sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Como chegámos aqui?


The house that Jack built, de Randolph Caldecott, edição original de 1878 (George Routledge&Sons, EUA).

Quando começámos a fazer livros, para além daquele conhecimento próprio de quem se interessa pelo assunto, não conhecíamos grandes detalhes sobre a história do álbum ilustrado. Aos poucos, vamo-nos apercebendo do património imenso que herdámos e sempre que fazemos uma descoberta nova (por ex. um autor ou ilustrador que não conhecíamos) ficamos perplexos: afinal já outros antes de nós por aqui andaram, se debateram com problemas semelhantes aos nossos, inventaram soluções e novas formas trabalhar. Todos eles sentiram, certamente, poder ter algo a acrescentar aos livros que já existiam, e fizeram-no trazendo para os seus textos e imagens novas preocupações e, atrás delas, novas ideias, grandes livros.




Ilustrações de Edy-Legrand para o livro Macao et Cosmage, editado em 1919 (Ed. Nouvelle Revue Française).



Uma descoberta interessante: as mudanças tecnológicas sempre acompanharam — e em muitos casos até ditaram — as grandes revoluções na produção de livros. Foi assim com a introdução da cor ou com as técnicas de impressão que foram permitindo uma relação mais flexível entre o texto e a imagem.

Outra descoberta interessante: já houve outras crises antes desta, momentos em que foi necessário aproveitar os recursos ao máximo, procurando, por exemplo, formatos que permitissem rentabilizar os custos.


See and Say, de Antonio Fransconi, edição original de 1955 para Harcourt Brace (EUA).

Maria Keil para Contos tradicionais portugueses, 1958 (Ed. Iniciativas editoriais, Portugal) 

Muitos dizem que esta crise é diferente das outras (a história repete-se mas nunca é a mesma). Há muitas incertezas também no mundo da edição, ao ponto de nos questionarmos se, num futuro não muito longínquo, continuará a haver livros em papel. Não sabemos e, como quase tudo hoje em dia, talvez isso dependa única e exclusivamente “dos mercados". Ninguém sabe. Mas enquanto o futuro paira no ar, aqui estaremos todos os dias— como já muitos antes de nós o fizeram— a trabalhar e a matutar, concentrados no essencial (e mais saboroso): tudo o que pomos dentro dos livros.


How did we get here?

When we started making books, we didn't know much about the history of illustrated books, apart from the general knowledge of all readers with an interest in this subject. But gradually we are realizing our immense heritage and are amazed each time we make a new discovery: at the end of the day, somebody else had already been here, struggled with similar problems and tried to find new solutions. All those who came before us certainly felt that they had something to add to the books that already existed, and they did so, bringing new concerns and new ideas to their texts and images.
An interesting discovery is that technological change has always gone hand in hand with major developments in book production – in many cases even shaping those revolutions. This was the case with the introduction of color or with printing techniques, which allowed for a more flexible relationship between text and image.
Another interesting discovery is that the current crisis is not the first of its kind: other crises have occurred, times when resources needed to be used as effectively as possible and solutions were needed that would provide publishers with good value for money.
Many say that this crisis is different from the others (history repeats itself but is never entirely the same). The publishing world also has to deal with markets and uncertainty and nobody knows what will happen. But while the future is uncertain, we will be here every day – as many have been before us – thinking and working, fully focused on what we put in our books. This is central to what we do and also what we most relish.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

"A Manta" está de volta




Já está disponível a 2.ª edição do livro “A Manta – Uma história aos quadradinhos de tecido”, de Isabel Minhós Martins e Yara Kono.

O álbum “A Manta” é recomendado pelo Plano Nacional de Leitura e pela Casa da Leitura da Gulbenkian. Em 2012, foi distinguido com o selo White Ravens, atribuído pela Internationale Jugendbibliothek de Munique, a maior biblioteca de literatura infantil e juvenil do mundo, que anualmente realiza uma selecção para o seu catálogo entre todos os livros publicados a nível mundial.


A Manta é um álbum sobre a memória e o valor afetivo que transporta. Os pedaços cosidos da vida de uma família são recontados pela matriarca, a avó. Mas, para além da doçura que preside ao elogio do ato de contar e de ouvir histórias entre gerações, a pedra de toque desta narrativa em patchwork está na abordagem à morte da avó e à saudade. (...) Yara Kono ilustra com singeleza artesanal os episódios narrados, criando, página a página, os padrões que preencherão a memória e as guardas deste livro.


Andreia Brites, Junho 2010


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Coisas que nos espantam


Da un seme di carta, una grande famiglia di alberi!


