sexta-feira, 29 de maio de 2009

Externato Infanta D. Maria


Do Externato Infanta D. Maria, em Évora, recebemos estas fotografias extraordinárias. O "Coração de Mãe" foi explorado através de um jogo. Diz a educadora Margarida Junça: "fizemos corações em cartão onde colocámos a história, página a página. Depois, atrás de cada coração colocámos uma caixa". O objectivo do jogo era colocar na caixa o objecto correspondente a cada frase. O jogo foi feito com as mães, no Dia da Mãe.




Já agora, saibam que esta escola já tem um blogue. Aqui fica o endereço: http://www.externatoinfdmaria.blogspot.com/

Externato Abelhinha

Com algum atraso, publicamos hoje alguns trabalhos que temos recebido das escolas. Primeiro, os desenhos feitos partir do livro "Pê de Pai", pelos meninos do Externato Abelhinha (Costa da Caparica) onde fomos muito bem recebidos.






Seguindo a ordem: Pai carrossel; Pai às cavalitas; Pai-vira-cu (nunca tinha ouvido esta expressão. Deve significar cambalhota...); Pai caixa de surpresas; Pai chapéu e pai prancha.
Cliquem para aumentar as imagens.

Em formato Pwp

Primeiro foi o "Pê de Pai" que chegou à caixa de correio do meu pai, vindo de um amigo que por sua vez o recebeu de outro amigo, numa cadeia de forwards que não sabemos onde começou.
Há poucos dias foi o "Coração de Mãe" da mesma forma digitalizado (capa e contracapa incluídas) e passado para dentro de um powerpoint que anda agora por aí a correr.
Confesso que não sei muito bem o que pensar deste tipo de circulação dos livros.
Por um lado, uma pessoa sente-se honrada. Bolas, alguém dar-se ao trabalho de digitalizar um livro de uma ponta à outra, é porque gosta dele. Agrada-me também a ideia de um livro poder circular livremente, ser partilhado sem limites.
Pergunto opiniões e dizem-me que até pode ser boa publicidade. Que um powerpoint nunca substituirá um livro, que é uma forma de o dar a conhecer e por aí fora.
Por outro lado, há a questão dos direitos de autor e da própria perda de qualidade do livro, que se transforma noutra coisa, diferente da que está à venda nas livrarias porque as imagens perdem, obviamente, qualidade.
Estou a lembrar-me agora, a propósito desta questão dos direitos de autor, de duas ou três professoras terem-me já dito com a maior inocência (e boa vontade) que não conseguiram arranjar um dos nossos livros e que o fotocopiaram. Eu faço um sorriso amarelo (de que cor haveria de ser?) porque até percebo que a intenção é boa e não há sequer noção do que está em causa.

Passa-se o mesmo com estes Powerpoints.
Não sei mesmo o que pensar.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

É tempo de feiras, gostamos delas

Com muita pena nossa (mesmo muita), não estamos representados de modo oficial na 79.ª Feira do Livro do Porto que já começou na Av. dos Aliados. A desilusão foi tal que já nos organizámos, com um ano de antecedência, para estarmos presentes na próxima edição.

Por cá, estamos na I Feira do Livro de Paço de Arcos que decorre no Jardim junto à marginal e que se prolongará até ao próximo dia 7/6. E estaremos também, mas de modo muito mais modesto e familiar, representados na Feira de Nova Oeiras que vai acontecer já este domingo.
Para além de livros do Planeta Tangerina, tenciono vender algumas carradas de livros e CD's que tenho remorosos de deitar fora. É claro que os materiais não são comparáveis, mas irão conviver na mesma banca...
Apareçam por lá.

quarta-feira, 27 de maio de 2009


terça-feira, 26 de maio de 2009

Limpar a terra das ervas daninhas

Os alunos da Pós-graduação em Literatura Infantil também foram desafiados a pensar sobre preconceitos na Literatura Infantil e a elaborar uma lista de mitos, ideias erradas ou simplesmente apressadas que depressa se transformam em verdades absolutas.
Esta lista pode ser consultada no blog O Livro Infantil.

