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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Desafio para as férias: impressionar o Billy!



O Billy é um miúdo mimado que não se deixa impressionar por qualquer coisa.

Às tentativas do pai para o entusiasmar, dando-lhe a conhecer as personagens e as experiências mais incríveis, o Billy responde apenas com um encolher de ombros e um indiferente “Grande Coisa!”.
Andar a grande velocidade numa nave espacial?
Ver a girafa mais alta do mundo ou a borboleta mais minúscula?
Saltar num castelo insuflável ou andar de comboio a vapor? 
“Grande coisa!” diz o Billy.

Portanto, para estas férias, o desafio é: impressionar o Billy.

Como?
Fazendo um desenho muito impressionante, de qualquer coisa muito impressionante capaz de o deixar boquiaberto (a ele e a nós).
Depois, a equipa do Planeta Tangerina vai escolher os 10 desenhos mais impressionantes. 
E, no final de agosto, a nossa loja online vai oferecer 10 exemplares do impressionante livro “Grande Coisa” aos 10 impressionantes vencedores.

REGRAS:
Desta vez o passatempo destina-se a crianças/jovens até aos 15 anos.
O passatempo vai estar a decorrer durante todo o mês de agosto.
O prazo para envio de desenhos é dia 30/8/2014.
Cada participante pode enviar mais do que um desenho, num máximo de 3.
Os desenhos devem ser enviado por correio para: Rua das Rosas, n.º 20, 2775-683 Carcavelos
Ou por via digital para: shop@planetatangerina.com

Se ainda não sabem grande coisa sobre este “Grande Coisa”, leiam aqui.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Crianças comidas por felinos: grande coisa!*


* Este texto contém spoilers (desculpem lá, mas seria difícil falar destes livros sem desvendar os seus finais).






















“Grande Coisa” foi publicado originalmente no Reino Unido, em 2005, pela Walker Books e editado em Portugal, em 2010, tendo sido até ao momento o único livro do catálogo do Planeta Tangerina que resultou da compra de direitos de autor.

E como foram as reações dos leitores a este “Grande Coisa”?
De extremos.
Há quem tenha sido seduzido de imediato pelo enredo e pelo humor um pouco negro; há quem não tenha achado graça absolutamente nenhuma e, antes pelo contrário, se tenha até sentido um pouco melindrado com o final da história e se recuse a contá-la às suas crianças (conhecemos alguns casos).

E que história é esta?
Neste livro conhecemos Billy, um miúdo mimado que não se deixa impressionar por qualquer coisa, e um pai empenhado em dar a conhecer ao filho as coisas espantosas do mundo:
Andar a grande velocidade num nave espacial?
Ver a girafa mais alta do mundo ou a borboleta mais minúscula?
Saltar num castelo insuflável ou andar de comboio a vapor?
“Grande coisa” diz o Billy com um encolher de ombros indiferente.

O caso é, portanto, este. E o final, bem..., o final é o que nem Billy esperava, nem o que nós poderíamos imaginar: o Billy é comido por um tigre, mas, não se espantem assim muito, porque não foi a primeira nem a segunda criança na história da literatura infantil a ser devorada por um felino...





Talvez muitos leitores não saibam, mas este livro de William Bee é uma espécie de versão moderna de uma das primeiras obras do aclamado Maurice Sendak, chamada “Pierre: a cautionary tale”, editada em 1962. 

Neste livro, um rapaz chamado Pierre mostra uma atitude muito semelhante à de Billy. Indiferente ao amor e aos cozinhados da mãe, aos avisos do pai e às suas tentativas para o educar, Pierre a tudo responde com um mal-educado (e há quem diga até que deprimido) “I don’t care”, exatamente como, anos mais tarde, Billy viria a responder ao pai: “Grande coisa!” (“Whatever!” no original).

(...)
One day his mother said

when Pierre climbed out of bed

“Good morning, darling boy,

you are my only joy.”

Pierre said, “I don’t care!”
(...)



