segunda-feira, 11 de abril de 2011

Nomeações Banco del Libro

Isto hoje não para...
(e aproveito para fazer um parêntesis: passei a escrever segundo o novo acordo ortográfico e, de vez em quando, calham-nos pérolas destas: para, do verbo parar, passou a escrever-se sem acento).



E agora a notícia:

"Um Dia na Praia" e "O Mundo Num Segundo" (nas edições espanholas da Zorro Rojo e Intermon Oxfam, respectivamente) estão nomeados para Melhores Livros de 2011 pelo Banco del Libro da Venezuela (uma das mais dinâmicas instituições de promoção da leitura a nível mundial).

"Um Dia na Praia" está nomeado na categoria Primeiros Lectores (a partir dos 4 anos); "O Mundo num segundo", na categoria Lectores en Marcha (a partir dos 7).

O que é o Banco del Libro? (vale a pena conhecê-lo)
A lista dos candidatos de 2011.
Os vencedores de 2010.


Mais algumas fotos de Bolonha





(porque a qualidade das fotos anteriores não era grande coisa...)

Déjà Lu: leilões por uma boa causa

Na Déjà Lu são leiloados todas as semanas livros ou pacotes temáticos de livros (por autor, por tema), revertendo a totalidade da receita do leilão para a APPT21 (Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21) e para o Centro de Desenvolvimento Infantil DIFERENÇAS.
A Déjá lu aceita, pois, livros já lidos (preferem chamar-lhes assim do que livros em segundo mão) e aceita também ofertas para os seus leilões semanais. Desde Janeiro deste ano, quando a página foi criada, já foram leiloados mais de 500 livros e vendidos mais de 400.

Não custa nada fazer uma limpeza às estantes e enviar um pacote para a Déjà lu que os fará chegar a potenciais interessados.
Não custa nada também espreitar a página da Déjà Lu e começar a participar nos leilões.

Curso de Livro Infantil

Tem início a 16 de Maio a segunda edição do Curso de Livro Infantil da Booktailors, orientado por Carla Maia de Almeida. Os detalhes aqui.

Prémios Revista Visual

A Yara e a Madalena estão na lista de finalistas aos Prémios VISUAL, na categoria Libro Infantil. A Yara, com o livro Ovelliña dáme la (Kalandraka) e a Madalena com Los mil blancos de los esquimales (Oqo).

A VISUAL é uma revista espanhola de design, criatividade gráfica e comunicação.
A lista completa dos finalistas, aqui.
Mais informações sobre o Prémio, aqui.


Obrigada ao (sempre atento) Richard pela informação.

IV Prémio Compostela

Já foram anunciados os vencedores do IV Prémio Compostela de Álbuns Ilustrados.
Toda a informação aqui.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sophia na Biblioteca Nacional



Ontem demos um salto à Biblioteca Nacional e aproveitámos para visitar a exposição sobre Sophia de Mello Breyner.
Por coincidência, no Jardim Assombrado, Carla Maia de Almeida recordava, também ontem, algumas das palavras de Sophia sobre os livros para crianças, ouvidas este fim-de-semana no programa A Força das Coisas da Antena 2, a propósito do Dia Mundial do Livro Infantil.

Dizia Sophia em 1975:

Há um problema nos livros para crianças que sempre me preocupou muito e que é um problema que dentro de uma organização capitalista é muito difícil de resolver, que é este: o livro para crianças deve ser um livro aberto, que abre o horizonte da criança para uma cultura literária, mas também deve abrir o horizonte da criança para uma cultura plástica. Aliás, as crianças, e eu já várias vezes em reuniões com crianças perguntei isso, querem um livro cuja ilustração seja bela. Ora, a ilustração dos livros é muito cara, e acontece esta coisa terrível – acontecia, no regime em que nós vivemos. É que um livro com ilustrações belas era um livro caro, que só podia ser comprado por crianças privilegiadas.

Desde então alguma coisa mudou? Pelo menos uma, assim de repente: a ilustração deixou de ser tão cara (o que se paga por ela e também, por mudanças tecnológicas, o preço da impressão).

Quanto ao resto, a conceção do que deve ser um livro para crianças, talvez alguma coisa comece a mudar, passo a passo, em algumas casas, devagarinho... Será?

Ler mais aqui.
A fotografia de Sophia é de Eduardo Gageiro e uma das mais belas fotos que eu já vi.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Um painel em 4 tempos


Este ano decidimos não imprimir painéis para a feira de Bolonha, optando por criar uma imagem para o Planeta Tangerina no próprio stand. Como alguém sabiamente nos avisou "the idea may not be very wise...", mas o improviso não correu nada mal.


Na véspera, os artistas residentes (Madalena, Bernardo, Yara) improvisaram sobre as telas uma imagem feita com recortes de papel autocolante de várias cores.


