sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Algumas palavras do novo Nobel (da Literatura)

“Creio que o romance foi sempre um testemunho rebelde, de insubmissão. Em todas as épocas, os romances flagraram nossas carências, tudo aquilo que a realidade não nos pode dar e que de alguma maneira desejamos. Começamos a inventar porque o mundo não nos parece suficiente. O romance se situa justamente nesta compensação que o ser humano busca quando entende que a realidade não o satisfaz completamente. Por esse motivo, o romance causou sempre desconfiança nos governos, nas instituições que aspiram controlar a vida. As religiões e os regimes autoritários nunca foram simpáticos ao romance. E penso que têm razão: o romance é mesmo um gênero perigoso, porque provoca a imaginação, os desejos, e nos faz sentir que a vida não é o bastante, que ela não consegue aplacar todos os nossos apetites e sonhos. O romance tem a ver com esse espírito rebelde. A invenção de outro mundo, de outra realidade, onde podemos nos refugiar e viver. Escapar através da fantasia. Acredito que essa é a origem de toda ficção.”

A Topipittori chegou à blogosfera

Nostri amichi dei Topipittori hanno un nuovo blogue.

Bem-vindos e bons posts!

Actualização (seguindo a sugestão do Paolo que se apressou a corrigir o italiano macarrónico deste post): I nostri amici Topipittori hanno un nuovo blog.

Se balader (c'est bon)

Com elegância japonesa, Miss Yara Kono apresenta a mais recente aparição em língua francesa de um dos livros da casa.
Passou de "Andar Por Aí" a "Se Balader" e sempre que vejo o título lembro-me, vá lá saber-se porquê, daquela canção francesa dos anos 60 "Tous les garçons et les filles"...
A tradução é de Alexandra Sabato, com a colaboração de Paola Leoni Notari.
A edição tem assinatura da Notari.







Entretanto, a Paola Notari fez uma sessão fotográfica inspirada nesta que aqui mostrámos e enviou-nos duas fotografias suas com o original entre mãos. Merci chére Paola!



Soubemos agora mesmo...

São três boas notícias de uma só assentada:
Os livros "Cá Em casa Somos" (Madalena Matoso) e "As Duas Estradas" (Bernardo Carvalho) foram seleccionados para a II Bienal Iberoamericana de Design, mais conhecida por BID que se realiza entre 22 e 26 de Novembro em Madrid.

Soubemos também (agora mesmo) que o livro "Um Dia na Praia" é um dos pré-seleccionados para o Prémio Baobab para álbuns ilustrados do Salão de Montreuil, um prémio criado pelo journal Le Monde, a Associação de Livrarias Especializadas em Livros para a Infância e o Sindicato das Livrarias Francesas. Em anos anteriores este prémio distinguiu os livros de Kittty Crowther, Benoît Jacques e Olivier Douzou.

Aqui mais informação sobre este prémio.




quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Bate-volta





As idas ao Porto sempre deixam um gostinho de quero mais e esta não foi excepção, ainda mais por não ter sido planeada. Entre conhecer o Rui e a sua galeria bem bacana (para quem gosta de ilustração é paragem obrigatória), chuva, bate-perna, comer bem, tempestade e concerto na Casa da Música, o bate-volta passou num instante.

Jack Teagle na Galeria Dama Aflita.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Aqui há gato

Ao princípio não ligámos. Porque somos relativamente novos no bairro e não habitamos a casa há tempo suficiente para lhe conhecer os ruídos. Primeiro era só o vento nas telhas (mesmo em dias em que não soprava uma brisa), depois deviam ser os vizinhos do lado (miúdos a fazer das suas entre dois episódios do Canal Panda), houve um dia em que chegámos a falar em fantasmas (morou aqui gente antes de nós e nunca saberemos se acharam graça à ocupação que fizemos da sala e dos quartos). Mas, a partir de certa altura, começámos a estranhar a sério as pancadinhas ao de leve no telhado, sorrateiras e ritmadas, que paravam mal assomávamos à janela.

Tirámos à sorte (porque não houve voluntários) e lá fui eu, de máquina na mão, fotografar o fenómeno em flagrante delito e trazer notícias aos cobardolas do 1.º andar.

Andava um gato no telhado, este que aqui vêem, e que reconhecemos imediatamente.



