sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

(quase) Todos os nomes


O Gémeo Luís vai mostrar alguns originais da sua mega colecção de ilustrações. 
A inauguração da exposição é na próxima quarta-feira (dia 4) nos Paços da Cultura da Câmara de S. João da Madeira, às 10hoo. 
O convite dá uma ideia da dimensão da coisa: 127 ilustradores, de vários países, de diferentes gerações, que trabalham em todas as técnicas, dos mais conceituados aos mais "a descobrir". 
Oportunidades como esta não há todos os dias, por isso, agendem para breve uma viagem até S. João da Madeira.

(se não puderem estar na inauguração, a exposição fica até dia 8 de Março e tem um horário simpático: Segunda a Sábado das 10h00 às 24h00; Domingos das 14h00 às 24hoo)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

La fiera aproxima-se



A Feira de Bolonha não tarda está aí.
Depois de uma visita rápida pelo site, fiquei a saber que a Coreia é o país convidado deste ano, e como já é da tradição, será possível ver em Bolonha alguns dos grandes nomes da ilustração coreana ("Round and Round in a Circle" é o título da exposição que os acolhe).
Cristina Valadas, vencedora do último Prémio Nacional de Ilustração, é a única portuguesa a integrar a Mostra de Ilustração de 2009 e, que eu saiba pela primeira vez, temos também um português entre os elementos do júri: Eduardo Filipe, criador e organizador da Bienal Ilustrarte.
Em relação a prémios, há uma novidade importante: para além dos Prémios "Fiction", "Non Fiction" e "New Horizons" (um reconhecimento especial reservado a publicações de países árabes, africanos, asiáticos e latino-americanos), a organização criou uma nova categoria permanente que distingue primeiras-obras de escritores e ilustradores. Chama-se "Opera Prima" e parece-me uma óptima ideia.

Mais informações no site (onde é possível subscrever uma newsletter para receber actualizações de informação).

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Cuidado com esses indivíduos


Tinha pensado dar como título a este post "Saudades do Verão" ou qualquer coisa assim para o melancólico... Mas depois a Yara digitalizou a imagem e enviou-ma de volta com este subject meio terrorista e não resisti. Ao ficheiro chamou "gang da pesada" e lá se foram por terra todos os meus pensamentos melancólicos. Somos nós, nas escadas da Casa da Cerca, talvez em Maio, talvez em Junho, aquando da inauguração da exposição de Brian Cronin.


A fotografia, como não podia deixar de ser, é do Simão, fotógrafo de profissão sempre que lhe é permitido.

Prémios de Edição LER/BOOKTAILORS

Já começaram a ser divulgadas as shortlists dos Prémios de Edição LER/BOOKTAILORS.
O Planeta Tangerina tem dois finalistas na categoria de Melhor Capa de Infanto-juvenil.
"O Mundo num Segundo" e "Coração de Mãe" concorrem agora com a capa de "O Meu Primeiro Álbum de Poesia", com ilustração de Danuta Wojciechowska (o projecto gráfico penso que seja da D. Quixote).

O nosso "capista" de serviço está de parabéns.
As shortlists já apresentadas podem ser consultadas aqui.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Número pouco-redondo


Lewis Carrol nasceu no dia 27 de Janeiro de 1832, há 177 anos (o que no ranking-da-importância- dos-aniversários deve estar lá bem em baixo: notícia era se fizesse 200 anos, ou 150 ou, vá lá, 175). Mas aqui ficam os nossos parabéns (de certeza que, no outro lado do espelho, os 177 estão a ser comemorados com pompa e circunstância).

(a ilustração é de John Tenniel para a primeira edição do "Trough the Looking Glass" de 1871)

És mesmo tu?