Um atelier a partir do "Quando Sono Nato" no blog da Topipittori.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Prémios LER/BOOKTAILORS: "Praia-mar" entre os nomeados

Já abriu o período de votação do público nos livros finalistas da 5.ª edição dos Prémios de Edição LER/BOOKTAILORS.
O livro "Praia-mar" (Bernardo Carvalho) está entre os nomeados para melhor ilustração original.


Nesta edição foram aceites a concurso obras publicadas nos anos de 2011 e 2012, em todas as categorias de design, fotografia e ilustração.
A votação do público decorre até dia 31 de janeiro e conta com 20% na eleição final dos vencedores.

A cerimónia de entrega dois Prémios irá decorrer na 14.ª edição das Correntes D’Escritas.



Para votar, basta ir até aqui

Candidatos a escritores: esmerem-se

A Câmara Municipal da Trofa está a lançar a edição 2013 do Concurso Lusófono da Trofa – Prémio Matilde Rosa Araújo – Conto Infantil.

Objetivo: incentivar a criatividade, fomentando o gosto pela escrita expressiva de todos os participantes.

Candidatos: autores de língua portuguesa, que não tenham mais que três obras publicadas na área da literatura infantil, oriundos de todos os países de língua oficial portuguesa, nomeadamente Portugal, Angola, Brasil, Moçambique, Cabo verde, S. Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Timor.

Os contos devem ser entregues até ao dia 27 de abril.
Mais informações aqui.

Esmerem-se!

Calendário APCC: oferta na loja/ Calendar 2013: offer at our store

Desde 2005, a APCC edita um calendário de parede com imagens de grandes ilustradores nacionais. Pelo calendário já passaram nomes como Maria Keil, Manuela Bacelar, Danuta Wojciechowska, Teresa Lima (e os artistas da casa Madalena Matoso e Bernardo Carvalho). 
2013 é o ano de João Fazenda!

A partir de hoje e até ao final do mês, cada encomenda feita na nossa loja recebe como oferta um calendário ilustrado da APCC, com belíssimas ilustrações de João Fazenda.

A APCC, Associação para a Promoção Cultural da Criança, é uma organização não-governamental, de âmbito nacional e sem fins lucrativos que desenvolve atividades socioculturais e educativas de ocupação de tempos livres para jovens e crianças.


O calendário está à venda no site da APCC e em algumas livrarias (PVP 3 €). 


Till the end of the month, every order placed on our online store will receive an illustrated APCC calendar, with gorgeous illustrations by João Fazenda.
* APCC, Association for Cultural Promotion of Child, is a non-governmental and non-profit organization that develops educational and cultural activities for youth and children.

Since 2005, APCC publishes a wall calendar with pictures of great portuguese illustrators.

For more information, visit the APCC site
.



Promoção limitada ao stock existente. Offer limited to available stock.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A Casa Branca

A Câmara Municipal de Oeiras convidou o André Letria que convidou 8 ilustradores (Afonso Cruz André da Loba, Bernardo Carvalho, Gonçalo Viana, João Fazenda, Madalena Matoso, Tiago Albuquerque e Yara Kono) para participarem numa exposição dedicada a Sophia de Mello Breyner.
Foram escolhidos 8 contos e cada ilustrador criou 2 imagens para o conto que lhe foi atribuído.

A exposição estará até 30 de março no Palácio Ribamar, em Algés. Passem por lá! (correção: parece que a exposição está neste momento em itinerância por algumas escolas do concelho e que voltará a estar aberta ao público na biblioteca de Carnaxide — quando soubermos mais pormenores, avisamos).

Estas são as imagens dos ilustradores "cá de casa":















(de cima para baixo: Bernardo Carvalho / O Rapaz de Bronze; Madalena Matoso / A Menina do Mar; Yara Kono / A Fada Oriana).

O país que temos

Viva a fórmula 1.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013





O Felicidário é um calendário e também é uma espécie de dicionário com 365 definições práticas de felicidade (para maiores de 65 e não só). A do dia 1 já está on-line.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Aviso/ Notice: Loja a meio gás/ Store working at half speed


Amigos,
Por motivos de férias (e de festas...), as encomendas feitas na loja on-line entre 21/12 (a partir das 15.00h) e 1/1, só serão enviadas a partir de dia 3/1.
Pedimos desculpa por esta interrupção e prometemos regressar em pleno no início do ano.


Boas festas para todos, feliz 2013!



Friends,
Due to holidays (and festivities ...), orders placed on the online store between the 21st of December (from 3 pm) and the 1st of January , will only be sent after the 3rd of  January.We apologize for this interruption and promise to return in full at the beginning of the year.