Num próximo post, já prometido, indicarão também algumas das medidas que podem ser tomadas (por editores, escritores, ilustradores, mediadores da leitura, professores, pais...) para vencer estas ervas daninhas que acontece, às vezes, não deixarem crescer os livros.

PS: Entretanto, no blog Prateleira-de-baixo surgiram um post e depois outro sobre este assunto que dão contributos interessantes para a discussão.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Los libros para niños

Vicente Ferre Azcoiti, um dos responsáveis pela editora espanhola Media Vaca, resume em 7 pontos os principais preconceitos quando falamos de libros para niños. Diz Vicente:
"Me gustaría repasar brevemente algunas de estas ideas, e invitar a los lectores a reflexionar sobre determinados prejuicios que de manera especial afectan a nuestra comprensión de lo que es la infancia y lo que son los niños."

1. LOS LIBROS PARA NIÑOS NO SON LITERATURA.

2. LAS CABEZAS DE LOS NIÑOS SON MAS SIMPLES.

3. LOS LIBROS SON, ANTE TODO, UNA DISTRACCIÓN.

4. CADA EDAD REQUIERE DETERMINADOS LIBROS.

5. LOS LIBROS ILUSTRADOS SON PARA LOS MÁS PEQUEÑOS.

6. LOS NIÑOS PREFIEREN LOS DIBUJOS “DE NIÑOS”.

7. LAS ILUSTRACIONES ALEGRAN LOS LIBROS.

Vale a pena ler aqui as explicações (carregadas de bom humor e ironia) para cada uma destas frases. A introdução ao texto é igualmente maravilhosa.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Amerika en Kombi


Juntaram cerca de mil livros, arrumaram o material na parte de trás de uma carrinha Kombi de 1982, e partiram estrada fora à descoberta das aldeias perdidas da América Latina. Chamam-se Martina Etcheverry e Juan Martín Mondini são argentinos, professores e viajantes. Com o projecto "Amerika en Kombi" decidiram levar às escolas mais remotas da América do Sul uma pequena biblioteca infantil ambulante e organizar, em cada paragem, pequenos ateliers com as crianças.
Martina e Juan partiram de Buenos Aires há alguns meses e durante os próximos dois anos propõem-se passar por mais de uma dezena de países. Não negam que o fazem pelo prazer de viajar, mas também com o objectivo de "redescubrir a América Latina y unir realidades a través de la literatura y la lectura" (palavras de Juan Martín).

Esta bela aventura pode ser seguida em www.amerikaenkombi.com.ar.

Notícia via revista Babar.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O livro novo da Bruaá


Esta é uma pista para a capa (que pode ser vista por inteiro aqui).
Chama-se "O Ponto", é da autoria de Peter H. Reynolds e vai ser lançado amanhã, de manhãzinha, na Feira do Livro, no stand da Prodidáctico (E, I, 12).

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Ficção Científica


Patchwork recolhido aqui.

Lembro-me de ter lido há uns tempos no Y que a FC era um género que tem cada vez menos fãs.
No blog da Penguin, fala-se das capas da FC (que, ao que parece, também não atraem muitos novos leitores). Mas há umas excepções que vale a pena visitar. E este mosaico era irresistível, claro.


Um poema de Tonino Guerra

CANTO NONO

Terá chovido durante cem dias e a água infiltrada
pelas raízes das ervas
chegou à biblioteca banhando as palavras santas
guardadas no convento.

Quando tornou o bom tempo,
Sajat-Novà o frade mais jovem
levou os livros todos por uma escada até ao telhado
e abriu-os ao sol para que o ar quente
enxugasse o papel molhado.

Um mês de boa estação passou
e o frade de joelhos no claustro
esperava dos livros um sinal de vida.
Uma manhã finalmente as páginas começaram
a ondular ligeiras no sopro do vento
parecia que tinha chegado um enxame aos telhados
e ele chorava porque os livros falavam.