Somos mesmo nós!
Sara Figueiredo Costa colocou online o texto já publicado no suplemento Actual do Expresso sobre o nosso "És mesmo tu?".
Permitam-nos esta vaidade...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Sigam as vossas paixões, diz Zimler


Com alguma pena minha só consegui assistir a "um quarto" do Congresso Internacional de Promoção da Leitura da Gulbenkian. Ainda por cima cheguei atrasada, nessa manhã, e não sobravam já cadeiras livres no auditório principal onde decorriam as comunicações. Foi assim que fui parar a um dos auditórios extra onde é possível assistir, em directo, mas não ao vivo, às comunicações do auditório principal: entrei, procurei uma das poucas cadeiras vazias e sentei-me, esforçando-me por me manter atenta. Mas, não foi fácil.
Para além deste gap com o mundo real proporcionado pela projecção, a cadeira que escolhi não era muito favorável à concentração (o ângulo que formava com o ecrã só me deixava ver as imagens à tangente) e, para dificultar as coisas, as comunicações eram todas em inglês (e eu ainda sou do tempo em que era possível preferir o francês). Depois, confesso, não estava nos meus dias... Resultado: distraí-me, como me distraio tantas vezes em encontros deste tipo.
Tinha a pasta, que a Casa da Leitura simpaticamente disponibilizou, e foi assim que passei a manhã, mergulhando na leitura, para de vez em quando regressar à superfície e escutar o que se dizia (devo dizer que sempre que consegui estar atenta, pareceu-me o conteúdo rico e interessante).

Um dos dossiers entregues pela Casa da Leitura é composto por um conjunto de depoimentos recolhidos junto de leitores, professores, ilustradores, escritores, promotores da leitura, e também fotógrafos, cientistas e livreiros, aos quais foi pedida uma reflexão sobre o tema da própria conferência "Formar Leitores para Ler o Mundo".
Não foi tempo perdido esta leitura e ajudou-me a salvar a manhã...
Gostei especialmente do texto de Richard Zimler, pela sua simplicidade, pragmatismo, e método proposto que me parece, assim à distância, bastante eficaz.
Zimler defende a ideia de que cada leitor tem direito a fazer um percurso, a fazer escolhas e a ter preferências, mesmo que estas nos pareçam "de mau gosto" ou "erradas". Só, assim, seguindo as suas paixões e tendo hipótese de continuar a escolher, é possível chegar à grande literatura.
Aqui ficam alguns excertos:

"Quando os meus alunos me pedem um conselho, o único que lhes dou é: sigam as vossas paixões! Isto significa que eles devem escolher uma profissão e uma forma de vida que os estimule, que os entusiasme a continuar a aprender, que lhes dê o sentido de que estão exactamente onde deveriam estar.(...)
Sinto o mesmo relativamente à leitura. As crianças deveriam ser postas em contacto com uma grande variedade de livros, sobre diferentes assuntos, de amplas e diferentes culturas e deveria ser-lhes permitido escolher os que mais as estimulam e interessam.
Claro que isto significa que poderão escolher livros sobre moda, desporto, mitologia, Hindu em detrimento da Literatura Europeia Clássica. E depois? Eu não penso ser vantajoso obrigar um rapaz ou uma rapariga a ler Camões ou Jane Austen ou Racine (depois de fazer uma exposição inicial sobre estes autores) quando o que eles realmente querem é J. K. Rowling, uma biografia de Pelé ou o último romance de Danielle Steele."
(...)
Dêem aos jovens uma vasta escolha de livros e familiarizem-nos com todas as suas opções. Dêem-lhes uma oportunidade de aprender a amar a leitura, e depois encorajem-nos a seguir as suas paixões. E quando eles forem muitos pequenos, leiam-lhes todas as noites antes de dormir.
Talvez alguns partam de um gosto pela Bd para a mitologia grega, e depois para William Faulkner ou Stendhal. Talvez eles descubram o que faz a grande literatura grande. (...) "


Ilustração: Madalena Matoso



PS: Não assisti à conferência de Peter Hunt, mas felizmente existe a blogosfera. No Jardim Assombrado, Carla Maia de Almeida conta como valeu a pena.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Bom fim-de-semana


Mais um desenho feito pelo Bernardo para o "Congresso Internacional de Promoção da Leitura — Formar Leitores para Ler o Mundo".

