terça-feira, 14 de outubro de 2008
O Brincador
Pois bem, havia alguém na sala a gravar o momento e o ficheiro audio caiu-me do céu...
Aqui fica ele, pela voz de Cristina Taquelim.
Vamos ver se resulta...
Obrigada à Sandy pelo precioso ficheiro.
No Chiado, à tardinha, às vezes...
Nós ainda não a vimos porque estamos aqui fechados, nestes tristes subúrbios, a trabalhar feitos escravos (como diz o Bernardo). Mas, diz quem viu, que a coisa é grandiosa... Que por todo o átrio central dos Armazéns do Chiado há ilustrações em grande formato do livro "Coração de Mãe"... e que só é pena não se encontrar o livro à venda ali por perto.
Já fizemos os nossos telefonemas a alertar o distribuidor e, em princípio, a Fnac do Chiado, a Bertrand uns metros acima e a loja Fábrica da Benetton (continuando a subir) já têm o stock renovado.
A exposição "Coração de Mãe" é uma iniciativa da Ilustrarte em parceria com o Centro Nacional de Cultura e, pelo que sabemos, vai continuar no Chiado até ao próximo fim-de-semana.
Se alguém passar por lá, não se esqueça de fotografar a obra para mostrar aqui a estes pobres escravos...
Alguém sabe...?
Já tenho aqui uma explicação de uma boa amiga mas, confesso, é longa e com passos a mais para a minha pouca paciência... Se alguém souber de um modo simples e eficaz, agradeço.
(É que tenho aqui um ficheiro em formato WAV com uma preciosidade sonora que queria partilhar e não encontro maneira.)
sábado, 11 de outubro de 2008
Diz Lilliput!
Lilliput passa aos sábados, a partir das 17.30 e surge integrada no programa "A Força das Coisas" (de Luís Caetano) que também vale a pena ouvir (a partir das 16.00h).
Por lá já passaram Carla Maia de Almeida (autora do livro "Não quero usar óculos"), Enid Blyton, e este sábado as atenções estarão concentradas em Edward Gorey (eu já fui saber mais sobre a personagem)... Não percam!
PS Para os interessados em ouvir as edições anteriores, os áudios do programa estão disponíveis aqui .
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
A Yara em Marvão

A nossa Yara, Yara Kono, uma das contribuidoras deste blog, nossa querida colega e amiga, está a expor os seus trabalhos de ilustração no Centro Cultural de Marvão.
A exposição chama-se "Coligir emoções · Reunir ideias · Coleccionar memórias" e pode ser visitada até ao final do mês de Outubro.
Mais informações, no blog da Yara aqui.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Depois da côdea, passemos ao miolo...(1)