Tonino Guerra, "O Mel", Tradução de Mário Rui de Oliveira, Assírio e Alvim, 2004

terça-feira, 12 de maio de 2009

Eterna Biblioteca


Lindo o cartaz da Danuta, anunciando mais um encontro "Eterna Biblioteca", organizado pela Câmara Municipal de Sintra.

O programa pode ser consultado aqui.

Já agora ampliem para ver melhor...

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Prémios de Edição LER Booktailors


Ficámos a saber que o Planeta Tangerina trouxe para casa duas estatuetas.
Foram elas:

"Vencedor de Melhor Capa de Infanto-Juvenil 2008"
com o livro "Coração de Mãe".

"Vencedor de Melhor Projecto Gráfico de Infanto-Juvenil 2008" com o livro "A Grande Invasão".


A ilustração e projecto gráfico de ambos os trabalhos têm a assinatura de Bernardo Carvalho.

Para além de capas e projectos gráficos, os prémios de Edição LER Booktailors distinguiram várias personalidades, editoras e projectos:

Prémio Especial Carreira (Editor): Joaquim Figueiredo Magalhães
Prémio Especial Editora do Ano: Tinta-da-China
Prémio Especial Editora Revelação: Sextante
Prémio Especial Artes Gráficas: Henrique Cayatte
Prémio Especial Tradução: Fernanda Pinto Rodrigues
Prémio Especial Revisão: Guilherme Ayala Monteiro
Prémio Especial Inovação: Biblioteca Independente
Prémio Especial Livreiro: João Paulo Martins (Férin)
Prémio Especial Livraria Independente: Pó dos Livros
Prémio Especial Jornalista ou Imprensa de Edição: Luís Caetano
Prémio Especial Blogue de Edição: Bibliotecário de Babel (José Mário Silva)
Prémio Especial Promoção de Autor Português: Rui Manuel Amaral, Angelus Novus

Aqui algumas palavras do juri, justificando as suas escolhas.

Aqui
as restantes capas premiadas.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O nosso T1 na Feira




Partilhamos um simpático T1 com a Bruaá, as edições Eterogémeas, a Margarida Botelho e a Serrote. Não podíamos estar em melhor companhia (e os vizinhos também parecem simpáticos)...

terça-feira, 5 de maio de 2009

A chegada dos livros

Chegaram em paletes, organizados em pacotes de 10, envoltos em filme rectráctil transparente. Ainda nos deixam os nervos em franja, por isso foi logo ali, na entrada do prédio, que os abrimos a confirmar se estava tudo como previsto.

Não houve surpresas... E, neste caso, não haver surpresas é um bom sinal.





Um agradecimento especial ao Lacomba pela ajuda nos carregamentos (e também ao João que em cada entrega de livros se torna consumidor obrigatório de pomada Voltaren...).

As fotografias viajaram na máquina da Yara, de Oeiras até Lisboa, de Lisboa até Madrid, de Madrid até S. Paulo, e agora de volta, via mailbigfile, de novo até Oeiras (e de Oeiras de novo até S. Paulo): obrigada Yara, esperamos que tenhas chegado bem.

"Coração de Mãe" em Famalicão

Entre 10 de Maio e 7 de Junho, a Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco de Vila Nova de Famalicão expõe as ilustrações do livro "Coração de Mãe".
A sessão para as escolas "Era uma vez... a história deste mês" será hoje dedicada ao nosso livro.

Mais informações no site da biblioteca.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Ainda o Dia da Mãe

A Edite Vicente, que conta histórias como ninguém, esteve este domingo na Fnac do Colombo a ler o "Coração de Mãe", para mães, filhos e alguns pais.
Depois da leitura, estiveram todos a trabalhar numa sessão de retratos em equipa. A Edite enviou-nos estas e outras imagens:







A propósito deste Domingo...