Ler o Mundo


Desenho feito pelo Bernardo para o "Congresso Internacional de Promoção da Leitura — Formar Leitores para Ler o Mundo".

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

826 — The magic number


826 é uma associação americana que nasceu da ideia de que  "escrever" é a porta para uma vida melhor. 

Esta ONG trabalha com alunos dos 6 aos 18 anos e os seus mentores acreditam que escrever (e gostar de escrever) melhora as capacidades de aprendizagem e faz com que expor e organizar ideias seja mais fácil e que "isso" pode fazer toda a diferença do mundo. 

Tudo começou com uma sala, algumas mesas e cadeiras, e pessoas disponíveis para fazer um apoio de um-para-um (que é também uma das bases deste projecto). 
Hoje em dia, multiplicam-se os centros e as actividades. 
Vale a pena andar por aqui a saber mais (não deixem de visitar a loja — o David Byrne disse que estava no top five das lojas de piratas a que ele tem ido ultimamente).

Este "Thanks and Have Fun..." vem muito a propósito destes dias e é um dos frutos da 826.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Os corvos andam aí...


Cito a agência Lusa, num comunicado de há poucos dias:

"Centenas de corvos-marinhos, oriundos do Norte da Europa, invadiram nos últimos dias as zonas húmidas do distrito de Coimbra, surgindo em bandos pela manhã junto aos rios Mondego e Ceira."
Não diz a Lusa, mas ouvi dizer, que as pessoas da região andam verdadeiramente assustadas e o caso não é para menos... é sabido como os corvos têm fama de não trazer boas notícias.
Os especialistas já nos vieram sossegar, dizendo que a razão da visita é o Inverno, que também a norte tem sido mais rigoroso do que o habitual, mas o que eu acho é que se juntam os corvos do mundo para o aniversário de Edgar Allan Poe, o "génio macabro", que nasceu faz hoje precisamente 200 anos.

Isto é o que eu acho... mas é capaz de não ser bem verdade porque os corvos de Coimbra parece que são marítimos (Phalacrocorax carbo) e não dos outros, mais perigosos (Corvus corax). Mas lá que é uma coincidência arrepiante, lá isso é...

Aqui mais informação sobre a vida e obra de Poe.
Aqui um quiz sobre o autor (eu descobri que sou completamente ignorante, mas é sempre bom sabê-lo).

Ilustração da Madalena, ainda unpublished (mas não por muito tempo...)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Mais habitantes


Na Ideia (a escola da Sara) inventaram-se outros habitantes para o nosso planeta.
Os deste livro ficaram felizes porque já andavam a pedir vizinhos novos há muito tempo. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Afinal ainda temos algumas...


Durante algumas semanas a agenda do Planeta Tangerina esteve esgotada, impedindo-nos de responder a todos os pedidos. Esta semana conseguimos recuperar alguns exemplares que voltamos a disponibilizar para venda.

Se continuarem interessados, contactem-nos por e-mail.
(E agora apetece-me uma frase comercial, um pouco à moda antiga: Obrigada pela vossa preferência...).

II Prémio Internacional Compostela para Álbuns Ilustrados

O prazo para entrega dos trabalhos foi alargado para 27 de Fevereiro.
O prémio é aliciante: 12.000 € como adiantamento à edição da obra nas línguas peninsulares.
O regulamento pode ser consultado aqui.
Aqui, o vencedor da primeira edição.

Um poema de Manuel António Pina

... a propósito de nada.

É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
que fala com a nossa voz?
É então a isto que chamam "livro",
a este coração (o nosso coração)
dizendo "eu" entre nós e nós?