É o que dá deixar a porta do armazém tantas vezes entreaberta...
O bicho sai para passear e só volta uma meia hora antes do Sr dos CTT's chegar, mesmo a tempo de entrar no Livro dos Quintais e seguir encaixotado para as livrarias.
No dia seguinte, regressam os passos lá em cima (pois bom gato, a casa torna).

PS: A imagem do Gatuno camuflado que aqui vêem foi criada pelo Bernardo para a primeira guarda do livro. Apesar de não ter sido a escolhida, não perde para o seu vulto em elegância e classe.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Livros do Futuro





Grammar Can be Fun é um livro de Munro Leaf de 1934. Quando vi a data de edição fiquei pasmada. É certo que agora podemos ler livros electrónicos mas, ao ver este livro, fico com a sensação que, às vezes, parece que estamos a andar para trás.
É estranho que um livro feito há 76 anos nos pareça mais futurista que livros feitos nos nossos dias (especialmente na área das gramáticas e companhia).

Munro Leaf escrevia e ilustrava a maior parte dos livros que fazia. Escreveu "The Story of Ferdinand" que contava as aventuras de um touro que preferia cheirar flores a participar em touradas. Pelos vistos, Ferdinand gerou bastante controvérsia por se considerar que o livro defendia valores pacifistas. Foi proibido na Espanha e queimado como "propaganda" na Alemanha. 

Vi este livro no Curious Pages (que tem mais maravilhas para ver como, por exemplo, este Puff dos anos 60).

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Colecção de Futuros



Já se pode consultar o programa do Serviço Educativo dos Museus da Politécnica (Museu de Ciência e Museu de História Natural).
Há uma grande oferta de actividades para todos os gostos, idades e feitios.

Está tudo aqui.

O Planeta Tangerina fez o cartaz e, para isso, teve a sorte de poder andar pelos bastidores do museu, entrar em salas cheias de esqueletos e bichos empalhados, espreitar armários com milhares de frascos e frasquinhos com animais lá dentro, ver fotografias antigas (lindas: das salas do museu antes do incêndio, dos cientistas em saídas campo), ver gravuras, herbários, sementes... Ficámos fascinados com este mundo admiravelmente novo (para nós).

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Um verdadeiro escândalo

Vejam aqui.
Juntamos a nossa indignação à de Jaime Bulhosa.

O álbum das Palavras Andarilhas

Os queridos leitores deste blog que nos desculpem a ausência de notícias, mas temos andado num "virote", com prazos para cumprir em muitas frentes e não tem sido fácil,
nada fácil...

Enquanto os ventos não abrandam aqui para estas bandas, partilhamos convosco algumas imagens do fim-de-semana de Andarilhas.
Foi em Beja e, como sempre, foi bonito.



Sessão de contos no Mercado de Artes da Palavra, com António Fontinha.



O estendal com a imagem das várias edições das Andarilhas e outros encontros de contadores. Ao centro, a T-shirt do Clube de fãs de Cristina Taquelim (organizadora do encontro desde sempre). Não comprámos a T-shirt mas subscrevemos a mensagem.





Sessão na Tendinha dos Contos com Carlos Marques.
Nesta parte, o lobo estava quase a comer a Carmela e os ouvintes levantaram-se nervosos...





Columbinas: Quando a poesia ganha asas

Os pombos correio levantaram voo, levando poemas para outras bibliotecas.
Dizia-se que quanto melhor o poema, mais pesada a mensagem.
Mas talvez fosse o contrário, os melhores poemas talvez sejam os mais leves.



Os artistas da casa, Madalena e Bernardo, durante a apresentação de "Trocoscópio".
Na bagagem, levámos também os originais a caneta de feltro de "O Livro dos Quintais".



Festival de narração com José Craveiro, Fanha, Alexis Pimienta, entre outros.
Na imagem, o colombiano Nicolás B. Vidal.

Até breve!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pós-graduação: Livro Infantil

Até dia 30 de Setembro estão abertas as candidaturas para a Pós Graduação em Livro Infantil da Universidade Católica de Lisboa.

Educação, edição, cultura, arte, crítica são algumas das perspectivas através das quais é possível olhar para o livro infantil. Partindo desta ideia foi criado o programa deste curso que "contempla o estudo do livro infantil de um ponto de vista abrangente, em vez de extrair dele apenas uma das suas componentes (a literária, por exemplo)".

Toda a informação aqui.