TRAVA-LÍNGUAS, de Dulce de Souza Gonçalves (Recolha) e Madalena Matoso (Ilustração)
Manter o carácter universal e além-fronteiras dos trava-línguas, abrindo as portas à troca de experiências sonoras, é uma das grandes intenções deste livro.
Nele se apresentam um conjunto de trava-línguas nas suas línguas originais — português, espanhol, italiano, francês e inglês — dando-nos a conhecer personagens tão divertidas como a “cabra traga trapos”, o “papa papão” ou os talvez menos soletrados “pauvre petit pêcheur” ou “Paquito que empaca copitas”.
O nível de dificuldade não é homogéneo e, para o final, são deixados os exemplares mais difíceis, especialmente dedicados aos linguarudos (ou seja, aos leitores que já dominam bem estas artes). Veja-se este: “Trentatré trentini entrarono a Trento tutti trentratré troterellando”...
Não se julgue, porém, que este é um livro cheio de desafios impossíveis. Muito pelo contrário...
Para abordar, atacar e dominar todos estes trava-línguas não é preciso ter um sotaque perfeito, nem é sequer obrigatório compreender o que está a ser dito (se assim for, melhor). O que interessa aqui é saborear os sons, sentir os SSS’s, os P’s e os XXXX’s e dar aos leitores a possibilidade de caminhar por paisagens sonoras que não são habitualmente as suas.
Para além da particularidade de ser um livro multilingue, para meninos e crescidos de todas as idades e nações, este é um livro diferente por outra razão: por ser todo ele, de uma ponta à outra, construído com letras.
Através de um alfabeto criado em carimbos especialmente para este livro, as letras unem-se ou separam-se para formar linhas, manchas e figuras, procurando destacar o mundo sonoro trazido pelos trava-línguas aqui apresentados.
Depois da côdea, passemos ao miolo...(2)
A história começa logo na guarda inicial do livro. Bastam duas cores, duas barras lisas de cor, para nos situarmos no espaço. Depois a acção avança por aí fora, sem tempo ou espaço para “burocracias” (que é como quem diz, para fichas técnicas ou folhas de rosto): há uma história a contar e conta-se; há uma história a nascer e, portanto, há que olhar para ela, como quem assiste a uma cena, sentado no areal da praia.
A personagem vai avançando pela areia e, página e página, acompanhamos os seus gestos, gestos familiares de um dia na praia como qualquer outro.
De súbito algo se agita no mar...
Os dados estão lançados, ficamos suspensos no desfecho, as imagens dão-nos pistas sem nos dizerem tudo: por vezes mostram-nos apenas um detalhe, por vezes vemos até ao infinito. No final, quando o livro termina, também nós desaparecemos no horizonte...
"Um dia na Praia" é um livro de imagens, um livro aberto que convida a múltiplas leituras. Não se destina a leitores jovens ou menos jovens, mas sim a todos aqueles que gostam de ilustração, de uma boa história, de ler, contar e recontar, independentemente da sua idade ou capacidade de leitura.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Dia Mundial da Arquitectura

Ainda a propósito deste dia, será colocado on line material didáctico para utilização em casa, com os amigos ou na própria escola.
Mais informações aqui e aqui.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
De Beja, doces histórias...
Nas Maltezinhas, os pastéis têm uma espessura de nata de dois pisos e é difícil ficarmo-nos por apenas uma unidade. A primeira é de espanto, a segunda de confirmação... a terceira é só para cépticos, corajosos ou gulosos (como eu).
Tinha estado nas Palavras Andarilhas há muitos anos, de fugida, por isso, esta ida a Beja foi como se fosse a primeira.
A Cristina Taquelim merece uma daquelas condecorações dadas pela Presidência da República, tal é a qualidade do encontro que organiza, a forma gratuita com que faz a coisa e o modo muito especial de receber os visitantes.
(Adorava ter gravado a leitura do poema "O Brincador", de Álvaro Magalhães, dito por ela, para aqui partilhar. E também as histórias de Zé Craveiro, esse tentugalês que, para além de histórias, percebe de pastéis... Mas deu-me a preguiça para as novas tecnologias.)
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Exposições nas Palavras Andarilhas
Quem quiser ver em formato maior e emoldurado as ilustrações dos livros "O Mundo num Segundo" (Bernardo Carvalho) e "O Meu Vizinho é um Cão" (Madalena Matoso), tem mais um motivo, entre dezenas de outros igualmente bons, para visitar esta bela cidade alentejana.

Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina 2008

Madalena Matoso, Planeta Tangerina 2008
Para além destas exposições "made in Planeta Tangerina", estarão ainda expostos os originais do livro "Vencer os Medos" (João Paulo Cotrim e vários ilustradores), "Caixas para contar histórias" (Joaquim Cunha) e "Scriptorium Movel" (João Lizardo).
Todo o programa no blog das Andarilhas aqui.
Preparem-se porque a dificuldade é mesmo escolher onde parar.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
E levante-se o véu...

Trava-línguas, Recolha: Dulce de Souza Gonçalves, Ilustrações: Madalena Matoso, Planeta Tangerina 2008

Um Dia na Praia, História e Ilustrações: Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina 2008
Ambos os livros estarão à venda durante o "Encontro Palavras Andarilhas" que arrancará já esta 4.ª feira na cidade de Beja. Por enquanto esta será uma venda "em exclusivo", mas daqui a poucas semanas chegarão às restantes livrarias, primeiros às mais pequenas, depois às maiores, como tem vindo a ser nosso costume.
O Planeta Tangerina estará representado nas Palavras Andarilhas pela "Bichinho do Conto".
Estas são as capas, em breve revelaremos mais miolo...
Ainda as hipérboles...
Mais logo, temos mais novidades...
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Contra a "grande invasão", marchar...