In Uma Luz de Papel, Edições Eterogémeas, 2007

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Winnie the Pooh está de volta

Depois de Nat King Kole "regressar do túmulo" para cantar um dueto com a filha Nathalie, e de John Lennon, já finado, entrar num filme publicitário a promover portáteis para as crianças do terceiro mundo (acho bem), é agora a vez do ursinho Pooh regressar após 80 anos de interregno.
Os titulares dos direitos da obra aprovaram uma sequela que, segundo os próprios, faz justiça às histórias originais de Winnie-the-Pooh.
O livro será editado no próximo mês de Outubro, em simultâneo em Inglaterra e nos Estados Unidos.

Resta saber o que achariam AA Milne e EH Shepard da ideia...
Mas também depois de todo o merchandising que se gerou à volta das personagens, o que os autores pensariam (ou pensarão) já deve ser completamente irrelevante...
Aqui, mais detalhes.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Um ano em 40 segundos

O Planeta Tangerina já tinha mostrado "O mundo num segundo", mas há agora quem mostre de forma admirável um ano em 40 segundos. Vejam aqui.


One year in 40 seconds from Eirik Solheim on Vimeo.

Via Ponto Media.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Listas

Com a "época das listas" mesmo a chegar ao fim, eis duas referências que muito nos honraram:
A entrada de "O Mundo num Segundo" na selecção de 2008 de José Mário Silva (lista completa no Bibliotecário de Babel) e a escolha de "Um Dia na Praia", por Valter Hugo Mãe, para a sua listagem "20 livros em 2008".

O New York Times também gosta de listas e mostra aqui os 10 melhores álbuns ilustrados para crianças de 2008.

História da Ressurreição do Papagaio






Um papagaio morre inesperadamente ao debruçar-se sobre uma panela fumegante. A sua morte causa tal pena que o mundo inteiro entristece: o céu empalidece, o fogo apaga-se, uma árvore perde as suas folhas...
A meio do livro, os acontecimentos invertem-se e a alegria está de volta pelas mãos de um oleiro hábil que consegue fazer renascer o papagaio.
Eduardo Galeano assina esta história inspirada numa lenda do nordeste brasileiro. Antonio Santos esculpe e pinta em madeira as ilustrações.
O livro é uma edição original da editora espanhola Libros del Zorro Rojo, mas já está publicado em Portugal (sem alterações escandalosas, como tantas vezes ainda sucede) pela Kalandraka.
Pressinto que não tenha dado muito nas vistas (pode ser só um pressentimento...), mas a mim parece-me um livro especial.


Aqui na versão original.
Aqui na versão portuguesa.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Abecedários na Bloc

Está prestes a chegar mais um número da BLOC, a revista sobre arte e literatura infantil dirigida por Xabier P. Docampo.
Depois de um primeiro número dedicado à Fotografia (álbuns ilustrados que usam a fotografia como imagem) e de um segundo sobre as Cidades, a edição da Primavera será dedicada aos Abecedários. A Bloc já foi avisando que entregou a vários ilustradores a tarefa de ilustrar um grande abecedário de personagens da literatura infantil que será apresentado neste número.
Aguardemos pela Primavera para saber mais.

Aqui o site da Bloc.
Aqui o contacto da Bichinho do Conto que representa a revista em Portugal.

A sorte que eu tenho


Os meteorologistas avisaram que vem aí uma vaga de frio, mas não há vento do norte que me assuste. A proteger a minha janela tenho agora um fiel amigo: um cão-guarda-vento em forma de salsicha, talhado, cosido e tricotado pelas mãos da Madalena.
Pois é, tenho mesmo muita sorte...

domingo, 28 de dezembro de 2008

Leo Lionni



Quase podia ser uma história de Natal a de Tico, o pássaro sem asas. Leo Lionni conta-a neste lindíssimo "Tico and the Golden Wings", que reencontrei agora no Books by its Cover.
A história é mais ou menos esta:
"O sonho de Tico é ter um par de asas douradas que o levem longe, até ao cimo das montanhas. Mas no dia em que consegue o que tanto quer, Tico passa a voar sozinho, ignorado pelos amigos.
Nos seus voos solitários, começa então a ajudar as pessoas com quem se cruza, oferecendo, uma por uma, as suas penas de ouro: sempre que oferece uma pena, nasce no seu lugar uma pena escura. E é assim que, um dia, as asas de Tico deixam de ser douradas, para se tornarem negras como tinta da china, iguais às de tantos outros pássaros."