Outros negócios (que nos interessam)

A propósito da polémica que está a acontecer no Brasil em torno da escolha do símbolo para a Copa do Mundo de 2014, vale a pena ler no blog da Cosac o texto do designer e professor Chico Homem de Mello.
(Um texto que devia ser lido por todos os especialistas em estratégia, profissionais do marketing, do branding e afins.)

Nos links finais é possível conhecer melhor os contornos desta escolha. Ficamos a saber, por exemplo, que o júri responsável pela selecção da imagem não integrava especialistas em Design (para quê?), mas sim "importantes figuras públicas", como o escritor Paulo Coelho, a modelo Gisele Bundchen ou a cantora Ivete Sangalo.

Por cá ainda não atingimos este nível, mas um dia quem sabe...
A revista Babar dedica um texto a "Um día en la playa" (edição Zorro Rojo).
Aqui.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Novos Livros Planeta Tangerina

A Trilogia Histórias Paralelas é uma pequena família de livros do Planeta Tangerina que reúne histórias que acontecem, mais ou menos, em simultâneo: nalguns casos, partilham tempo e espaço; noutros, partilham o tempo e não o espaço; noutros ainda, partilham as suas próprias peças, desconstruindo-se umas, para dar origem a outras. Parece complicado mas não é.

Para quem já não se lembra, a Trilogia começou o ano passado com a publicação do livro As Duas Estradas — que ganhou um prémio no CJ Picture Book Festival da Coreia e que será editado no próximo ano em norueguês, coreano e francês—, e encerra este mês com a edição de Trocoscópio e O Livros dos Quintais, ambos ilustrados por Bernardo Carvalho.

Aqui ficam as apresentações:



O Livro dos Quintais
Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho
2.º Volume "Histórias Paralelas"

Não se assustem os mais supersticiosos: mal abrimos O Livro dos Quintais, damos de caras com um gato preto, daqueles meio vadios que de vez em quando se atravessam no nosso caminho. O gato chama-se Gatuno (só no final do livro vamos perceber porquê) e vive de quintal em quintal, escolhendo o dono e a sombra que mais lhe convém, de acordo com a época do ano e as suas vontades felinas.
Tal como o Gatuno, neste livro não entramos em casa de ninguém. Ficamo-nos pelas histórias paralelas e cruzadas que se passam cá fora, à beira de limoeiros e nespereiras, hortas e estendais, tanques ou mini-piscinas, acompanhando as vidas de oito quintais e respectivos ocupantes, ao longo dos doze meses do ano.

Quanto ao Gatuno, nem sempre é fácil encontrá-lo pois, como toda a gente sabe, os quintais são pequenos mundos onde não faltam esconderijos...



Trocoscópio
Bernardo Carvalho
3.º Volume "Histórias Paralelas"

São 142 peças.
Triângulos, rectângulos, círculos, semi-círculos e pintinhas.
Em amarelo, verde, encarnado, azul, rosa, laranja, roxo.
Sempre que se combinam ou se sobrepõem, formam novas cores e novas formas.
142 peças, como num jogo, mudando de lugar e de posição à medida que folheamos as páginas: olhamos para um lado e estavam ali, olhamos para o outro e mudaram para acolá...
A acontecer, em paralelo e usando as mesmas peças, estão duas histórias: numa subtraímos, na outra, adicionamos; numa desconstruímos, na outra, é tempo de construção.
E o que resultará de tudo isto? E qual a razão de tudo isto?
Chamam-lhe Trocoscópio e, para quem não percebe muito de tecnologia, podemos simplificar, dizendo que se trata de um caleidoscópio, mas dos mais avançados: com formas coloridas lá dentro, mas com capacidades (ainda mais) surpreendentes.
Se achas que há coisas que precisam de mudar, espreita pelo Trocoscópio e carrega no botão.

Ambos os livros serão apresentados durante as Palavras Andarilhas (em Beja, dia 18 de Setembro) e estarão à venda desde o primeiro dia do encontro.

Às livrarias chegarão a partir de 20 de Setembro.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Process is the Project


A AGI, Alliance Graphique Internationale, vai ter sessões abertas no dia 11 de Outubro no Porto, na Casa da Música.
Vai haver conferências (Pentagram, Cyan, Incandescence, Universal Everything entre outros), workshops (Cyan - Detlef Fielder + Daniela Haufe, Etienne Mineur, Javier Mariscal e Niklaus Troxler) e exposições.