Vem aí mais um Dia Europeu sem Carros e a respectiva Semana Europeia da Mobilidade, durante a qual as Câmaras Municipais se desdobram em iniciativas para a promoção do uso de transportes públicos e/ou não motorizados nas nossas cidades.
Por estas bandas, pelo que ouvi dizer, já está marcada uma emocionante manhã sem carros na marginal, desafiando os munícipes para desempoeirarem bicicletas, triciclos e patins e mostrarem o seu empenho em serem cidadãos verdes e saudáveis.
Eu até sou capaz de ir. Porque estas iniciativas têm piada, mas é mesmo só isso que têm: piada. Proporcionam uma vivência do espaço invulgar, põem-nos a sonhar com cidades mais verdes e simpáticas, mas a manhã passa e os carros continuam a passar, ultrapassar e, muitas vezes, a tomar o nosso lugar nas ruas.
Aqui no Planeta Tangerina falamos disso muitas vezes. E, apesar de não termos por hábito jogar no Euromilhões (só de vez em quando quando há aqueles jackpots a que ninguém resiste), já combinámos que, se algum dia ganharmos uma quantia desta dimensão, será directamente canalizada para o negócio das implosões.
Gastaremos cada cêntimo a mandar implodir edifícios feios, bairros desordenados, quarteirões caóticos e concentrações anormais de prédios. Claro que tudo isto implicará gastar muito dinheiro nas indemnizações a câmaras, construtores e moradores (e daí o Euromilhões...).

