segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Guardas: vale a pena olhar para elas

Como sentinelas do livro, as guardas guardam, vigiam, protegem e defendem. Não me admirava que ganhassem dentes, garras e picos e se armassem de espadas, prontas a entrar em acção...

Para quem não conhece a palavra dentro do contexto em questão: as guardas são as folhas que resguardam o princípio e o fim de um livro. Podem ser feitas do mesmo papel do miolo, mas também é comum vê-las num papel mais forte que serve ainda melhor a sua função.

As guardas têm três missões importantes: rematam a capa, escondendo as colagens que resultam das dobras do papel da capa sobre o cartão; unem o conjunto de folhas do miolo à capa; e servem ainda para proteger este mesmo miolo e tudo o que de mais surpreendente ele pode conter.

As guardas podem ser lisas ou impressas. Podem ter padrões que se repetem, detalhes das imagens do interior ou ilustrações feitas à sua medida. Podem conter fichas técnicas, dedicatórias, agradecimentos. Podem servir para aproveitar o livro até à última gota ou apenas para o deixar respirar: no início, para ganhar fôlego; no fim, para recuperar da corrida das páginas.

Quando tal acontece, quando as guardas têm direito a vida própria, podem ultrapassar as suas funções de ordem mais prática ou funcional, e tornar-se importantes espaços de comunicação.
Por se colocarem "à entrada" e "à saída" do livro, servem de antecâmara para o que se vai passar, e de remate, no final. Mas, muitas vezes, acabam por funcionar como um suporte paralelo, quase à parte, um espaço livre e aberto à imaginação de ilustradores e designers.

Por serem elementos tão singulares, as guardas merecem um olhar atento. Porque não um prémio que distinga as melhores guardas de livros (à semelhança dos prémios que existem para capas)? E uma exposição de guardas também não seria má ideia...

Estas e outras guardas, aqui.

Referências das imagens: 1. "The Junior Instructor, Book 1" por Adam McCauley (edição original de 1923); 2. "Child Craft Readers" por Carl Wiens; 3. "The Yellow Phantom" por Margaret Sutton (1933).

8 comentários:

Rimar disse...

Para mim sempre foram contracapas, fico agora a conhecer-lhes o seu verdadeiro nome técnico.

O seu cheiro é a essência ancestral que nos prepara para a aventura.

dora disse...

óptimo artigo!
Adoro, desde sempre, guardas esse espaço que - se quiser - acrescenta e conta para além de, como se entre ( ).
Obrigada pelo link.

instantanés disse...

Ouah, que artigo ! Lindamente escrito ! E muito muito interessante ... As guardas agoram têm "leurs lettres de noblesse" com um artigo destes ! Desculpa, mas não conheço a tradução portugesa desta expressão ... A bientôt !

Baleia disse...

Este blog é lindo!!... e com ele estamos sempre a aprender!!

Também não sabia q se chamavam "guardas" às tais folhas...

bjnhs a todos os habitantes do Planeta Tangerina

Baleia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
macati disse...

ola!
sempre gostei de ver as guardas do livro mas prestava mais atençao a elas depois de lido pois Às vezes remetiam a certas partes das histórias!
:)

Lucia disse...

Olá
mais uma vez, viajei para o vosso blog, e hoje por termos discutido precisamente o conceito de "guardas" e, por isso, cheguei aqui. Ainda tenho uma dúvida: as guardas são só as folhas interiores, mas imediatamente coladas à capa ou podem ser a folha dupla que aparece depois da capa algumas vezes depois de 1 folha com título ou dedicatória ou em branco...isto acontece sobretudo em albuns de capa mole, mas a dúvida mantem-se! se me puderem ajudar!Obrigada pelas vossas ótimas sugestões!

Isabel disse...

olá Lúcia, pelo que sei, as guardas são as folhas que unem o miolo à capa (por isso, são mesmo as folhas interiores que refere).
um beijinho, bom trabalho!