Saibam tudo aqui.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

When I Was Born



Notícia das boas: o Quando Eu Nasci foi editado em língua inglesa pela Tate Publishing (que o vai levar para todos os países que falam inglês).

Ficamos sempre felizes quando um livro nosso é adoptado por outros países mas, por sabermos que apenas 3% dos livros editados em países anglo-saxónicos são traduções (até há um site dedicado à literatura traduzida que se chama three percent) e por ter sido a Tate a publicá-lo, esta notícia foi especialmente saborosa.

O livro já está impresso e será posto à venda muito em breve (quando tivermos um exemplar nas mãos mostramos fotografias). Entretanto já pode ser visto aqui.

domingo, 29 de agosto de 2010

Não vale a pena correr



Um poema do António Torrado, numa animação produzida pela RTP, a ditar o lema para o novo ano. A mim fez-me lembrar (com as devidas distâncias), um livro cá da casa (o "Depressa, Devagar") e quase me assustei por termos pensado, em tempos, fazer um livro com uma ideia praticamente igual à que atravessa este poema: uma velhinha vagarosa que vai pelo passeio fora e demora toda a manhã a chegar à padaria, enquanto o sobrinho faz mil e uma coisas, atende cem telefonemas e despacha trinta reuniões. (Ainda eramos acusados de plágio, já pensaram?).

É impossível ter ideias cem por cento novas. E felizmente também não é possível (nem seria desejável) não nos deixarmos contagiar (contaminar e inspirar) pelas palavras do Mestre Torrado, hoje ou há trinta anos atrás, quando o líamos a duas cores, em livros de capa mole, com as páginas mais gastas do que as botas ortopédicas da altura.

Já aqui dissemos que no Planeta Tangerina, regemo-nos ainda pelos anos escolares. E por isso, é agora em Setembro que tudo começa de novo. Vamos a isto.
(Não vale a pena correr, mas não gostamos de molengar).

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

POPs



A loja de Serralves está à procura de produtos inovadores para o seu catálogo. As propostas podem ser enviadas até ao dia 12 de Setembro.
Mais informações aqui.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Mish Mish Mish







Neste catálogo de gatos, há de tudo um pouco... malabares, cachimbos, teclas, gatos meiguinhos (outros nem tanto). O meu Rufus (o gato malabarista) lá está, todo contente.
Obrigada a Marina y Mariano, da Moncho Ediciones, pelo convite e pelo belo exemplar.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Seguir


(a anunciar brevemente)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

North by Northwest

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Agora sim





Este post sobre uma ida à gráfica enganou alguns leitores. Aquelas fotografias eram sobre uma saída de máquina de há uns meses atrás. Os livros que estavam a sair eram A Manta e o Primeiro Gomo da Tangerina (prémio leitor super atento: houve quem reparasse nisso).

Isto tudo porque o Bernardo ainda usa rolos e quando os vai revelar, às vezes as coisas já passaram há muito tempo.

Mas vamos a notícias mais recentes: há mesmo livros no forno e voltámos a ir à gráfica.
Estas imagens são fresquinhas, fresquinhas (sem chegarem aos calcanhares das outras).

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Mais um dia na praia (aproveitar o calor)




Já está em linha mais um audiolivro criado pelo Letra Pequena.
Pode ser visto (e ouvido) aqui.

A música é dos München.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Dançar no café



Este post não ficava completo sem esta dança.
O som está muito mauzinho, mas dá para perceber a ideia.

(Bande à Part, Jean Luc Godard)

Revolution



+ uma imagem 100% Orange (para não estarmos sempre a ver a mesma cara).

segunda-feira, 9 de agosto de 2010





Sempre que um livro novo está prestes a sair do forno, nós vamos cheios de profissionalismo à gráfica, a Printer portuguesa, ver se é preciso afinar algumas cores nas primeiras saídas de máquina.
Na verdade, só lá vamos mesmo porque estamos cheios de pica para ver a SUPER RÁPIDA 162 a cuspir páginas impressas no Munchen e trazer para o planeta uma daquelas folhas antes de serem cortadas, porque de resto, aqueles senhores que lá trabalham, além de muito simpáticos e profissionais têm o olho tão afinado que distinguem mais cores que as abelhas.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Simple Men Dance


Simple Men, de Hal Hartley vs Cool Thing dos Sonic Youth