(a passear-se pelo atelier que fizémos com os nenos de Pontevedra)
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
O raposo
pensa feliz o raposo,
na toca agasalhado
ouvindo o grito da chuva
ampliado pelo tornado.
«Com tão grande ventania
vai à tosquia o folhedo,
caem as maçãs mais cedo...
Amanhã quando for dia
e eu subir ao pomar
cem coelhinhos vou achar
roendo maçãs douradas
às dentadas...
- Bom dia senhor raposo!
- Bom dia, lindos coelhinhos,
tão tenrinhos...
Dá-me mesmo muito gozo
este tempo pavoroso.»
In Fala Bicho, de Violeta Figueiredo, Editorial Caminho, 1999 (Ilustrações de Danuta Wojciechowska)
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Três pássaros numa gaiola

Perigosamente próximo de ser dobrado, pisado, amarrotado, esventrado e sei lá eu que mais, encontrei ontem o fantástico "A tale of three little birds", de Bruno Munari, que trouxe das Palavras Andarilhas. Estava perdido e, imagino, confuso, entre a colecção de livros do quarto do Simão que, como é fácil de imaginar, contém alguns exemplares eventualmente chocantes (mas que fazem parte da vida de um rapaz de quatro anos, nada a fazer). Não reparei bem entre que livros repousava o de Munari mas, na melhor das hipóteses, talvez se encontrasse entre "A Charada da Bicharada" e "A Árvore Generosa", e, na pior, talvez dormitasse desamparado ao lado de uma revista das Winx que eu sei também fazer parte da dita prateleira (pois é...).
"A tale of three little birds" faz parte de uma série de livros pensados e construídos por Munari em 1945: álbuns com grandes imagens, encartes e buracos com muitas formas, que fazem do leitor um explorador que espreita, procura, abre, fecha... e em cada instante descobre a possibilidade de novas leituras.
Neste caso, para além da surpresa no modo como a história é revelada- existem três pequenos livros dentro do livro maior, cada um dedicado a um dos pássaros-, a história é também ela uma surpresa: três pássaros (Chiò, Chià e Chì) partilham uma gaiola em casa de um rapaz chamado Charlie. Conhecemos primeiro a história de Chiò que vivia numa árvore e foi recolhido por Charlie após ter sido atingido por um ramo; depois é a vez de Chià, capturada a meio de uma viagem e que vai parar a uma loja de animais (e mais tarde a casa de Charlie); finalmente a história de Chì, o mais pequeno dos pássaros, e que adivinhamos ser já filho de Chiò e Chià: abrimos o seu pequeno livro e duas frases bastam para recebermos um valente murro no estômago: "I haven't got a story to tell. I was born in a cage."
Munari não brinca. Os seus livros são do mais moderno que já se fez e sempre que os abrimos continuam a surpreender.

Lá em casa, no que diz respeito a livros há os "meus", os "teus" e os "nossos". Este é um dos "nossos", mas cheira-me que vai ficar por mais algum tempo na prateleira dos "só meus"...
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Inchado que nem um perú
Inchado mas não incherido (vai lá ver o que quer dizer esta...).
Uma boa notícia
Através do blogue O Bicho dos Livros, gosto de acompanhá-los nas suas aventuras e observar como são tenazes a enfrentar as dificuldades que tantas vezes encontram nas escolas (pouca motivação dos adolescentes, turmas agitadas etc). O grande interesse do seu blogue é precisamente este: o de partilhar não apenas os aparentes avanços, mas também os obstáculos, escrevendo "preto no branco" a realidade, sem palavras meigas ou adocicadas.
Felizmente, no Bicho dos Livros também há boas notícias.
Num mês frio, com tantas notícias amargas a entrarem-nos pela casa, alegrei-me com esta.
O próximo sonho de António Prole
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Agora é a sério
O arranque parece decidido, não percam o entusiasmo.
O link que aqui deixamos, passa também a estar disponível na nossa barra lateral.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
(quase) Todos os nomes

O Gémeo Luís vai mostrar alguns originais da sua mega colecção de ilustrações.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
La fiera aproxima-se

A Feira de Bolonha não tarda está aí.
Depois de uma visita rápida pelo site, fiquei a saber que a Coreia é o país convidado deste ano, e como já é da tradição, será possível ver em Bolonha alguns dos grandes nomes da ilustração coreana ("Round and Round in a Circle" é o título da exposição que os acolhe).
Cristina Valadas, vencedora do último Prémio Nacional de Ilustração, é a única portuguesa a integrar a Mostra de Ilustração de 2009 e, que eu saiba pela primeira vez, temos também um português entre os elementos do júri: Eduardo Filipe, criador e organizador da Bienal Ilustrarte.
Em relação a prémios, há uma novidade importante: para além dos Prémios "Fiction", "Non Fiction" e "New Horizons" (um reconhecimento especial reservado a publicações de países árabes, africanos, asiáticos e latino-americanos), a organização criou uma nova categoria permanente que distingue primeiras-obras de escritores e ilustradores. Chama-se "Opera Prima" e parece-me uma óptima ideia.
Mais informações no site (onde é possível subscrever uma newsletter para receber actualizações de informação).
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Cuidado com esses indivíduos

Prémios de Edição LER/BOOKTAILORS
O Planeta Tangerina tem dois finalistas na categoria de Melhor Capa de Infanto-juvenil.
"O Mundo num Segundo" e "Coração de Mãe" concorrem agora com a capa de "O Meu Primeiro Álbum de Poesia", com ilustração de Danuta Wojciechowska (o projecto gráfico penso que seja da D. Quixote).
O nosso "capista" de serviço está de parabéns.
As shortlists já apresentadas podem ser consultadas aqui.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Número pouco-redondo

Lewis Carrol nasceu no dia 27 de Janeiro de 1832, há 177 anos (o que no ranking-da-importância- dos-aniversários deve estar lá bem em baixo: notícia era se fizesse 200 anos, ou 150 ou, vá lá, 175). Mas aqui ficam os nossos parabéns (de certeza que, no outro lado do espelho, os 177 estão a ser comemorados com pompa e circunstância).
És mesmo tu?
Sara Figueiredo Costa colocou online o texto já publicado no suplemento Actual do Expresso sobre o nosso "És mesmo tu?".
Permitam-nos esta vaidade...
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Sigam as vossas paixões, diz Zimler

Com alguma pena minha só consegui assistir a "um quarto" do Congresso Internacional de Promoção da Leitura da Gulbenkian. Ainda por cima cheguei atrasada, nessa manhã, e não sobravam já cadeiras livres no auditório principal onde decorriam as comunicações. Foi assim que fui parar a um dos auditórios extra onde é possível assistir, em directo, mas não ao vivo, às comunicações do auditório principal: entrei, procurei uma das poucas cadeiras vazias e sentei-me, esforçando-me por me manter atenta. Mas, não foi fácil.
Para além deste gap com o mundo real proporcionado pela projecção, a cadeira que escolhi não era muito favorável à concentração (o ângulo que formava com o ecrã só me deixava ver as imagens à tangente) e, para dificultar as coisas, as comunicações eram todas em inglês (e eu ainda sou do tempo em que era possível preferir o francês). Depois, confesso, não estava nos meus dias... Resultado: distraí-me, como me distraio tantas vezes em encontros deste tipo.
Tinha a pasta, que a Casa da Leitura simpaticamente disponibilizou, e foi assim que passei a manhã, mergulhando na leitura, para de vez em quando regressar à superfície e escutar o que se dizia (devo dizer que sempre que consegui estar atenta, pareceu-me o conteúdo rico e interessante).
Um dos dossiers entregues pela Casa da Leitura é composto por um conjunto de depoimentos recolhidos junto de leitores, professores, ilustradores, escritores, promotores da leitura, e também fotógrafos, cientistas e livreiros, aos quais foi pedida uma reflexão sobre o tema da própria conferência "Formar Leitores para Ler o Mundo".
Não foi tempo perdido esta leitura e ajudou-me a salvar a manhã...
Gostei especialmente do texto de Richard Zimler, pela sua simplicidade, pragmatismo, e método proposto que me parece, assim à distância, bastante eficaz.
Zimler defende a ideia de que cada leitor tem direito a fazer um percurso, a fazer escolhas e a ter preferências, mesmo que estas nos pareçam "de mau gosto" ou "erradas". Só, assim, seguindo as suas paixões e tendo hipótese de continuar a escolher, é possível chegar à grande literatura.
Aqui ficam alguns excertos:
"Quando os meus alunos me pedem um conselho, o único que lhes dou é: sigam as vossas paixões! Isto significa que eles devem escolher uma profissão e uma forma de vida que os estimule, que os entusiasme a continuar a aprender, que lhes dê o sentido de que estão exactamente onde deveriam estar.(...)
Sinto o mesmo relativamente à leitura. As crianças deveriam ser postas em contacto com uma grande variedade de livros, sobre diferentes assuntos, de amplas e diferentes culturas e deveria ser-lhes permitido escolher os que mais as estimulam e interessam.
Claro que isto significa que poderão escolher livros sobre moda, desporto, mitologia, Hindu em detrimento da Literatura Europeia Clássica. E depois? Eu não penso ser vantajoso obrigar um rapaz ou uma rapariga a ler Camões ou Jane Austen ou Racine (depois de fazer uma exposição inicial sobre estes autores) quando o que eles realmente querem é J. K. Rowling, uma biografia de Pelé ou o último romance de Danielle Steele."
(...)
Dêem aos jovens uma vasta escolha de livros e familiarizem-nos com todas as suas opções. Dêem-lhes uma oportunidade de aprender a amar a leitura, e depois encorajem-nos a seguir as suas paixões. E quando eles forem muitos pequenos, leiam-lhes todas as noites antes de dormir.
Talvez alguns partam de um gosto pela Bd para a mitologia grega, e depois para William Faulkner ou Stendhal. Talvez eles descubram o que faz a grande literatura grande. (...) "
Ilustração: Madalena Matoso
PS: Não assisti à conferência de Peter Hunt, mas felizmente existe a blogosfera. No Jardim Assombrado, Carla Maia de Almeida conta como valeu a pena.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Bom fim-de-semana

Mais um desenho feito pelo Bernardo para o "Congresso Internacional de Promoção da Leitura — Formar Leitores para Ler o Mundo".
Ler o Mundo

Desenho feito pelo Bernardo para o "Congresso Internacional de Promoção da Leitura — Formar Leitores para Ler o Mundo".
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
826 — The magic number

826 é uma associação americana que nasceu da ideia de que "escrever" é a porta para uma vida melhor.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Os corvos andam aí...

Cito a agência Lusa, num comunicado de há poucos dias:
"Centenas de corvos-marinhos, oriundos do Norte da Europa, invadiram nos últimos dias as zonas húmidas do distrito de Coimbra, surgindo em bandos pela manhã junto aos rios Mondego e Ceira."
Não diz a Lusa, mas ouvi dizer, que as pessoas da região andam verdadeiramente assustadas e o caso não é para menos... é sabido como os corvos têm fama de não trazer boas notícias.
Os especialistas já nos vieram sossegar, dizendo que a razão da visita é o Inverno, que também a norte tem sido mais rigoroso do que o habitual, mas o que eu acho é que se juntam os corvos do mundo para o aniversário de Edgar Allan Poe, o "génio macabro", que nasceu faz hoje precisamente 200 anos.
Isto é o que eu acho... mas é capaz de não ser bem verdade porque os corvos de Coimbra parece que são marítimos (Phalacrocorax carbo) e não dos outros, mais perigosos (Corvus corax). Mas lá que é uma coincidência arrepiante, lá isso é...
Aqui mais informação sobre a vida e obra de Poe.
Aqui um quiz sobre o autor (eu descobri que sou completamente ignorante, mas é sempre bom sabê-lo).
Ilustração da Madalena, ainda unpublished (mas não por muito tempo...)
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Afinal ainda temos algumas...
Durante algumas semanas a agenda do Planeta Tangerina esteve esgotada, impedindo-nos de responder a todos os pedidos. Esta semana conseguimos recuperar alguns exemplares que voltamos a disponibilizar para venda.
Se continuarem interessados, contactem-nos por e-mail.
(E agora apetece-me uma frase comercial, um pouco à moda antiga: Obrigada pela vossa preferência...).
II Prémio Internacional Compostela para Álbuns Ilustrados
O prémio é aliciante: 12.000 € como adiantamento à edição da obra nas línguas peninsulares.
O regulamento pode ser consultado aqui.
Aqui, o vencedor da primeira edição.
Um poema de Manuel António Pina
É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
que fala com a nossa voz?
É então a isto que chamam "livro",
a este coração (o nosso coração)
dizendo "eu" entre nós e nós?
In Uma Luz de Papel, Edições Eterogémeas, 2007
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Winnie the Pooh está de volta
Os titulares dos direitos da obra aprovaram uma sequela que, segundo os próprios, faz justiça às histórias originais de Winnie-the-Pooh.
O livro será editado no próximo mês de Outubro, em simultâneo em Inglaterra e nos Estados Unidos.
Resta saber o que achariam AA Milne e EH Shepard da ideia...
Mas também depois de todo o merchandising que se gerou à volta das personagens, o que os autores pensariam (ou pensarão) já deve ser completamente irrelevante...
Aqui, mais detalhes.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Um ano em 40 segundos
One year in 40 seconds from Eirik Solheim on Vimeo.
Via Ponto Media.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Listas
A entrada de "O Mundo num Segundo" na selecção de 2008 de José Mário Silva (lista completa no Bibliotecário de Babel) e a escolha de "Um Dia na Praia", por Valter Hugo Mãe, para a sua listagem "20 livros em 2008".
O New York Times também gosta de listas e mostra aqui os 10 melhores álbuns ilustrados para crianças de 2008.
História da Ressurreição do Papagaio



Um papagaio morre inesperadamente ao debruçar-se sobre uma panela fumegante. A sua morte causa tal pena que o mundo inteiro entristece: o céu empalidece, o fogo apaga-se, uma árvore perde as suas folhas...
A meio do livro, os acontecimentos invertem-se e a alegria está de volta pelas mãos de um oleiro hábil que consegue fazer renascer o papagaio.
Eduardo Galeano assina esta história inspirada numa lenda do nordeste brasileiro. Antonio Santos esculpe e pinta em madeira as ilustrações.
O livro é uma edição original da editora espanhola Libros del Zorro Rojo, mas já está publicado em Portugal (sem alterações escandalosas, como tantas vezes ainda sucede) pela Kalandraka.
Pressinto que não tenha dado muito nas vistas (pode ser só um pressentimento...), mas a mim parece-me um livro especial.

Aqui na versão original.
Aqui na versão portuguesa.