No lugar de cada um destes quarteirões implodidos nascerão praças, parques e jardins, passeios, ruas sem trânsito... espaço, portanto, para podermos andar com os pés no chão (ou nos pedais) sem medo de morrer.
Quando pensámos o livro "A Grande Invasão" era tudo isto que pedíamos: cidades melhores, com espaços para brincar na rua, andar de bicicleta, passear bebés nos carrinhos. Cidades sem invasores que trepam passeios, invadem pracetas e tomam conta da nossa vida quase sem darmos por isso.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Sempre que brilha o Sol
O artigo sobre o Planeta Tangerina na revista Tabu, do jornal Sol desta semana.
Estamos nas páginas 22 e 23 (a seguir à Britney Spears e antes da Cindy McCain).
NOTA: o artigo já não se encontra online!
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Hipérboles procuram-se
Procuramos expressões do tipo "Surdo como uma porta", "Gordo como um pote" ou "Mais velho que a Sé de Braga"...
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Perdidos e achados
Aí por volta dos meus 16 anos fiz uma grande limpeza às prateleiras do meu quarto. Delas varri quase todos os vestígios da minha infância e isso incluiu, obviamente, livros.
Quase todos os livros, os meus e os da minha irmã, foram então atirados, sem dó nem piedade, nem ponta de saudade para vários caixotes de cartão onde ficaram à espera que fosse ditada a sua sorte... Aos 16 anos, todos os vestígios que nos dizem que já tivemos 6, 8, 10 e 12 anos são provas a apagar. E os meus livros, por muito que gostasse deles, deixaram de fazer sentido.
Resolvi então (muito filantrópica) oferecer os meus livros aos meninos da Enxabarda, a aldeia da minha avó, escondida entre serras, ali para os lados do Fundão.
Fiz lá chegar os caixotes, a achar que ia fazer uma revolução cultural na terra. Mas o tempo passou e, apesar dos esforços, a coisa demorava a organizar-se. Soube que já havia prateleiras, que havia muitas outras pessoas a dar livros, que os livros estavam até a ser catalogados, mas depois deixei de saber... e pensei que a biblioteca não tinha tido força para arrancar.
Os anos foram passando, deixei de ir tantas vezes à Enxabarda como no tempo das férias grandes. De vez em quando perguntava pelos livros, mas a certa altura perdi-lhes o rasto... pensei que se tinham dispersado (o que até não tinha mal nenhum).
Só que este ano tive uma supresa: ao lado da casa da minha avó, onde entretanto construíram um Centro Cultural e Recreativo, há agora uma sala onde os mais pequenos ocupam o tempo nas férias do Verão. Espreitei por curiosidade... e foi então que os vi: os meus livros (os meus queridos livros) estavam todos ali, ainda eram vivos e respiravam!
Os da "Anita", os do "Teo", os do "Hopi", os da colecção "ABC" e todos os outros, entretanto esquecidos, e que se acenderam na minha cabeça mal lhes pus a vista em cima.
Corri a fotografá-los: "a minha irmã tem que ver isto", pensei...
Mas, na verdade, não têm nada de especial "como livros": nem ilustrações extraordinárias, nem aquele charme que se descobre em qualquer coisa que não se via há muito tempo. Há alguns textos bons (como os de "Contos no Jardim", de Mª Isabel Mendonça Soares), mas há, sobretudo, muitos exemplares de envergonhar qualquer pessoa. Um livro da Sarah Kay, por exemplo. E como eu gostava dele...
Por razões de ordem estética, não mostro aqui os piorzinhos (o pessoal aqui do Planeta matava-me se pusesse aqui uma imagem dessa capa, por exemplo). Mas a fotografia já cá canta, para quando quiser matar saudades...
Reparem como esta mini-biblioteca, entretanto formada, é tão eclética: ao lado da Colecção "Uma Aventura" figuram obras como as "Memórias da Irmã Lúcia" ou "Intervenções e Reparações do Automóvel".
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Pê de Pai e os meninos dos Açores
Ficamos babados, então não havíamos de ficar...
A música, supomos nós, foi inventada pela própria Cristina... e resulta na perfeição.
Descobri agora que a escola em questão é a EB1/JI dos Altares, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira. Obrigada meninos! Obrigada Cristina.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Viver a sabor
Vejam só:
Asinha (depressa): Vai asinha buscar água!
Falar a sabor (gracejar): O rapaz fala a sabor...
Trigoso (apressado): Que trigoso que ele vai, onde irá?
Gamanho (janota): Olha o gamanho, olha, olha...
E esta, que é a minha preferida, "Viver a sabor", que significa seguir sempre apetites e vontades. Haverá quem ainda viva assim?
Se a expressão está prestes a perder-se, é caso para duvidar...
Estamos muito filosóficos, lá isso estamos...
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Curso de Pós-graduação em Literatura Infantil
Com coordenação pedagógica de Dora Batalim e José Alfaro, este curso pretende responder às lacunas de formação em relação ao livro infantil sentidas por todos aqueles que, de uma forma ou de outra, lidam com este objecto/produto/ser/no qual se cruzam tantas áreas de saber.
Este curso promete "contemplar o estudo do livro infantil de um ponto de vista abrangente, em vez de extrair dele apenas uma das suas componentes" e "combinar saber teórico com um aprendizado tendencialmente prático". Ou seja, não se vai falar apenas de literatura, mas de ilustração, design, edição, promoção da leitura etc... e vai haver muitos seminários, o que é sempre bom. O Planeta Tangerina também vai lá estar!
Todo o programa e mais detalhes aqui.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Um olá para a Bruaá
Até ao momento foram apenas dois os livros publicados pela Bruaá mas, perdoe-se-me a indelicadeza, apenas dois conseguem já dar dois a zero a muitos quilómetros de prateleira de livraria por esse país fora (hoje estou terrível, desculpem).
O primeiro "A árvore generosa" é um verdadeiro clássico, um livro intemporal que há muito merecia uma edição portuguesa (a edição original é de 1964). Com textos e ilustrações de Shel Silverstein, esse homem da escrita e da ilustração que tinha o dom de fazer extraodinariamente bem as duas coisas, "A árvore generosa" conta a história da relação entre um menino e uma árvore e de como essa relação se vai alterando à medida que o menino cresce.

O segundo livro "Eu espero", de Davide Cali e Serge Bloch (editado na versão original pela Sarbacane) é também uma aposta fora do comum. Por ser um álbum ilustrado que não se destina exclusivamente às crianças, por ser original no tema escolhido (e na forma poética como este tema é abordado) e também por ser uma surpresa a nível gráfico: um fio encarnado atravessa as ilustrações de uma página a outra, ligando os diferentes acontecimentos.