Merry Christmas to all, happy 2013!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Setas em Paraty

Andrés Sandoval, o ilustrador do nosso "Siga a Seta!", enviou-nos algumas imagens da oficina que desenvolveu para a FLIP 2012 (a Feira do Livro de Paraty, no Brasil) e que envolveu um grupo de adolescentes da cidade.






O trabalho teve como ponto de partida o livro "Siga a Seta!", editado no Brasil pela Cia das Letras, e foi buscar inspiração a um fanzine chamado Charivari que reúne 12 ilustradores e técnicas de desenho e impressão muito variadas, como serigrafia, fotocópias, mimeógrafosrisografia, carimbos, etc.

No primeiro dia, os miúdos (ou garotos) criaram setas em diferentes materiais para serem vestidas, encenadas e fotografadas na praia de Jabaquara (só o nome, dá vontade de mergulhar). Com este material gráfico foi criado o cenário, o cartaz e o catálogo da FLIPZONA, o braço da literatura juvenil da FLIP.
Mais tarde, com as imagens seleccionadas, foi criada também esta linda (lindíssima) publicação:











A publicação completa pode ser vista, aqui.
Os garotos de Paraty contam tudo no blogue feito por eles, aqui.

Obrigada ao Andrés!
Já temos saudades.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012


O Ir e Vir, na seleção de Natal do Grain Edit.
O nosso obrigado ao atento Gonçalo.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O que houve? Festa, claro!

No princípio do século (XX), o Jardim de Inverno do Hospital de Sant'ana servia de recreio às meninas nos dias mais frios. Nessa altura, eram apenas as meninas que ali entravam, pois o Hospital só recebia doentes do sexo feminino, quase sempre a recuperar de tuberculoses ósseas. Os ares da Parede, dizia-se, eram dos melhores para curar este tipo de maleitas e as meninas passavam ali grandes temporadas, descansando, brincando e, sobretudo, apanhando sol e o ar do mar, que ali chegava carregado de boas energias (e iodo e coisas do género)...

Este sábado, mais de cem anos depois, a sala — com azulejos que reproduzem as plantas medicinais usadas na época— encheu-se de meninos e meninas, grandes e pequenos, para algo completamente diferente... foi mais uma festa do Planeta Tangerina com todos os nossos amigos e leitores.




 

Houve lanche, rifas, promoções, muita correria e ar do mar, ali mesmo à disposição.





Os ateliers para os mais pequenos foram muito concorridos: 3 tapetes não chegaram para sentar todos os artistas que quiseram criar belos desenhos iluminados, como estes que aqui mostramos. Uma espécie de candeeiros (feitos com lanternas e luzinhas de Natal) que ficaram mesmo espetaculares!





Obrigado a todos os que apareceram: foi bom conhecer quem não conhecíamos, ver e rever todos os que já são amigos da casa.

Ao Nuno, obrigado pelas imagens. Com a azáfama até nos esquecemos de tirar fotografias...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Preparativos




para a festa de amanhã.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O Rapaz das Aves no Bicho dos Livros

Andreia Brites debruçou-se sobre "O rapaz que gostava de aves (e de muitas outras coisas)" e tirou algumas conclusões. A saber:

(...)
O ritmo repetitivo e rimático ecoa as marcas oralizantes das vozes dos pais, dos avós, dos professores, no seu tom pessimista e conformado, e deixa o leitor à beira de um ataque de falta de ar, em solidariedade com o pobre Ricardo, que cresce encolhido.
Depois, tudo muda: Ricardo cansa-se de se sentir preocupado e abandona a lista interminável de missões para evitar o fim do mundo.
 (...)
Ao texto de Isabel Minhós Martins, Bernardo Carvalho responde com uma paleta de cores fortes e figuras expressivas. Ricardo, o protagonista, está sempre em interacção com o espaço, aparecendo especialmente bem integrado nos ambientes naturais (a mergulhar no lago, a olhar para a copa das árvores - ou será para o céu? - no bosque, a observar as minhocas e a gota de orvalho que escorre pela folha verde). Também na ilustração se destaca a mudança, numa página dupla onde reina a ave, com as suas asas meio difusas num apogeu de cor.

O texto integral pode ser lido aqui, no blog O Bicho dos Livros.

Listas do ano

11 livros escolhidos pela Brain Pickings.
Gostamos dos que conhecemos, parece-nos que vamos gostar dos que não conhecemos.

Como este que se chama Virginia Wolf.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Convite!


















