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terça-feira, 19 de julho de 2011

Com algum atraso...

... aqui publicamos as recensões de Ana Margarida Ramos da Casa da Leitura sobre o livros "Siga a Seta!" e "Enquanto o Meu cabelo Crescia" (só hoje as descobrimos):

Enquanto o Meu Cabelo Crescia

Esta narrativa desenrola-se explorando o mote do cabelo e da ida ao cabeleireiro como uma espécie de ritual que marca a vida da narradora e da avó, promotor de uma cumplicidade entre ambas, mas também de descoberta dos outros e da diferença. As mudanças de visual são, afinal, metáforas da descoberta e da afirmação da identidade, intrínsecas ao processo de crescimento e de amadurecimento. No caso da pequena narradora, um infeliz mal-entendido originará a sua transformação radical, mas também permitirá a realização de descobertas surpreendentes e a valorização do que é realmente importante. O livro conta, para além das expressivas ilustrações de Madalena Matoso, com um CD que inclui a narração da história. Destaque-se, pois, a qualidade deste trabalho de voz e imagem que valoriza consideravelmente mais esta original publicação da Planeta Tangerina. | Ana Margarida Ramos

Siga a Seta!

Parábola sobre o condicionamento e as limitações que a sociedade impõe ao Homem, esta narrativa propõe, como mote, a irreverência do olhar infantil, defendendo a liberdade de construir um caminho próprio e de descobrir o mundo que nos rodeia. Na cidade das setas, todos os percursos e rotinas dos habitantes estavam definidos por setas controladoras, condicionando o que viam, o que faziam, a direção que tomavam. Sem liberdade para olhar para lá dos caminhos conhecidos, há toda uma realidade alternativa que escapa à visão dos homens, mas que é descoberta pela ação irreverente e rebelde do rapaz. O mundo secreto, simultaneamente mágico e desafiador, revela-se, assim, aos olhos curiosos do rapaz e de todos aqueles dispostos a olhar fora das imposições das setas e dos caminhos definidos. As ilustrações, de forte impacto visual, recriam com expressividade a controladora cidade das setas, completando perfeitamente o texto. | Ana Margarida Ramos

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os Quintais e Trocoscópio pela Casa da Leitura



O LIVRO DOS QUINTAIS

"Segundo volume da colecção «Histórias Paralelas», este álbum da dupla Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho propõe uma forma diferente de contar as histórias de um grupo de vizinhos com quintais contíguos. A narrativa, localizada sempre neste espaço exterior, segue o fio cronológico da passagem do tempo, uma vez que cada dupla página ilustra um mês diferente e a forma como ele é vivenciado pelas pessoas que partilham o espaço. A natureza, no seu ciclo contínuo, serve de pano de fundo aos encontros e desencontros das personagens e de um animal misterioso que se passeia pelas páginas (e pelos vários quintais). Construído como um jogo, onde é preciso ler, de forma complementar, o texto e as imagens, descobrindo pormenores, antecipando hipóteses e confirmando expectativas, o álbum põe à prova a atenção e a perspicácia dos leitores, convidando-os a fazer e a refazer a leitura. Ideal para uma leitura partilhada, em família ou na escola, este livro ilustra, mais uma vez, a excepcional energia criativa da dupla de autores."

Ana Margarida Ramos, CASA DA LEITURA



TROCOSCÓPIO

"Volume que encerra a trilogia «Histórias Paralelas», este álbum, constituído exclusivamente por imagens, parece funcionar como uma espécie de exercício criativo com formas geométricas de diferentes cores. A observação mais atenta das imagens, contudo, permite identificar cenas, personagens e objectos construídos com base na organização e composição das formas. A sua subtracção gradual de elementos à página par e a sua reorganização na página ímpar corresponde a um processo de transformação da paisagem inicial, marcada pela urbanidade e pela poluição, dando lugar a um espaço natural, caracterizado pela presença de plantas e animais variados. Implicitamente, o livro apela a comportamentos de transformação do meio ambiente, valorizando a Natureza, mas também à criatividade dos leitores e à capacidade de ver para além do óbvio e das aparências. Além disso, o tipo de proposta gráfica apresentada poderá facilmente ser replicado pelos leitores, levando à construção de novos cenários e realidades."

Ana Margarida Ramos, CASA DA LEITURA

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Os livros novos pela Casa da Leitura

A Casa da Leitura da Gulbenkian já deu o seu parecer sobre os novos livros.
Os textos são de Ana Margarida Ramos e Sara Reis da Silva.

O PRIMEIRO GOMO DA TANGERINA

Reeditado em formato de álbum, o texto da canção homónima de Sérgio Godinho conquista, nesta edição da Planeta Tangerina, uma nova vida e diferentes possibilidades de leitura. O texto, fortemente metafórico, apela a uma vida mais intensamente saboreada, partindo a imagem da tangerina. Como o sabor do fruto, onde se mistura o doce e o ácido, também a vida oferece diferentes sensações. O sujeito poético parece aconselhar a menina a que viva a vida como quem prova um fruto novo, com surpresa e esperança, de modo a conseguir a realização plena da existência. As ilustrações concretizam algumas das metáforas do texto, apelando para o universo de referências dos destinatários e asseguram uma certa narratividade de modo a que o livro funcione. Tudo isto sem fazer perder a magia da poesia – e da música – de Sérgio Godinho. | Ana Margarida Ramos

A MANTA, Uma História aos quadradinhos de tecido

Subintitulada «uma história aos quadradinhos (de tecido)», esta narrativa em formato de álbum junta, uma vez mais, Isabel Minhós Martins e Yara Kono. O texto, fortemente sustentado pelo tópico do conto e do seu relato/transmissão oral, em particular, em contexto familiar, coloca em primeiro plano uma avó contadora de histórias, cuja imaginação é despertada pelos pedidos dos netos e, muito especialmente, pelas representações pictóricas presentes nos retalhos de uma manta. O patchwork deste objecto emocionalmente significativo suscita a evocação de pequenos episódios e de alguns membros da família. Os aspectos e as figuras nucleares deste conjunto de micronarrativas encaixadas surgem visualmente recriados a partir de um registo ilustrativo que se distingue pela simplicidade (e, até, de certo modo, pela ingenuidade), pela leveza do traço, pelos jogos de perspectivas e de proporções e pelas potencialidade sugestivas. | Sara Reis da Silva