O Canal de Notícias do Sapo fez uma galeria de (belas) fotografias a partir do livro "Coração de Mãe". Pode ser vista aqui.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Os livros novos (parte II)

Sobre o "Andar por aí":

Andar por aí é ir ao encontro do mundo.
É saborear as pequenas coisas, as pequenas descobertas.
O rapaz deste livro costuma andar por aí com o seu avô.
Não se trata de um passeio na companhia um do outro, mas de algo bem diferente: o avô vai sempre à frente, entretido com os seus afazeres; o rapaz vai mais atrás, ocupado com tudo o que vai encontrando pelo caminho.
Sejam montes de areia, pedras, minhocas ou poças de chuva, para o rapaz tudo é motivo de interesse, motivo de paragem e espanto.
Vai quase sozinho, o rapaz, aquele quase-sozinho que nos faz sentir seguros, mas livres: «Dou passos grandes, passos pequeninos, arrasto os pés pelo chão, dou dez voltas ao sinal proibido, conto os pinos do passeio e, quando chego ao 23, digo, contente: “Já são mais do que os meninos da minha sala”».






Sobre "As Duas Estradas":

A estrada antiga e a estrada nova.
Dois caminhos possíveis para chegar ao mesmo destino.
Duas viagens quase paralelas, cada uma com as suas peripécias.
Quem andou mais quilómetros?
Quem chegou mais depressa?
Quem encontrou mais surpresas?
Quem ficou mais cansado?
Quem aproveitou melhor o tempo?
Quem nem deu pelo tempo passar?
Quem enjoou pelo caminho?
Quem chegou “num tirinho”?

As respostas encontram-se estrada fora.
Apertem os cintos, vamos lá arrancar...




Os livros novos (parte I)

São sempre emocionantes os posts em que se anunciam livros novos.
Eis então as duas novidades editoriais da temporada (são duas e não três como as imagens parecem anunciar).







Feira do Livro: E-I-12

Vamos estar na Feira do Livro de Lisboa, como já é costume representados pelo simpático e super eficiente Sr. Fernando Castro, da empresa Prodidactico.
Se quiserem fazer-nos uma visita, sigam as indicações:
De costas viradas para o Marquês, estamos no corredor mais à direita, na fila do meio, do lado esquerdo. Se começarem a contar pavilhões desde a rotunda, estamos, mais coisa menos coisa, na 9.ª fila de pavilhões.

Para quem gosta de coordenadas mais concretas, disseram-me que a identificação do nosso pavilhão é a seguinte "E- I- 12". Não sei o que significam as letras nem o número, mas in loco este código deve ser bastante útil.

Este ano teremos duas novidades na feira e teremos, pela primeira vez, uma promoção Planeta Tangerina.
Não é um compre 1, leve 2... mas é uma oportunidade simpática.

Dizem as previsões que vai estar um fim-de-semana bonito, por isso aproveitem para "enfeirar"... Boas compras.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Prémio Nacional de Ilustração



Penso que o fax com as boas notícias já terá chegado a algumas redacções (graças a Deus, porque eu já não aguentava guardar uma boa notícia destas por muito mais tempo): a Madalena, a nossa Madalena, de nome artístico Madalena Matoso, ganhou a 13.ª edição do Prémio Nacional de Ilustração, com o livro "A Charada da Bicharada" da Texto Editora, com textos de Alice Vieira.





O júri atribuiu ainda uma Menção Especial ao livro "O Cuquedo" da Livros Horizonte, com ilustração de Paulo Galindro e texto de Clara Cunha e ao livro "És Mesmo Tu?", do Planeta Tangerina, com ilustrações de Bernardo Carvalho e textos de Isabel Minhós Martins (moi même).





Parabéns a todos os ilustradores premiados. À Madalena, aquele abraço...