Leo Lionni escreveu e ilustrou esta história em 1964. Provavelmente fê-lo na sua quinta toscana, onde passava a Primavera e o Verão, para regressar a Nova Iorque nos meses mais frios. Era aí, em Itália, rodeado de campo, lagartixas, ratos e sapos que encontrava inspiração para as suas histórias, quase sempre fábulas, escritas e ilustradas de forma exemplar.
Uma das minhas preferidas é a do rato Frederico, editada em Portugal pela Kalandraka e que, pensando bem, tem qualquer coisa de autobiográfico do autor: Frederico é um rato, mas ao contrário dos outros ratos que aproveitam o Verão para recolher alimento para o Inverno, este herói aproveita os dias quentes para armazenar histórias e poesia, com que nos meses frios irá encher os serões dos outros ratos, seus companheiros.


Nascido em 1910, em Amesterdão, Leo Lionni publicou o seu primeiro livro "para crianças" apenas em 1959. Antes de se dedicar à escrita e ilustração, foi professor e director de arte de algumas das maiores agências publicitárias americanas. Influenciado pelos artistas da sua época, foi o primeiro ilustrador a trabalhar para crianças que usou a técnica de colagem nos seus trabalhos (inclusive antes do talvez mais conhecido Eric Carle que, algum tempo depois e encorajado pelo mestre, seguiu as suas pisadas). Leo Lionni defendia a ideia de que os livros para crianças devem ser graficamente ousados e mostrar aos mais novos o que de mais contemporâneo acontece à sua volta. Apesar de ter começado relativamente tarde a sua carreira nesta área, ganhou quatro vezes a medalha Caldecott (e não é de admirar).
Os seus livros são, para mim, verdadeiras pérolas: simples, poéticos, bonitos... o que mais podemos querer?

Na Random House, informação mais completa sobre o artista (vale a pena ler aqui um depoimento seu em resposta à pergunta "onde vai buscar as suas ideias?")
E no site da kalandraka, os livros de Lionni editados em português.

Quase me esquecia: em nome do Planeta Tangerina, boas festas, bom 2009!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

ANORAK, the happy mag for kids

Durante alguns anos o Planeta Tangerina fez uma revista semanal para crianças. Lá dentro trazia jogos, bandas-desenhadas, histórias, passatempos etc, e era inteiramente escrita e desenhada pela equipa da casa.
Com algumas condicionantes, mas ainda assim com alguma liberdade, pensávamos a revista de uma ponta à outra, decidindo temas e secções, construindo jogos, inovando graficamente sempre que possível.
Foi um projecto que nos marcou por todas as razões que possam imaginar (e mais algumas) e, sobretudo, foi um projecto que nos fez sonhar com outros projectos.



Tudo isto para vos falar da Anorak, uma revista inglesa que sai quatro vezes por ano e que recebo agora em minha casa (oferta da "tia" Madalena para o sobrinho Simão).
A Anorak traz tudo o que uma revista para esta faixa etária costuma trazer (jogos, histórias, natureza, tecnologia etc), com a diferença (abismal) de ser escrita e ilustrada por artistas da actualidade.

O resultado não podia ser mais surpreendente. Sobretudo a nível gráfico, a Anorak rompe radicalmente com tudo o que existe para crianças nesta área. Mas não só as ilustrações e lettering surpreendem. Os próprios temas e personagens das histórias são muitas vezes mais bizarros do que conseguiríamos imaginar: a banda-desenhada, por exemplo, é uma espécie de fotonovela, com bonecos de peluche reais fotografados em situações surreais...





A Anorak chega por correio quatro vezes por ano (sai um número por cada estação). Sempro que a folheio, lembro-me da nossa revista antiga e fico cheia de saudades de fazer uma (outra) revista...

