O júri do I Prémio Internacional de Serpa para
Álbum Ilustrado escolheu como obra vencedora o projeto “Mana”, da autoria de Joana Estrela.
O Júri
apreciou particularmente o universo visual da obra, a sua espontaneidade
e coerência, e também o modo como textos e imagens cooperam,
adaptando-se e complementando-se, em estreita harmonia, ao serviço das
mensagens e do próprio livro.
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The jury of
“I Serpa International Award for Picturebooks”
has chosen “Mana”, from Portuguese artist Joana Estrela, as the winner of the first edition.
The
jury appreciated
particularly the visual universe
of this project, its spontaneity and
consistency, and also how text and images work
together, adapting and complementing
each other, in close harmony,
in favor of the messages and the book itself.
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O júri considerou o projeto “Mana”
um bom exemplo da vertente camaleónica que os álbuns ilustrados podem
assumir, ao revelar a capacidade de absorver uma grande variedade de
linguagens, tanto ao nível das imagens como das palavras. De salientar
que este projeto não integra uma narrativa tradicional, como é mais
habitual em livros ilustrados, mas um texto com as características de
uma carta — neste caso em concreto, uma pequena carta, quase um recado,
escrita pela irmã mais velha e dirigida à mais nova; também no que diz
respeito às ilustrações, a autora experimenta uma série de registos, que
vão desde o traço fino sem utilização de cor, a páginas mais
trabalhadas, nas quais é a própria personagem mais nova que intervém a
nível gráfico, intrometendo-se nas imagens, alterando-as, e passando,
deste modo, a fazer parte da “história” de um modo pouco habitual.
A
nível do conceito (ou ideia) do projeto, foi destacada precisamente a
originalidade dessa presença invisível, o modo como a autora trouxe para
as páginas uma personagem que consegue estar presente de uma forma
“gráfica”, umas vezes de modo mais subtil, outras de modo mais descarado
(riscando, pintando, colando autocolantes sobre as páginas criadas pela
própria irmã). O júri considerou interessante o modo como a voz da irmã mais
velha se cruza com a presença desta mais nova, num jogo bem humorado
que é, às vezes, de conflito, outras se aproxima do diálogo e outras,
ainda, revela a ternura e cumplicidade que une as duas personagens.
Não sabendo se o livro terá um componente autobiográfica verdadeira,
considerou-se, de qualquer modo, que a autora foi capaz de construir um
ambiente narrativo credível e, com delicadeza e vivacidade, foi também
capaz de criar (ou revelar) a relação de proximidade entre as duas
personagens. O texto curto, coloquial, com sentido de humor, contribuiu
de modo eficaz para essa construção, assim como o universo gráfico da
autora, depurado e aparentemente simples, mas revelador de um trabalho
consistente e de um potencial narrativo que o torna merecedor de
publicação.
O Júri foi constituído por Kitty Crowther, Isabel Minhós Martins (em representação da editora Planeta
Tangerina) e Paula Estorninho (em representação do Município de Serpa).