Tal como Billy, também Pierre acaba o dia na barriga de um felino, neste caso na barriga de um leão simpático que até lhe pergunta se ele se importa de ser comido:

(...)
Now as the night began to fall
a hungry lion paid a call.

He looked Pierre right in the eye

And asked him if he’d like to die.

Pierre said, “I don’t care!”
“I can eat you, don’t you see?”

“I don’t care!”

“And you will be inside of me.”

“I don’t care!”

“Then you will never have to bother”

“I don’t care!”

“With a mother and a father.”

“I don’t care!”

“Is that all you have to say?”

“I don’t care!”

“Then I’ll eat you, if I may.”

“I don’t care!”

So the lion ate Pierre.























Tal como na sua obra mais conhecida, O Sítio das coisas selvagens, também neste livro de Sendak nos confrontamos com o facto de as crianças terem, também elas, sentimentos negativos (zangam-se, impacientam-se, fazem birras, exigem demasiado, amuam). Com esta exposição do lado menos adocicado da infância, Sendak começou por chocar muitos pais e professores. Porque, ao contrário de esconder ou reprimir estes comportamentos, Sendak achou que devia mostrá-los, tirar partido deles, ser irónico e gozão. Apesar do choque inicial, a obra de Sendak acabou por ser reconhecida como uma das mais brilhantes do século XX e abriu portas para que livros como os de William Bee fossem recebidos sem grandes polémicas (goste-se ou não).



Por curiosidade, já em 1907, num outro livro chamado Cautionary Tales for Children” escrito por Hilaire Belloc, surgia um rapaz chamado Jim, que era comido por um leão depois de desobedecer à sua ama. Portanto, a ideia de fazer das crianças refeição de um felino para que aprendam uma lição não é de todo nova nesta mundo dos livros infantis e nem sequer começou em Sendak…

There was a Boy whose name was Jim;
His Friends were very good to him.
They gave him Tea, and Cakes, and Jam,
And slices of delicious Ham,
And Chocolate with pink inside,
And little Tricycles to ride,
And read him Stories through and through,
And even took him to the Zoo—
But there it was the dreadful Fate
Befell him, which I now relate.

You know—at least you ought to know.
For I have often told you so—
That Children never are allowed
To leave their Nurses in a Crowd;

Now this was Jim’s especial Foible,
He ran away when he was able,
And on this inauspicious day
He slipped his hand and ran away!
He hadn’t gone a yard when—Bang!
With open Jaws, a Lion sprang,
And hungrily began to eat
The Boy: beginning at his feet.
















Nos três casos (Belloc, Sendak e Bee), estamos próximos daquilo a que os ingleses chamam uma cautionary tale— uma espécie de história exemplar ou lição de vida — onde uma criança se porta mal e é castigada por isso. 
Por tradição, o tom destas histórias é exagerado, com um lado um pouco assustador para que o efeito resulte. Por tradição, os adultos que rodeiam as crianças fazem avisos, que são alvo da indiferença dos mais pequenos, e ficam, depois, também eles um pouco indiferentes às consequências quase sempre dolorosas que resultam do facto de não terem sido ouvidos.

E nesta questão do “final da história”, estes três livros (com várias décadas a separá-los) diferem um pouco: se Belloc exagera na reação indiferente dos pais ao desaparecimento do filho (a mãe chega mesmo a dizer, “não admira, com os avisos que lhe fiz”); no caso do livro de Sendak, os pais ainda correm com o leão para o gabinete do médico para tentar salvar a criança, contrariando o final tradicional deste tipo de contos...

Porque de facto, estamos próximos, mas não estamos perante verdadeiras cautionary tales, exatamente como aquelas que eram contadas na Inglaterra do século XIX, extremamente populares, e que na época seriam mesmo para levar a sério. Seja no livro de Hilaire Belloc, seja no de Sendak ou de William Bee, o que temos são três paródias àquele tom exagerado, moralista e até aterrorizador — como o que surge no muito conhecido Struwwelpeter que, apesar de hoje ser quase hilariante, na época era bem capaz de causar pesadelos (veja-se o que acontecia aos meninos que chuchavam no dedo...).