Se ainda têm um sobrinho ou afilhado sem presente, vejam aqui como fazer uma assinatura. Vale a pena.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Agasalhem-se...

Dizem-nos para levar gorro, cachecol, casaco de Inverno, sete pares de meias, meias calças (que é como no norte chamam, e bem, aos collants), luvas, mantinha, uma caneca de barro, um pau para a fogueira...
A "lista de material" soa bem, não soa?
Eu gostava imenso de lá estar, no próximo sábado, à noitinha, a ouvir as histórias da Mafalda, da Elsa e do Pedro que organizam no seu "Bichinho do Conto" mais um serão "Contos ao Frio".
Aqui tudo o que é preciso saber para não faltar à chamada.

Eu vou faltar e tenho pena...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O novelo


Vi na loja da Tate uma edição novinha em folha deste livro que tinha sido publicado em 1947 (e que estava esgotado há 60 anos). Nunca tinha ouvido falar desta ilustradora e quando comecei a tentar perceber quem era, descobri um mundo demasiado grande (para a minha ignorância).
As ilustrações são de Francizka Themerson, uma artista, ilustradora, realizadora e editora polaca que era casada com Stefan Themerson, um poeta, escritor, realizador e editor polaco. Aqui pode-se passear pelo arquivo dos Themerson e saber mais sobre a Gaberbocchus Press, a editora que fundaram em 1948.
No ubu podem-se espreitar 3 filmes experimentais realizados pelos Themerson entre 1937 e 1945. 
No Design Observer pode-se folhear um alfabeto filosófico ilustrado por Franciszca Themerson: "The Good Citizen´s Alphabet"

O novelo não acaba (e eu a sentir-me cada vez mais foolish).



terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O Gato da Eva



quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Do arco da velha

Afinal o homem do livro "Um dia na Praia" (aquele que recolhe lixo do mar para construir um barco) existe mesmo. O Bernardo não o conhecia, mas ele andava por aí...


Dizem que as personagens dos livros podem saltar cá para fora, mas neste caso foi ao contrário: um homem saltou de uma praia algarvia para dentro de um livro do Planeta Tangerina.
Este fim-de-semana, numa qualquer livraria, o homem abriu o livro, e viu-se lá dentro, retratado nas páginas. Como dizem os brasileiros: ganhou um susto. A coincidência quase o esmagou. E apressou-se a vir contar-nos o que lhe tinha acontecido (a ele e a nós).
Então foi assim:
No Verão de 2007, António Caló passou 15 dias na praia de Manta Rota, em Tavira. Dedicou-os a recolher lixo do mar e das dunas e a construir uma grande instalação, a que chamou "Uma Grande Máquina a Vapor", sem se decidir se seria um barco ou um comboio. Conta-nos António Caló (no mail que nos enviou esta semana) que ficou estupefacto com a coincidência. E para nos provar que não estava a exagerar mandou-nos quase uma centena de fotografias para que nos juntássemos a ele neste espanto.



Já nos juntámos...
Porque se repararem está lá tudo: as garrafas, o chapéu de sol, o fio que puxa a embarcação, tudo.



Obrigada ao António, muitos parabéns pelo seu trabalho.
Esperamos que a viagem tenha sido boa (porque agora já temos a certeza que, para além do barco, também houve viagem). Podia lá ser de outra maneira...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Aniversário

"Lá abalaram juntos. Mas onde quer que eles vão e o que quer que lhes aconteça no caminho, naquele Lugar Encantado no cimo da Floresta, ficarão para sempre a brincar um rapazinho e o seu Urso."

(Puff e os Seus Amigos, A. A. Milne, tradução de Manuel Grangeio Crespo)

E. H. Shepard (o ilustrador de Winnie the Pooh e do Vento nos Salgueiros) nasceu a 10 de Dezembro de 1879 (contas feitas, foi precisamente há 129 anos).