Adenda
Só agora descobri a lista de ilustradores e respectivos trabalhos que também merceram uma menção do júri. Aqui fica:

Afonso Cruz, "Histórias de Reis e Princesas", Asa.
Bernardo Carvalho, "Um Dia na Praia", Planeta Tangerina.
Danuta Wojciechowska, "O que se vê no ABC", Caminho.
Inês Oliveira, "Milagre de Natal", Civilização.
Luís Henriques, "Sabes, Maria, o Pai Natal não existe", Caminho.
Madalena Matoso, "Trava-Línguas", Planeta Tangerina.
Rachel Caiano, "A Casa de Férias, Histórias do Senhor Valéry", Caminho.
Teresa Lima, "Lá de cima cá de baixo", Gailivro.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Uma boa conversa


É uma escola escondida, discreta, ali numa rua estreita de um bairro de Cascais.
Fiquei espantada porque achei-a muito silenciosa...
Mas ainda estarão de férias? Será que me enganei no dia?
Mas não, era mesmo assim: era mesmo uma escola calma, normal, no melhor sentido que a palavra pode ter.
E como as aulas tinham já começado e era segunda-feira de manhã, a escola acordava devagarinho, sem pressas, dando tempo ao tempo...
Levei uma caixa cheia de livros do Planeta Tangerina e estivemos a conversar um bom bocado.

Sobre o corpo de um livro: tem rosto, costas, barriga?
Será que respira? Será que sufoca se não o abrimos para apanhar ar?

Foi uma boa conversa, sem silêncios envergonhados, nem atropelos muito eléctricos.
No final, os meninos da escola n.º 4 de Cascais ofereceram ao Planeta Tangerina alguns desenhos. Explicaram que estiveram a falar sobre os trabalho dos escritores e dos ilustradores.
Aqui ficam alguns:



sexta-feira, 24 de abril de 2009

Só mais um bocadinho de Zaid

Não resisto a mais este excerto. Zaid fala aqui da desconfiança de Sócrates (o filósofo) em relação aos livros, e de como este considerava a palavra viva (oral) milhares de vezes mais interessante do que a leitura. Zaid dá razão a Sócrates, mas contrapõe dizendo que os livros podem ser formas de animar esse diálogo. Leiam, leiam…

Graças aos livros, sabemos que Sócrates desconfiava dos livros. Comparava-os com a conversação e achava-os insuficientes. Dizia a Fedro que a escrita é um simulacro da fala que parece muito útil para a memória, o saber, a imaginação, mas que acaba por ser contraproducente. As pessoas confiam nela e não desenvolvem as suas próprias capacidades. Pior: chegam a acreditar que sabem alguma coisa porque têm livros.
A conversação depende dos interlocutores: quem são, o que sabem, o que lhes interessa, o que acabam de dizer. Ao invés, os livros são monólogos desconsiderados: ignoram as cirscunstâncias em que são lidos. Repetem sempre o mesmo sem ter em conta o leitor; não escutam as suas perguntas nem as suas réplicas.(...)
Em resumo: a inteligência, a experiência, a vida criativa desenvolvem-se e reproduzem-se através da palavra viva, não da letra morta. (…)
Mas o texto, planta seca da fala, não tem de suplantá-la. Pode servir-lhe de esteio ou fertilizante. Pode ser matéria morta que sufoca a vida ou que a favorece: texto que aniquila ou vivifica. O importante é não perder de vista o que deve estar ao serviço de quê. Tendo isto presente, podemos aceitar a crítica de Sócrates e sair em defesa do livro “Tens razão: os livros são texto morto se não favorecem a animação da vida. Tens razão: quando acontece o milagre da vida inspirada, seria ridículo preferir os livros. Mas já não dispomos do ócio das tardes livres em Atenas. E o simulacro da vida inspirada que existe nos grandes livros parece ser mais do que um simulacro: parece vida, inspiração latente à espera de reanimação(…).”
(…)

Cultura é conversação. Mas escrever, ler, editar, imprimir, distribuir, catalogar, criticar podem ser lenha para o fogo dessa conversação, formas de animá-la. Até se pode dizer que publicar um livro é colocá-lo no meio de uma conversação; que organizar uma editora, uma livraria, uma biblioteca é organizar uma conversação. Uma conversação que nasce, como deve ser, da tertúlia local; mas que se abre, como deve ser, a todos os lugares e a todos os tempos.


Livros de mais, Ler e publicar na era da abundância, Gabriel Zaid, Temas e Debates, 2008

Livros de mais?

Estou sempre a dizer que sim. Que há demasiados livros e livros demasiados maus.
Já cheguei a sentir tonturas ao caminhar por entre os corredores de algumas livrarias, verdadeira barata tonta incapaz de encontrar o que procura, incapaz de perceber o porquê de tamanha invasão.
Vocifero muitas vezes. Não tanto contra os que escrevem e ilustram, mais contra alguns dos que editam, personagens do mundo dos livros que se recusam a cumprir o seu papel: o de saber distinguir, escolher, dizer “não” as vezes que forem precisas, e também o de descobrir valor, melhorar, ajudar a construir.

Mas desde a semana passada, quando comecei a ler “Livros de mais”, do mexicano Gabriel Zaid, tenho conseguido ver “a coisa” de vários outros prismas. Há neste livro muito mais do que este meu olhar um pouco primitivo sobre a questão do excesso de livros ou, como diz Zaid, da abundância. O livro é tão fabuloso que não tem apenas uma ou duas passagens que dão vontade de sublinhar, mas muitas páginas seguidas, todas elas muito interessantes.
Diz Zaid que “há uma tradição carpideira por parte da gente do mundo dos livros (autores e leitores, editores e livreiros, bibliotecários e professores), uma tendência para se queixarem até do bom tempo, que faz ver como desgraça o que na realidade é uma bênção: a economia do livro ― ao contrário da economia do jornal diário, do cinema, da televisão ― é viável em pequena escala”. Depois prossegue dizendo que “à medida que uma sociedade se torna mais populosa, mais rica, mais escolarizada, publica mais títulos com pouca venda: aumenta a variedade de especialidades e interesses, e torna-se mais fácil reunir alguns milhares de leitores interessados em algo muito particular (…)".
Uns capítulos mais adiante, Zaid põe o dedo na ferida, ao falar da distribuição: “Como fazer, então, sem ser adivinho, para que cada exemplar esteja no lugar e momento certos para o seu leitor? Eis o problema― cujas respostas falhadas são decepcionantes para o editor, o livreiro, o leitor, o autor. Coloque um exemplar aqui, nenhum acolá; decida se deve (ou não) voltar a encomendar, depois de o exemplar ser vendido, e se deve devolver (ou não) o exemplar que não se vendeu. Multiplique estas decisões pelos milhares de títulos e milhares de pontos de vendas e chega à situação habitual: um desastre ― aqui um exemplar não encontrou o seu leitor, acolá um leitor não encontrou o seu livro. (…) Os cientistas chamam a isto um modelo «estocástico» ― um nome elegante para o caos.”

Para quem se interessa por livros e edição (e também para quem, como eu, costuma vociferar) este é um livro imprescindível. Sem palha, bem escrito, provocador.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Os chefs foram às escolas


Ainda tínhamos as mãos na massa quando falámos aqui de "O Chef vai à Escola", o projecto que levou às escolas do 1.º Ciclo de Cascais uma dúzia de chefs profissionais que, por um dia, deram às refeições escolares do concelho um toque gourmet diferente do habitual.

Entretanto passaram alguns meses, os chef's convidados já mostraram o que valiam. Muitas vezes acompanhados pelas respectivas equipas, cozinharam para professores e alunos, propondo sabores e técnicas culinárias novas, pratos simples ou mais complicados, conforme o estilo de cada um. Em quase todos os casos, os chefs trabalharam também com as funcionárias das cantinas, senhoras anónimas, por vezes apenas duas por escola, que todos os dias cozinham sopa, prato e sobremesa para centenas de crianças. Souberam integrá-las nas suas equipas, ensinar e também aprender.
Enquanto vigiavam a cozedura nas panelas e orquestravam a ordem de entrada dos temperos, os chefs conversaram com os grupos de crianças que vieram até às cozinhas: alguns falaram de comida rápida, outros dos sabores únicos da cozinha portuguesa; alguns aproveitaram para fazer inquéritos (quantas vezes por mês vão ao McDonald's?), outros para "vender" o sabor do peixe, das frutas e legumes. Os alunos também perguntaram: se para ser chef era preciso tirar um curso, se gostavam mais de doces ou salgados, se era muito cansativo.