Com tudo isto, queríamos dizer olá à Bruaá, agradecer-lhe as boas escolhas... e dar-lhe as boas-vindas na nossa lista de links aqui à direita.
A Bruaá pode ser visitada aqui.
Para conhecer melhor o trabalho de Shel Silverstein é seguir por aqui.
E para visitar o site do ilustrador Serge Bloch (obrigatório!) é virar já aqui.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Música Electroacústica

Quando nos ligaram há uns meses a falar da hipótese de transformar um dos livros do Planeta Tangerina numa peça de música electroacústica, não fazia ideia de que mundo musical me estavam a falar. E a verdade é que passados todos estes meses, continuo sem saber...
Sou um péssimo exemplo em matéria musical: morro de vergonha dos meus CD's do século passado, não tenho leitor de MP3, não compro músicas pela net.
Tenho pena, mas poucas desculpas porque ainda por cima tenho o exemplo contrário, todos os dias, aqui mesmo à minha frente (a Madalena, essa Dj interplanetária).
Deambulações à parte: apesar de a música electroacústica continuar a ser para mim um mistério, a verdade é que este projecto foi mesmo para a frente.José Luís Marques Ferreira transformou em música o livro "Uma Mesa é Uma Mesa" e a peça vai ser apresentada em estreia absoluta no CCB, no dia 23 de Setembro. Depois repete até dia 27.
Lá estaremos (sem espirrar, nem tossir), a ouvir, muito orgulhosos.
Mais informações sobre o projecto do Teatro Electroacústico aqui e aqui.
Ilustrações: Madalena Matoso, "Uma Mesa é uma Mesa. Será?", Planeta Tangerina 2006
Mais um regresso às aulas
Eu consigo ir de férias quando as escolas também fecham, mas os meus companheiros de estrada ficam aqui a bulir quando os termómetros sobem. Este ano, o calor não chegou para o Bernardo ir à despensa buscar a sua mega ventoinha e pô-la a girar no seu cada vez mais arrumado gabinete (ainda bem, senão teríamos tido um furacão de folhas de papel a fugir pelo corredor)...
Tudo isto para dizer que as férias chegaram ao fim e cá estou para mais um regresso às aulas.
Iupi!
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
OQO, livros novos


Eu também tive o prazer de ilustrar um livro para a OQO que se chama "Quen levou a Lúa" (editado também em espanhol e galego) e que é a história de Kipa, um lobito que queria uivar como os lobos grandes da alcateia.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Abcd - Antes das novidades

Agosto foi o mês "antes das novidades".
sábado, 2 de agosto de 2008
Elogio do Leve

"Penso nas férias, quando saímos do ninho, justamente.
Saber partir, saber que podemos viver como nómadas, isso aprende-se quando somos pequeninos. Partir “leve”, sem a varinha mágica, nem os três pares de sapatos… foi uma coisa que aprendi com a minha mãe.
Até aos quinze anos, passava férias numa casa na Bretanha que tinha a particularidade de ser na praia e de medir dois metros por três! Foi o meu pai que a construiu. Na realidade era uma grande cabana de praia para nós os cinco: duas camas de beliche em baixo, três camas no sótão, uma mesa com um Camping Gaz… e era tudo. Sem electricidade e com a torneira de água fria e as casas de banho na praia.
De manhã abríamos a porta e a primeira coisa era… “Onde está o mar?”.
Se a maré estava cheia, bebíamos a nossa taça de chocolate com os pés na água. Se estava baixa, corríamos na nossa sala de um quilómetro quadrado, lavada todos os dias pela maré.
A casa de férias menos cara do mundo, e durante três semanas, a felicidade total!
Nem vale a pena dizer que em vez de malas, tínhamos três t-shirts, três cuecas, um pullover quentinho e um par de botas arrumado debaixo do beliche. Todas as manhãs uma fileira de cuecas secava na ameixoeira mais próxima…
Aprendi de pequenina que podemos viver em qualquer lado do mundo, com muito pouco.
Sentir que somos capazes de ser felizes assim, liberta-nos.
Saber que podemos viver quase como os pássaros do céu, eis algo formidavelmente tranquilizador.”
Agnès Rosenstiehl