E como termina a história de “Grande Coisa”?
Talvez porque já passaram muitos anos e as lições (e as morais) dão cambalhotas sucessivas, os pais de Billy já perderam de vez a paciência e não se deixam impressionar, nem com o apetite do tigre, nem com o susto de Billy.
O livro resulta assim numa espécie de catarse para pais cansados de caprichos e, em alguns casos, talvez consiga a proeza de fazer rir em conjunto, tanto os pais como os filhos, da falta de maneiras de uns e da terrível falta de paciência de outros...

Para conhecerem o Jim, sigam por aqui.

Para conhecerem o Pierre, oiçam e vejam aqui a história completa.

E o nosso Billy, claro está, também merece uma visitinha, aqui.


Bom Verão!,
que os filhos se portem bem e deixem os pais descansar (e vice-versa).

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

No Expresso (já da semana passada)

O "Grande Coisa" foi uma das escolhas de Natal do jornal Expresso.
(que ninguém se atreva a encolher os ombros e a dizer "Grande Coisa!")

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O misterioso William Bee




William Bee, artista e designer britânico e autor de "Grande Coisa", é uma personagem algo misteriosa...
Sabemos que nasceu na cidade de Londres, mas que agora vive no campo. Que, para além de escrever livros para crianças, corre num carro desportivo antigo, é esquiador internacional e quando está em casa gosta de tratar do seu jardim.
"Grande Coisa" é o seu primeiro livro (e também o primeiro editado em Portugal), seguindo-se "Beware of the frog" e "And the train goes", ambos originais da Walker Books ainda não traduzidos para português.

Mas não sabemos muito mais... A não ser tudo o que o seu trabalho nos dá a conhecer e que talvez não seja assim tão pouco: que tem uma costela britânica muito marcada e um sentido de humor muito particular — sarcástico, negro, meio louco...

É verdade que temos o site pessoal de William, onde não encontramos uma única linha sobre o seu trabalho, mas uma lista imensa de coisas que ele adora: girafas, a rainha de Inglaterra, macieiras, Woddy Allen, aviões supersónicos, guarda-chuvas, T.E Lawrence, roast potatoes, guarda-chuvas ou helicópteros.

No blog "Seven impossible things before breakfast" (que aproveitamos para recomendar), William Bee dá uma entrevista ao pequeno-almoço, onde fala sobre o seu processo de trabalho, as suas influências, o seu encontro com o mundo dos livros (e onde mostra os seus carros e o atelier onde trabalha).
A autora da entrevista não encontra melhor palavra para o descrever do que "quirky", qualquer coisa como esquisito, bizarro, estranho, inesperado...




Este é também o único sítio na imensidão da internet onde é possível vê-lo em carne e osso. Mas o mistério só se torna maior...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O ano ainda não acabou (2)



O Billy tem um problema (infelizmente bastante comum): é um rapaz extremamente difícil de contentar. O pai esforça-se, mostrando-lhe as coisas mais espantosas do mundo, mas o Billy a tudo responde com um enfadonho encolher de ombros e um lacónico “Grande Coisa.”
É verdade que os pais podem ter uma paciência infinita – e o pai do Billy parece tê-la –mas, há momentos em que um pai tem mesmo de tomar medidas drásticas.

Grande Coisa foi distinguido com o Blue Ribbon Picture Book Award, atribuído pela revista The Bulletin do Center for Children's Books.

Grande Coisa é uma história simples, mas a verdade é que nunca é a história que conta, mas sim o modo como a história é contada, e fico feliz por dizer-vos que Bee, um ilustrador britânico, se porta bem nas duas frentes: texto e ilustração.
(...)
À medida que o pai vai mostrando ao Billy coisas cada vez mais estranhas, “Grande Coisa” começa a parecer-se menos com um sarcástico “deita abaixo” e mais com um mantra calmante, uma terapia para os excessos da parentalidade desesperada.

Daniel Handler, New York Times


Uma edição original da Walker Books que chega a Portugal numa edição do Planeta Tangerina.