibilidades e formas de expressão.
(Pelas contas já podem ver como há excepções, por exemplo, dois ilustradores que partilham duas letras num só livro).

As imagens são representadas em página simples ou dupla e, no final, existe um índice com as palavras em causa. Nas guardas iniciais, cada ilustrador desenhou um alfabeto completo.

Apesar de as capas já terem sido apresentadas, os livros não foram ainda todos publicados. A ideia é irem saindo durante os próximos meses, conseguindo-se com esta espera saborear demoradamente as letras já publicadas e aguardar com expectativa as que faltam.

No site das Edições L'Édune é possível conhecer melhor o espírito da colecção e espreitar todas as letras deste alfabeto.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

O valor do vento

Porque hoje está um dia de vento (e, ao que parece, assim vai continuar), lembrei-me deste poema de Ruy Belo que deve ter um dos finais mais inesperados (e cómicos) da História da Poesia...

Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto

(Todos os Poemas, Vol I)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Refresco

A MeMo, juntamente com a Topipittori de que a Isabel já aqui tinha falado, foi uma das editoras que mais gostei de descobrir este ano em Bolonha. Parece que não é tão nova como isso, nós é que andávamos distraídos. Editam poucos livros por ano, escolhidos a dedo entre novidades e reedições de coisas que tinham ficado esquecidas. Olivier Douzou é um dos autores da MeMo e está visto que (qual  ventoinha) por onde ele passa o ar fica logo mais leve e fresco.

As ideias das histórias dão vontade de devorar os livros: há a do dariz entupido, a do ouriço que não gostava de picar (e que não achava graça nenhuma  a ter balões por perto), a do livro da noite, a da nuvem que não se queria ir embora...

Estas são algumas das capas de que gostei muito: