quinta-feira, 30 de abril de 2009

Os livros novos (parte II)

Sobre o "Andar por aí":

Andar por aí é ir ao encontro do mundo.
É saborear as pequenas coisas, as pequenas descobertas.
O rapaz deste livro costuma andar por aí com o seu avô.
Não se trata de um passeio na companhia um do outro, mas de algo bem diferente: o avô vai sempre à frente, entretido com os seus afazeres; o rapaz vai mais atrás, ocupado com tudo o que vai encontrando pelo caminho.
Sejam montes de areia, pedras, minhocas ou poças de chuva, para o rapaz tudo é motivo de interesse, motivo de paragem e espanto.
Vai quase sozinho, o rapaz, aquele quase-sozinho que nos faz sentir seguros, mas livres: «Dou passos grandes, passos pequeninos, arrasto os pés pelo chão, dou dez voltas ao sinal proibido, conto os pinos do passeio e, quando chego ao 23, digo, contente: “Já são mais do que os meninos da minha sala”».






Sobre "As Duas Estradas":

A estrada antiga e a estrada nova.
Dois caminhos possíveis para chegar ao mesmo destino.
Duas viagens quase paralelas, cada uma com as suas peripécias.
Quem andou mais quilómetros?
Quem chegou mais depressa?
Quem encontrou mais surpresas?
Quem ficou mais cansado?
Quem aproveitou melhor o tempo?
Quem nem deu pelo tempo passar?
Quem enjoou pelo caminho?
Quem chegou “num tirinho”?

As respostas encontram-se estrada fora.
Apertem os cintos, vamos lá arrancar...




Os livros novos (parte I)

São sempre emocionantes os posts em que se anunciam livros novos.
Eis então as duas novidades editoriais da temporada (são duas e não três como as imagens parecem anunciar).







Feira do Livro: E-I-12

Vamos estar na Feira do Livro de Lisboa, como já é costume representados pelo simpático e super eficiente Sr. Fernando Castro, da empresa Prodidactico.
Se quiserem fazer-nos uma visita, sigam as indicações:
De costas viradas para o Marquês, estamos no corredor mais à direita, na fila do meio, do lado esquerdo. Se começarem a contar pavilhões desde a rotunda, estamos, mais coisa menos coisa, na 9.ª fila de pavilhões.

Para quem gosta de coordenadas mais concretas, disseram-me que a identificação do nosso pavilhão é a seguinte "E- I- 12". Não sei o que significam as letras nem o número, mas in loco este código deve ser bastante útil.

Este ano teremos duas novidades na feira e teremos, pela primeira vez, uma promoção Planeta Tangerina.
Não é um compre 1, leve 2... mas é uma oportunidade simpática.

Dizem as previsões que vai estar um fim-de-semana bonito, por isso aproveitem para "enfeirar"... Boas compras.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Prémio Nacional de Ilustração



Penso que o fax com as boas notícias já terá chegado a algumas redacções (graças a Deus, porque eu já não aguentava guardar uma boa notícia destas por muito mais tempo): a Madalena, a nossa Madalena, de nome artístico Madalena Matoso, ganhou a 13.ª edição do Prémio Nacional de Ilustração, com o livro "A Charada da Bicharada" da Texto Editora, com textos de Alice Vieira.





O júri atribuiu ainda uma Menção Especial ao livro "O Cuquedo" da Livros Horizonte, com ilustração de Paulo Galindro e texto de Clara Cunha e ao livro "És Mesmo Tu?", do Planeta Tangerina, com ilustrações de Bernardo Carvalho e textos de Isabel Minhós Martins (moi même).





Parabéns a todos os ilustradores premiados. À Madalena, aquele abraço...

Adenda
Só agora descobri a lista de ilustradores e respectivos trabalhos que também merceram uma menção do júri. Aqui fica:

Afonso Cruz, "Histórias de Reis e Princesas", Asa.
Bernardo Carvalho, "Um Dia na Praia", Planeta Tangerina.
Danuta Wojciechowska, "O que se vê no ABC", Caminho.
Inês Oliveira, "Milagre de Natal", Civilização.
Luís Henriques, "Sabes, Maria, o Pai Natal não existe", Caminho.
Madalena Matoso, "Trava-Línguas", Planeta Tangerina.
Rachel Caiano, "A Casa de Férias, Histórias do Senhor Valéry", Caminho.
Teresa Lima, "Lá de cima cá de baixo", Gailivro.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Uma boa conversa


É uma escola escondida, discreta, ali numa rua estreita de um bairro de Cascais.
Fiquei espantada porque achei-a muito silenciosa...
Mas ainda estarão de férias? Será que me enganei no dia?
Mas não, era mesmo assim: era mesmo uma escola calma, normal, no melhor sentido que a palavra pode ter.
E como as aulas tinham já começado e era segunda-feira de manhã, a escola acordava devagarinho, sem pressas, dando tempo ao tempo...
Levei uma caixa cheia de livros do Planeta Tangerina e estivemos a conversar um bom bocado.

Sobre o corpo de um livro: tem rosto, costas, barriga?
Será que respira? Será que sufoca se não o abrimos para apanhar ar?

Foi uma boa conversa, sem silêncios envergonhados, nem atropelos muito eléctricos.
No final, os meninos da escola n.º 4 de Cascais ofereceram ao Planeta Tangerina alguns desenhos. Explicaram que estiveram a falar sobre os trabalho dos escritores e dos ilustradores.
Aqui ficam alguns:



sexta-feira, 24 de abril de 2009

Só mais um bocadinho de Zaid

Não resisto a mais este excerto. Zaid fala aqui da desconfiança de Sócrates (o filósofo) em relação aos livros, e de como este considerava a palavra viva (oral) milhares de vezes mais interessante do que a leitura. Zaid dá razão a Sócrates, mas contrapõe dizendo que os livros podem ser formas de animar esse diálogo. Leiam, leiam…

Graças aos livros, sabemos que Sócrates desconfiava dos livros. Comparava-os com a conversação e achava-os insuficientes. Dizia a Fedro que a escrita é um simulacro da fala que parece muito útil para a memória, o saber, a imaginação, mas que acaba por ser contraproducente. As pessoas confiam nela e não desenvolvem as suas próprias capacidades. Pior: chegam a acreditar que sabem alguma coisa porque têm livros.
A conversação depende dos interlocutores: quem são, o que sabem, o que lhes interessa, o que acabam de dizer. Ao invés, os livros são monólogos desconsiderados: ignoram as cirscunstâncias em que são lidos. Repetem sempre o mesmo sem ter em conta o leitor; não escutam as suas perguntas nem as suas réplicas.(...)
Em resumo: a inteligência, a experiência, a vida criativa desenvolvem-se e reproduzem-se através da palavra viva, não da letra morta. (…)
Mas o texto, planta seca da fala, não tem de suplantá-la. Pode servir-lhe de esteio ou fertilizante. Pode ser matéria morta que sufoca a vida ou que a favorece: texto que aniquila ou vivifica. O importante é não perder de vista o que deve estar ao serviço de quê. Tendo isto presente, podemos aceitar a crítica de Sócrates e sair em defesa do livro “Tens razão: os livros são texto morto se não favorecem a animação da vida. Tens razão: quando acontece o milagre da vida inspirada, seria ridículo preferir os livros. Mas já não dispomos do ócio das tardes livres em Atenas. E o simulacro da vida inspirada que existe nos grandes livros parece ser mais do que um simulacro: parece vida, inspiração latente à espera de reanimação(…).”
(…)

Cultura é conversação. Mas escrever, ler, editar, imprimir, distribuir, catalogar, criticar podem ser lenha para o fogo dessa conversação, formas de animá-la. Até se pode dizer que publicar um livro é colocá-lo no meio de uma conversação; que organizar uma editora, uma livraria, uma biblioteca é organizar uma conversação. Uma conversação que nasce, como deve ser, da tertúlia local; mas que se abre, como deve ser, a todos os lugares e a todos os tempos.


Livros de mais, Ler e publicar na era da abundância, Gabriel Zaid, Temas e Debates, 2008

Livros de mais?

Estou sempre a dizer que sim. Que há demasiados livros e livros demasiados maus.
Já cheguei a sentir tonturas ao caminhar por entre os corredores de algumas livrarias, verdadeira barata tonta incapaz de encontrar o que procura, incapaz de perceber o porquê de tamanha invasão.
Vocifero muitas vezes. Não tanto contra os que escrevem e ilustram, mais contra alguns dos que editam, personagens do mundo dos livros que se recusam a cumprir o seu papel: o de saber distinguir, escolher, dizer “não” as vezes que forem precisas, e também o de descobrir valor, melhorar, ajudar a construir.

Mas desde a semana passada, quando comecei a ler “Livros de mais”, do mexicano Gabriel Zaid, tenho conseguido ver “a coisa” de vários outros prismas. Há neste livro muito mais do que este meu olhar um pouco primitivo sobre a questão do excesso de livros ou, como diz Zaid, da abundância. O livro é tão fabuloso que não tem apenas uma ou duas passagens que dão vontade de sublinhar, mas muitas páginas seguidas, todas elas muito interessantes.
Diz Zaid que “há uma tradição carpideira por parte da gente do mundo dos livros (autores e leitores, editores e livreiros, bibliotecários e professores), uma tendência para se queixarem até do bom tempo, que faz ver como desgraça o que na realidade é uma bênção: a economia do livro ― ao contrário da economia do jornal diário, do cinema, da televisão ― é viável em pequena escala”. Depois prossegue dizendo que “à medida que uma sociedade se torna mais populosa, mais rica, mais escolarizada, publica mais títulos com pouca venda: aumenta a variedade de especialidades e interesses, e torna-se mais fácil reunir alguns milhares de leitores interessados em algo muito particular (…)".
Uns capítulos mais adiante, Zaid põe o dedo na ferida, ao falar da distribuição: “Como fazer, então, sem ser adivinho, para que cada exemplar esteja no lugar e momento certos para o seu leitor? Eis o problema― cujas respostas falhadas são decepcionantes para o editor, o livreiro, o leitor, o autor. Coloque um exemplar aqui, nenhum acolá; decida se deve (ou não) voltar a encomendar, depois de o exemplar ser vendido, e se deve devolver (ou não) o exemplar que não se vendeu. Multiplique estas decisões pelos milhares de títulos e milhares de pontos de vendas e chega à situação habitual: um desastre ― aqui um exemplar não encontrou o seu leitor, acolá um leitor não encontrou o seu livro. (…) Os cientistas chamam a isto um modelo «estocástico» ― um nome elegante para o caos.”

Para quem se interessa por livros e edição (e também para quem, como eu, costuma vociferar) este é um livro imprescindível. Sem palha, bem escrito, provocador.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Os chefs foram às escolas


Ainda tínhamos as mãos na massa quando falámos aqui de "O Chef vai à Escola", o projecto que levou às escolas do 1.º Ciclo de Cascais uma dúzia de chefs profissionais que, por um dia, deram às refeições escolares do concelho um toque gourmet diferente do habitual.

Entretanto passaram alguns meses, os chef's convidados já mostraram o que valiam. Muitas vezes acompanhados pelas respectivas equipas, cozinharam para professores e alunos, propondo sabores e técnicas culinárias novas, pratos simples ou mais complicados, conforme o estilo de cada um. Em quase todos os casos, os chefs trabalharam também com as funcionárias das cantinas, senhoras anónimas, por vezes apenas duas por escola, que todos os dias cozinham sopa, prato e sobremesa para centenas de crianças. Souberam integrá-las nas suas equipas, ensinar e também aprender.
Enquanto vigiavam a cozedura nas panelas e orquestravam a ordem de entrada dos temperos, os chefs conversaram com os grupos de crianças que vieram até às cozinhas: alguns falaram de comida rápida, outros dos sabores únicos da cozinha portuguesa; alguns aproveitaram para fazer inquéritos (quantas vezes por mês vão ao McDonald's?), outros para "vender" o sabor do peixe, das frutas e legumes. Os alunos também perguntaram: se para ser chef era preciso tirar um curso, se gostavam mais de doces ou salgados, se era muito cansativo.

O Planeta tangerina teve o privilégio de acompanhar estas visitas: de perguntar, observar e fotografar para, com todo este material, construir um livro que começará hoje a ser distribuído pelas famílias. O livro não é apenas um livro-memória do projecto, mas espera-se que venha a ser também um livro útil para quem tem de cozinhar todos os dias: contém receitas, dicas para uma alimentação mais saudável, conselhos para as idas às compras, ideias para refeições "rápidas, saudáveis e económicas". Um 3 em 1, que mãe, pais, avós desejam todos os dias concretizar.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Cidades invisíveis na Trama

A propósito do Dia do Mundial do livro, a Associação Cultural Respigarte e a Livraria Trama partem à descoberta dos caminhos, dos becos e das pontes que existem entre os leitores e os livros.

"(...) Cada livro é um edifício, uma construção no leitor. A cada nova leitura vai-se formando um bairro, com largas avenidas, becos estreitos, pontes, jardins. Como se arquitecta esta cidade invisível? Qual o percurso do leitor, de que modo passa de uma construção para outra e, acima de tudo, como se relaciona a nossa cidade com a cidade do leitor ao nosso lado. Queremos saber qual o ponto de encontro, que caminhos se usaram para chegar a Roma. Todos são possíveis, como se sabe.(...) "

Escritores, músicos, tradutores, editores, encenadores e leitores falarão das suas Cidades Invisíveis.
Diana Mascarenhas desenha ao vivo o mapa desta imensa cidade.
Rosa Azevedo modera.
Os convidados são: Jorge Silva Melo, Pedro Vieira, Francisca Cortesão, Abel Barros Baptista, Jorge Fallorca, Luís Filipe Cristóvão, José Mário Silva (e outros por anunciar).

O programa pode ser seguido em estórias com livros e no blog da livraria Trama.

A Imagem do Conto

É um novo blogue, do lado de lá do Atlântico e parece bem legal.
Mamãe escreve, o filho ilustra, cada semana um conto novo, cada semana uma nova ilustração:

Eu me propus a escrever. Ele se propôs a ilustrar. Eu entendo pouco da arte de ilustrar. Ele disse que quase nada entende da arte de escrever. Eu gosto é da palavra. E ele do traço. Então ficamos assim: você acha a palavra e eu encontro o traço. Tudo bem! E o que vem primeiro, palavra ou traço? Palavra. Você conta o conto. Eu ilustro o conto. Mas quem conta um conto aumenta um ponto! E qual é a função de um conto senão agregar mais pontos? Quantos mais pontos, mais lidos os contos.
E assim ficamos eu, ele e o projeto “A IMAGEM DO CONTO”. Aqui, o visitante encontrará, todas as semanas, um novo conto. De antemão, um aviso: sou extremamente cotidiana. Feito comida no prato. Ele? Ah! Ele eu não sei, minha função é de escrever. A dele, a de me surpreender. Pois não é que sempre ele encontra um jeito novo de contar as minhas palavras? Eu sou eu no texto. Ele é ele nas ilustrações. Como ele mesmo já me escreveu: “... o caminho de quem desenha não coincide – visto ser paralelo – com o de quem escreve, deve o ilustrador emprestar à obra a parte da sua alma que lhe pertence."
E assim, ficamos nós: eu, ele e você, nosso visitante. As palavras são parte da minha alma. Os desenhos, parte da alma do ilustrador. Cabe a você que nos visita acrescentar parte da sua alma neste site."

Tânia Colares – mãe e escritora

Frederico Rocha – filho e ilustrador

Mamãe e filho moram aqui mesmo (esta semana publicaram "Matilda"):
http://aimagemdoconto.blogspot.com/

Faça você mesmo

Parecem as guardas do livro "A Grande Invasão", mas afinal é só uma piada.
Diz assim: parece que o IKEA comprou a General Motors e que vai vender carros já a partir do próximo Verão.


sexta-feira, 17 de abril de 2009

Stop and Hear the Music

Mandaram-me isto por e-mail e fiquei fascinada com a experiência:

"O tipo desce na estação de metro de NY vestindo jeans, t-shirt e boné, encosta-se próximo da entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que por ali passa, bem na "rush hour" matinal.
Durante os 45 minutos que tocou o instrumento, foi praticamente ignorado pelos transeuntes. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, que executava peças consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.
Alguns dias antes Bell tocara no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a “bagatela” de 1000 dólares.
A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar rápido, copo de café na mão, telemóvel ao ouvido, indiferentes ao som do violino.
A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.

Conclusão:
Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefacto de luxo sem etiqueta de glamour.
Houve somente uma mulher a reconhecê-lo...

O vídeo da apresentação no metro está no You Tube:
http://www.youtube.com/watch?v=hnOPu0_YWhw "

Transcrevo tal qual como recebi. Vale a pena ver e ouvir.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O Grande Jardim

No dia 21 de Março, nos jardins da Gulbenkian, pais, filhos, enteados, irmãos, primos, amigos e desconhecidos (que passaram a conhecidos) juntaram-se à volta de silhuetas de animais em cartão e inventaram criaturas fantásticas, bonitas e vivas.

Aqui ficam alguns resultados (é impossível escolher entre os animais deste grande jardim. Estes são alguns dos que se deixaram fotografar).





No fim, juntaram-se todos os bichos e apareceram outros bichos-surpresa.

As fotografias são do Saul de Carvalho (obrigada!). E há mais para ver no blog da Vanda Vilela da Associação Traços na Paisagem.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Tarda mas não falha

Ao fim de muitos meses, tivemos o primeiro ataque terrorista no blogue.
Um tal de Ed (desconfiamos que seja alguém de origem nipónica, mas já interrogámos a Yara e não foi ela), fez o favor de nos enviar um comentário de conteúdo duvidoso para alguns dos posts já colocados no blogue. Dizem as mais línguas que pela primeira vez temos links interessantes a propôr, mas por acaso acho que não. Isto é uma casa respeitável, ora.
Pedimos desculpa por tanta ordinarice e avisamos (inclusive o engraçadinho, pode ser que ele compreenda algum português...) que estamos a tentar travar a invasão.
Os nossos gentis visitantes terão, a partir de agora, que passar por uma operação de verificação de palavras sempre que comentarem.
"Diz que assim se apanha menos spam", vamos ver...

terça-feira, 7 de abril de 2009

Alô Évora, daqui Planeta Tangerina...

A semana passada fomos até Évora, a convite do Externato Infanta D. Maria que organizou uma semana inteira de comemorações em torno do Dia do Livro Infantil.
Apesar de conhecermos o entusiasmo da Margarida e da Cristina (as educadoras que nos convidaram), não podíamos adivinhar a experiência incrível que nos esperava: uma homenagem com H maiúsculo aos livros do Planeta Tangerina.

Aqui ficam algumas imagens, entre as dezenas que trouxemos de Évora:



O Planeta Tangerina imaginado pelos meninos da sala da Margarida.

A nova versão de “Um livro para todos os Dias” com o título “O Livro dos Dias dos Mais Novos”. Nesta página: "Há dias em que nos apetece pão com manteiga... e outros em que nos apetece pão com marmelada".


O livro “Quando eu Nasci” recriado pelos meninos da sala da Cristina. Cada dupla página foi re-ilustrada com trabalhos sobre os 5 sentidos. Esta é a página sobre as cores.


O barco construído com embalagens inspirado na construção de “Um Dia na Praia”.


Toda a escola a ouvir a história de “O Meu Vizinho é Um Cão”...


E ainda... a ementa da semana do livro cheia de petiscos literários.

Os livros do Planeta Tangerina foram apenas alguns dos muitos livros trabalhados por esta escola. A Cristina e a Margarida conhecem de fio a pavio o catálogo completo de várias editoras. E, como adoram livros, é fácil de prever como os meninos com quem estão todos os dias também acabam por gostar.


Obrigada por este dia.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

E no dia 2...









terça-feira, 31 de março de 2009

O Farol de Sonhos está de volta



Serigrafias inéditas criadas a partir das ilustrações dos livros "Um Dia na Praia" e "O Meu Vizinho é Um Cão".
Para ver a partir de 5.ª feira, 2 de Abril, na Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana (Cascais). A inauguração será neste dia, às 18.30. Apareçam!

Clicar na imagem para aumentar.

Sala de Caça


A Leonor Pêgo inaugura também no dia 2 (mas às 9.30 da noite) a exposição "Sala de Caça - Instalação/Desenho".

É na Galeria Municipal Lagar de Azeite em Oeiras (Rua do Aqueduto, Palácio Marquês de Pombal, Oeiras.)

Pai e Mãe em Silves



O mês que aí vem parece ser rico em exposições, mostras, exibições...

Na Bilioteca Municipal de Silves, inaugura amanhã (dia 1) uma exposição de ilustrações dos livros "Coração de Mãe" e "Pê de Pai".

A exposição estará patente até dia 30 de Abril e haverá visitas guiadas e animações de leitura baseadas neste par de livros.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Para mim novo, novo... foram os checos


Quando vamos a Bolonha há sempre um país, uma editora ou uma maneira nova de pensar os livros que marcam mais a nossa visita.
Já foram os franceses (e continuam a ser).
Já foram os coreanos e os japoneses.
Já foram os álbuns “duros” para crianças com temas difíceis, complicados.
Já foram os indianos (o ano passado com os fantásticos livros da Tara Publishing).
E tantos outros.
Cada pessoa terá as suas revelações, em diferentes tempos, muitas vezes com décadas de atraso em relação ao “colega do lado”, porque os percursos de descoberta são mesmo muito pessoais, com pano que dá para mangas e mangas de conversa...
As mesmas pessoas podem ter acesso aos mesmos livros, mas o impulso que as faz, num dado momento, esticar o braço para um livro e não para outro, é mesmo isso — um impulso, coisa que vem de dentro, resultado da combinação de muitas e variadas forças.

Este ano, uma das grandes revelações da feira foram para mim as edições da República Checa. Não conheço bem a história deste país na área da edição infantil, mas, pelo que oiço, aqui e ali, de gente mais entendida, pressinto-a rica, com uma já longa tradição, que trouxe até nós, por exemplo, o trabalho de Kveta Pacovska. Os checos andaram durante algumas décadas meio adormecidos, um pouco decadentes até, mas nos últimos anos uma série de novas editoras e autores vieram trazer um novo fôlego à edição.
Em Bolonha, o stand checo era um bom exemplo de como um país se pode juntar e facilmente apresentar os seus trunfos, aposto que sem serem precisos muitos milhares de euros. A exposição “16 figs — New Czech Illustrations From the Last Decade” apresentava 16 expositores verticais, cada um com a fotografia em grande formato de um ilustrador e alguns exemplares, disponíveis para serem folheados, dos respectivos livros. Para além do trabalho de ilustração de grande qualidade, sobressaía o cuidado ao nível dos materiais e acabamentos: papeis diferentes, novas texturas, capas, sobrecapas e guardas elegantemente vestidas, muitas vezes em tecido, revelando um trabalho especial na construção do livro como objecto que se toca e tacteia.
O lado racional só pensa “ como deve ser cara a produção...”.
Mas o outro lado, o tal dos instintos, só pensa “é tão perfeito, quero levar isto para casa já”.


Para descobrir aqui a extraordinária Baobab, editora checa que trabalha com as novas gerações de autores.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Bolonha em três passos

Bolonha 1
Há dias em que a feira dá literalmente cabo de nós.
Não são só os olhos e a cabeça (porque os olhos, espertos, vão despejando tudo para dentro cabeça), mas também as pernas e os pés. Dentro da feira, percorremos quilómetros de corredores, perdemo-nos entre pavilhões, saltamos de país em país, sempre andando feitos loucos. Esmagam-nos tantas hipóteses e esmaga-nos também o medo de perder qualquer revelação fantástica, ali tão perto, ao virar da esquina, misturada com milhões de outras coisas.
E o problema é que depois saímos e a viagem continua.

Bolonha 2
Como de costume, andámos quilómetros sob as arcadas da cidade.
Roupas, sapatos e maquilhagem a passarem ao nosso lado, e os pés avançando incansáveis: a caminho da livraria Stoppani, a caminho do pequeno-almoço, a caminho da paragem do autocarro que nos leva à feira, de regresso à Stoppani, ao café, à exposição, e finalmente ao quarto, as pernas cansadas, três quilos de livros em cada mão.
As arcadas de Bolonha têm um efeito quase hipnótico: cansados, é fácil entrarmos naquele ritmo marcado pelas colunas de um lado, as lojas do outro. Cansados, podemos perder-nos durante horas, sem dar por nada, entregues ao ritmo das colunas e das lojas, ora à esquerda ora à direita, conforme subimos ou descemos as ruas.

Bolonha 3
Tenho impressão de carregar nas pontas dos dedos centenas de livros. Mas tenho também a impressão de só ter visto a décima parte de um milésimo de tudo o que havia para ver.
Já ordenei aos meus olhos que fossem calmos, menos ansiosos, quando se trata de livros. Os ensinamentos de ioga têm surtido alguns efeitos, mas ainda tenho muito que aprender.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Não estranhem...

Se não atendermos o telefone.
Se não respondermos aos e-mails.
Se não abrirmos a porta a ninguém.

Até à próxima quinta-feira estaremos em Bolonha, na Feira do Livro Infantil.
A Cristina estará por cá, a tomar conta da casa e a atender recados urgentes.

Boa semana para todos.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Uma festa mesmo à porta


A Primavera está quase a chegar e para lhe dar as boas vindas vai haver no próximo sábado, nos Jardins da Gulbenkian, a "Festa do Desenho e Paisagem".

O programa diz assim:
"6 oficinas a decorrer ao mesmo tempo em diferentes locais do jardim.
Para todos os que gostam de desenhar, para todos os que nunca experimentaram e para aqueles que querem descobrir novos caminhos, desenhando."

A entrada é livre, é uma festa para todas as idades mas as oficinas têm uma lotação máxima (definida de acordo com a estrutura e capacidade de cada atelier).

Todas as informações estão disponíveis no site da Gulbenkian e no site da Associação Traços na Paisagem.

Aconteceu no Paquistão


A história começa no dia em que Greg Mortensen, enfermeiro de profissão e alpinista de coração, se perde nas montanhas do Paquistão após uma tentativa falhada de escalar o K2, o segundo pico mais alto do mundo.

Exausto e desorientado, Mortensen vagueia pelas montanhas paquistanesas até avistar Korphe, uma pequena aldeia perdida no mapa, onde é recebido e ajudado pela população.
Enquanto recupera, Mortensen apercebe-se de que a aldeia é tão pobre que nem sequer há uma escola ou dinheiro para pagar a um professor. As cerca de 80 crianças de Korphe têm aulas ao ar livre, à chuva e ao sol, e Mortensen promete a si mesmo fazer alguma coisa para as ajudar.

São comuns, entre viajantes de países abastados, estas promessas... São ainda mais comuns os esquecimentos, mal se aterra em solo desenvolvido e se afunda o rabo num sofá bem confortável. Por isso é que esta história é diferente e merece ser contada: Mortensen não esqueceu a promessa e iniciou uma campanha de recolha de fundos para construir a escola de Korphe. Conseguiu o dinheiro, construiu-se a escola e a história até podia ter acabado aqui (e já não seria nada má). Acontece que Mortensen se entusiasmou com a filantropia e, depois desta escola, seguiram-se muitas outras, até serem hoje cerca de 80, erguidas entre o Afeganistão e o Paquistão e contribuindo para a educação de 28.000 crianças (entre elas 18.000 raparigas que nunca tinham ido à escola).

Mortensen contou a sua história num livro "para adultos" a que chamou "Three cups of tea". Não é o meu género de livro, i must say. Mas este "Listen to the wind" que faz a adaptação desta mesma história para crianças, chamou a minha atenção.
Apesar do grafismo duvidoso, que contamina o belo trabalho de ilustração de Susan L. Roth, a história é bonita e encerra uma bela lição.
A crítica aos livros de Mortensen (versão para adultos, jovens e crianças) está agora disponível no site do NYTimes (onde se contam também mais pormenores sobre esta história).
Já agora aproveitem para reparar como é uma crítica completa, mostrando os aspectos positivos e negativos das várias versões, o que funciona e o que não funciona, o que até podia ser uma boa ideia e se torna excessivo. Gostei de ler.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Eric Carle, by himself

"I often joke that with a novel you start out with a 35-word idea and you build out to 35,000 words. With a children's book you have a 35,000-word idea and you reduce it to 35. That's an exaggeration, but that's what's taking place with picture books."

"I cannot do a book that says market research has found that three-year-old girls like the colour red or that boys like tractors. I've been asked so many times to do a tractor book. I could do a tractor book. But I don't know how to do tractors."

(sobre o pai) "When I was little, from the beginning, he read the funny papers to me, told me stories, drew pictures, went for walks. Telling stories and walking and stopping and looking; nothing terribly important. But that has been so important in my life. The older I get, the more I know that's so true."

Eric Carle, a estrela rock da literatura para crianças, em entrevista ao jornal The Guardian.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Index


Na Index, está a decorrer uma exposição de ilustração (com originais de Cristina Valadas, Marta Madureira, Elisabete Ferreira e meus).

Eu tenho lá dois desenhos que fiz para um livro (ainda inédito) sobre o Vitorino Nemésio.
Na imagem de cima (pormenor de uma das ilustrações), podemos ver Genuína Baganha, uma criada da casa das Tias Menezes a dar sopas de leite ao Vitorino-menino, e a quem o Vitorino-crescido dedicou os seguintes versos:

"A Genuína Baganha
Foi servir pra nossa casa:
Criou-me como melrinho
Debaixo da sua asa!

Dava-me sopas de leite
Cantando-me uma cantiga:
‘O menino nã nas come?
Nã nas acha na barriga!’"

Uma curiosidade: a cadeirinha foi desenhada a partir de uma fotografia da cadeira verdadeira que está na Casa Museu Vitorino Nemésio na Praia da Vitória. 
Obrigada à Leonor pela foto! 

quinta-feira, 12 de março de 2009

A cabana de Roald Dahl

Seguindo o mapa deixado no blogue O Livro Infantil, cheguei facilmente à cabana secreta de Roald Dahl. Foi neste espaço, construído nas traseiras do seu jardim, que Dahl escreveu dezenas de livros para crianças, não permitindo que ninguém entrasse, nem sequer para fazer limpezas.
Podemos ver o cadeirão de Dahl e, logo em frente, a mesinha de apoio forrada a tecido de feltro, onde costumava escrever. Se abrirmos a caixa de informação correspondente, ficamos a saber que Dahl tinha por hábito escovar esta mesa, muitas vezes suja de restos de borracha, antes de começar a trabalhar. Outro hábito do escritor: afiar os seis lápis de carvão amarelos, que também lá estão, dentro de uma caneca de loiça, ao lado do cadeirão.
Junto aos lápis, outros objectos intrigantes cuja história rapidamente conhecemos: a cabeça do fémur do escritor, retirada por um cirugião que diz ter sido a maior por ele já vista, restos da espinhal medula de Dahl, uma baleia esculpida em osso de baleia...
Impressionante o que nos traz a internet com meia dúzia de passos. O espaço íntimo de um escritor, a possibilidade de espreitar os papéis que se amontoam no seu caixote do lixo ou de quase tocar a almofada onde pousava os pés enquanto escrevia.

Para entrar na cabana, siga por aqui até encontrar uma porta de madeira amarela.
Se lhe cheirar a rosas, é porque já não está longe...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Propostas do Planeta Tangerina

Com o aproximar do Dia do Pai começam a chegar-nos alguns convites para visitarmos escolas e bibliotecas interessadas em explorar nesta "época" o livro "Pê de Pai".
Com alguma pena nossa, não podemos aceitar todos os convites (aquela conversa das formiguinhas que trabalham com afinco não é nenhuma ficção)...

No entanto, não queríamos deixar de colaborar, lembrando a educadores, professores, bibliotecários e pais que estão disponíveis no site do Planeta Tangerina algumas propostas de actividades para realizar com as crianças em torno deste livro.

Resta-nos desejar-vos bom trabalho... para regressarmos, também nós, ao trabalho já de seguida.
Os PDF's com as propostas podem ser descarregados aqui.