Estão todos convidados: amigos, conhecidos e desconhecidos. Porque as redes sociais (e essas coisas digitais), só, não chegam.

Ver como chegar ao Hospital de Sant'Ana aqui.
Quando passarem o portão, teremos indicações para o local do lançamento (acreditem: é muito bonito)































Imagem retirada daqui.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Edição Exclusiva

No blogue Edição Exclusiva, um Especial Infantil (vamos pôr aspas nisto) dedicado ao mundo da Edição para a Infância: a semana começou com um texto de Luísa Ducla Soares sobre a escrita para crianças, prosseguiu com Alice Vieira com uma reflexão sobre a escrita para jovens (ou lá o que isso é) e continuará com Jorge Silva, Dora Batalim, José Olveira, Fernando Pinto do Amaral, Carla Oliveira, entre outros. Ao Planeta Tangerina foi pedida uma reflexão sobre o processo de internacionalização, que sairá também nos próximos dias. 

Hoje saiu um texto (muito bonito) de Afonso Cruz sobre as relações entre escritor e ilustrador. Começa assim:

 O texto deve ser defeituoso. Não deve ser capaz de andar sozinho, como se tivesse pernas, como se não precisasse de ajuda para andar, como se não precisasse da imagem para saber caminhar. Se o texto for autónomo e capaz, se não precisar de nada além de si mesmo, é apenas isso. Pode ser um texto excelente, mas é um texto que grita, que nos diz: não preciso de mais nada. Não preciso de ilustrações.

A relação entre o escritor e o ilustrador deve ser, quando penso nisso, como um corpo: uns ficam com os intestinos e com os rins e os outros com o que se vê. A ilustração deve ser um corpo do avesso, a mostrar o que está dentro usando a parte de fora. A questão não deve ser exibir as vísceras, mas sim, o que lhes corresponde cá fora: os cabelos, a pele, os lábios, os olhos a piscar, os dentes, os sapatos, o umbigo, as tatuagens e as mãos. E tudo isso é exactamente o que está dentro, mas de outra maneira, como um avesso.


O texto pode ser lido na íntegra aqui, assim como todos os outros publicados até ao momento.



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Imagens da Fantasia (se estiverem em Itália)

A "Mostra Internazionale per l'Infanzia de Sàrmede" faz 30 anos/30 edições.

A ideia de criar uma exposição de ilustração internacional foi do ilustrador Štěpán Zavřel que nasceu em Praga em 1932, deixou o seu país em 1959, passou por Trieste, Roma, Mónaco e Londres, acabando por se estabelecer em Sàrmede, uma pequena aldeia no norte de Itália no fim dos anos 1960.


Hoje em dia Sàrmede tem o cognome "paese della fiaba" (lugar das fábulas) e, para além da mostra anual, organiza cursos, laboratórios, exposições temporárias, encontros com autores, oficinas em escolas etc.


O nosso Todos Fazemos Tudo/Pourquoi Pas Toi estará representado na mostra deste ano (termina a 20 Janeiro 2013).






segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Parabéns à revista LER

A LER faz 25 anos e organizou um festival para os comemorar. A programação inclui filmes, debates, tertúlias e passeios e está disponível aqui.




































Na imagem, o número que está desde ontem nas bancas. Linda Sophia.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Il mio vicino è un cane (fazer as malas)

Sardegna, continuação III (I, II)

Na oficina d'"O Meu Vizinho É Um Cão" fizemos as malas de diferentes animais.


Se tiver de ir fazer uma viagem, o que leva o leão na mala? Escova, shampô, secador, tudo o que é preciso para uma juba bem penteada. A girafa leva uma camisola de gola muito alta e, pelo sim pelo não, um cachecol com mais de cinco metros. A serpente leva um saco-de-cama muito fininho e comprido. O polvo leva uma camisola com oito braços ou umas calças com oito pernas? Oito luvas ou oito meias?


Na sessão com as escolas, fizeram-se grandes malas em grupo (não se vê nas fotografias mas estavam cheias de objetos para os diferentes animais).


















Na sessão aberta às famílias cada bambino fez a sua mala.




Não queria fechar o assunto "Sardenha" sem agradecer o convite à equipa do festival (Manuela Fiori, Claudia Urgu e Cristina Fiori da livraria Tuttestorie), a Ines Richter que organizou a ida e estadia dos autores de forma exemplar, às intérpretes que fizeram muito mais que traduzir (em especial a Samantha Cipollina), à DGLB que apoiou a nossa ida, aos voluntários que estavam em cada espaço e ao público que aderiu em massa (como se pode ver nesta fotografia do encerramento do festival).