Agnès Rosenstiehl escreveu e ilustrou centenas de livros para crianças. É a autora da famosa Mimi Cracra, a personagem que ganhou vida nas páginas da revista Pomme d'Api (penso que nos anos 70) e que deu, depois, origem a uma extensa colecção de livros traduzida para muitas línguas.
O texto que escolhi para encerrar a saison ("saison de trabalho", não a silly saison, essa só agora vai começar) foi publicado num suplemento para pais da revista pomme d’Api, onde Rosenstiehl (a propósito das crianças de hoje) escreve uma série de "elogios", a lembrar algumas das coisas importantes da vida.
Para além deste "elogio do leve", onde partilha as memórias das suas férias de Infância, escreveu ainda o "elogio do menos", o"elogio do verde"... e outros que agora não me lembro igualmente bonitos.
PS: A tradução do francês (livre, muito livre) é minha. Espero ter sido minimamente fiel ao original...
Como diziam no blogue da Pó dos Livros: se este blogue ficar ao abandono a culpa é da Yara e do Bernardo.
Abraços, bom Verão!
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Como é possível...?

Como é que é possível que esta exposição nos tenha escapado (a mim, pelo menos, escapou-se-me)? E que, azar dos azares, termine hoje mesmo, no exacto dia em que a descobri?
Eis a ideia que deu o mote à iniciativa:
"A maioria dos autores, ilustradores, editores e outras “pessoas dos livros” têm o seu livro-de-sonho imaginário.
Inspirada por esta ideia, Barbara Scharioth, directora durante 15 anos da Biblioteca Infantil Internacional de Munique, desafiou 72 ilustradores de 30 países a criar a capa de um livro, real ou inventado, que gostariam de ilustrar."
Entre os participantes contam-se alguns dos melhores ilustradores mundiais como Klaus Ensikat, Kveta Pacovská, André Letria, Teresa Lima, João Vaz de Carvalho, entre outros.
Quem andar por terras barreirenses, tem ainda algumas horas para lá dar um salto...
segunda-feira, 28 de julho de 2008
As voltas do Pê de Pai
Mais tarde, tal como os filhos, os livros crescem e vão à sua vida. Alguns deles partem à descoberta do mundo e vamos recebendo notícias suas (um postal de vez em quando, um telefonema...), dizendo-nos que estão aqui e acolá, que já fizeram isto e aquilo.
E essa parte é também extraordinária!

Esta semana recebemos notícias de um desses rapazes. Diz que esteve em Évora.
Quem nos enviou a notícia foi a educadora Maria Margarida Junça, do Externato Infanta Maria. Contou-nos que os meninos da sala dos 4/5 anos estiveram a trabalhar o livro e, desse trabalho, resultou uma exposição de desenhos e observações das crianças sobre as várias páginas e imagens.
Aqui ficam alguns registos:


“O pai casaco é quando o pai nos põe ao pé dele!”
“O pai colchão é quando o pai está no sofá e eu me atiro para cima da barriga dele!”
“O pai meta é quando corremos muito depressa e o pai me faz cócegas, eu fujo e depois o pai apanha-me!”
“O pai avião é quando o pai me leva no ar para a minha cama!”
“O pai bóia é quando não temos braçadeiras!”
“O pai esconderijo é quando estamos envergonhados!”
“O pai é pequenino quando me ata os sapatos!”
“O pai motor é quando venho para a escola e o pai me diz: Anda filho”!
“O pai despertador é quando acordo com um beijinho!”
“O pai ambulância vai a correr!”
“O pai carrossel é quando ando à roda, à roda e eu rio-me!”
“O pai grua é quando fazemos birra!
“O meu pai é o pai chocolate quando… Mnham…mnham…!”
“O meu pai é o pai seta quando me diz: Joana já para o quarto! (Às vezes diz isto um bocadinho zangado)!”
Agradecemos aos meninos de Évora e à sua educadora.
Bem-haja a todos!