O Planeta tangerina teve o privilégio de acompanhar estas visitas: de perguntar, observar e fotografar para, com todo este material, construir um livro que começará hoje a ser distribuído pelas famílias. O livro não é apenas um livro-memória do projecto, mas espera-se que venha a ser também um livro útil para quem tem de cozinhar todos os dias: contém receitas, dicas para uma alimentação mais saudável, conselhos para as idas às compras, ideias para refeições "rápidas, saudáveis e económicas". Um 3 em 1, que mãe, pais, avós desejam todos os dias concretizar.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Cidades invisíveis na Trama

A propósito do Dia do Mundial do livro, a Associação Cultural Respigarte e a Livraria Trama partem à descoberta dos caminhos, dos becos e das pontes que existem entre os leitores e os livros.

"(...) Cada livro é um edifício, uma construção no leitor. A cada nova leitura vai-se formando um bairro, com largas avenidas, becos estreitos, pontes, jardins. Como se arquitecta esta cidade invisível? Qual o percurso do leitor, de que modo passa de uma construção para outra e, acima de tudo, como se relaciona a nossa cidade com a cidade do leitor ao nosso lado. Queremos saber qual o ponto de encontro, que caminhos se usaram para chegar a Roma. Todos são possíveis, como se sabe.(...) "

Escritores, músicos, tradutores, editores, encenadores e leitores falarão das suas Cidades Invisíveis.
Diana Mascarenhas desenha ao vivo o mapa desta imensa cidade.
Rosa Azevedo modera.
Os convidados são: Jorge Silva Melo, Pedro Vieira, Francisca Cortesão, Abel Barros Baptista, Jorge Fallorca, Luís Filipe Cristóvão, José Mário Silva (e outros por anunciar).

O programa pode ser seguido em estórias com livros e no blog da livraria Trama.

A Imagem do Conto

É um novo blogue, do lado de lá do Atlântico e parece bem legal.
Mamãe escreve, o filho ilustra, cada semana um conto novo, cada semana uma nova ilustração:

Eu me propus a escrever. Ele se propôs a ilustrar. Eu entendo pouco da arte de ilustrar. Ele disse que quase nada entende da arte de escrever. Eu gosto é da palavra. E ele do traço. Então ficamos assim: você acha a palavra e eu encontro o traço. Tudo bem! E o que vem primeiro, palavra ou traço? Palavra. Você conta o conto. Eu ilustro o conto. Mas quem conta um conto aumenta um ponto! E qual é a função de um conto senão agregar mais pontos? Quantos mais pontos, mais lidos os contos.
E assim ficamos eu, ele e o projeto “A IMAGEM DO CONTO”. Aqui, o visitante encontrará, todas as semanas, um novo conto. De antemão, um aviso: sou extremamente cotidiana. Feito comida no prato. Ele? Ah! Ele eu não sei, minha função é de escrever. A dele, a de me surpreender. Pois não é que sempre ele encontra um jeito novo de contar as minhas palavras? Eu sou eu no texto. Ele é ele nas ilustrações. Como ele mesmo já me escreveu: “... o caminho de quem desenha não coincide – visto ser paralelo – com o de quem escreve, deve o ilustrador emprestar à obra a parte da sua alma que lhe pertence."
E assim, ficamos nós: eu, ele e você, nosso visitante. As palavras são parte da minha alma. Os desenhos, parte da alma do ilustrador. Cabe a você que nos visita acrescentar parte da sua alma neste site."

Tânia Colares – mãe e escritora

Frederico Rocha – filho e ilustrador

Mamãe e filho moram aqui mesmo (esta semana publicaram "Matilda"):
http://aimagemdoconto.blogspot.com/