Não havia propriamente um plano e, por isso, a imagem foi crescendo, um colando aqui, outro acolá.


No dia da abertura, os painéis estavam prontos, mas ao longo dos 4 dias de feira, as imagens foram-se transformando e ficando cada vez mais cheias, à conta das (pequenas) folgas entre reuniões que permitiram pôr de novo as tesouras em ação.

Obrigado à Ana Ventura que fez passar estas fotografias pela Lightroom e lhes deu uma nova luz.

Então e como correu Bolonha?

Têm-nos perguntado muitas vezes nos últimos dias.
Correu bem, correu bem... Mas depois (é verdade) não é fácil adiantar muito mais. Com algumas exceções, as vendas de direitos apenas se concretizam nas semanas pós-feira, depois da digestão e reflexão necessárias. Para além disso, muito do que ganhamos com a presença numa feira como esta, não é propriamente mensurável: marcamos presença, damo-nos a conhecer e abrem-se portas que, no imediato, podemos nem sequer imaginar.

Já nos disseram que Bolonha não é das feiras mais intensas ou agressivas (Frankfurt, dizem, é uma arena romana...). Bolonha tem energia, mas continua a ter bom ambiente. Com exceção de 4 ou 5 "grandes", que olham de soslaio quem entra nos stands sem autorização, é possível circular livremente, folhear livros à vontade, fazer perguntas. É normal estarem a decorrer reuniões e haver uma multidão a dois palmos, em torno de uma prateleira. A nós também nos aconteceu e ninguém se zanga. Porque os entusiastas dos livros têm aquele apetite voraz quando lhes cheira a coisa nova... e, em Bolonha, ainda há verdadeiros entusiastas dos livros.

Em Bolonha fazem-se dezenas de reuniões (de meia em meia hora, muda o interlocutor e muitas vezes a língua). Conhecem-se muitas pessoas (editores, autores, muitas pessoas que acompanhamos há algum tempo através do seu trabalho). Conta-se a nossa história (e as histórias dos nossos livros) vezes sem conta. Alinhavam-se negócios. Espreitam-se livros novos. Dá-se conta de uma editora interessante da qual nunca se ouviu falar. Repara-se, pela primeira vez, no trabalho de um ilustrador. Também se cimentam relações, provando que é possível trabalhar em conjunto com outros editores e daí retirar bons proveitos (este ano os tres caballeros Topipittori/Notari/ Planeta Tangerina, companheiros de stand e de outras aventuras, provaram isso mesmo).

É verdade que nesta nossa atividade não pensamos muito se somos ou não portugueses. Fazemos livros (matutados, escritos, ilustrados e, por acaso, impressos em Portugal), mas o país (ou, dizendo melhor, o estado do país) não é para aqui chamado. Mas temos algumas "penas" (não fossemos nós portugueses, pois então):
Por exemplo, que a DGLB não tenha estado presente na edição deste ano. A representação custa dinheiro ao país, mas potencia negócios e pode ser motor de arranque de muitas edições.
Que apenas uma jornalista (Sílvia Borges Silva da LUSA) tenha acompanhado os trabalhos da Feira. Há ali tanta matéria prima, a tantos níveis, e temos pena (lá está) que seja tão difícil aos media dar prioridade a um evento deste tipo.
Que não haja outros editores portugueses representados (e a representar os seus livros e autores) porque há muita coisa boa que merecia conhecer edições noutros países.
E, por fim, temos pena que, seguindo o exemplo de outros países, ainda não tenha sido possível aos editores portugueses organizarem-se na partilha de um espaço comum. Os pequenos editores franceses, os galegos e até os brasileiros dividem um amplo stand, poupando, certamente um dinheirão. Porque o investimento na feira ainda é grande, merecia ser estudado com sageza por todos, para daí ser possível recolher bons frutos.

Então e como correu Bolonha?
Bene! Molto bene. As imagens contam muito do que não contei aqui.



A caixa de chocolates suíços que recebemos dos fantásticos Paola e Luca (Éditions Notari). Feitos por um mestre chocolateiro suíço que combina o chocolate com outros sabores e aromas (açafrão, jasmim, canela, caril...).



À entrada, os painéis anunciando a exposição de ilustração.


A Madalena e o Bernardo em plena atividade (a Yara também lá estava...).


Nesta altura, o painel principal parecia completo. Mas com o passar dos dias, os autocolantes foram ganhando cada vez mais terreno...



The amazing guy, André da Loba, artista português e do mundo, mostrando as surpresas da sua mala de contar histórias. Ai este rapaz... Ao seu lado, a Lara da Livraria El bosque de la Maga Colibri.




A montra da livraria Corraini, no Mambo, o Museu de Arte Moderna de Bolonha. Um pequeno paraíso silencioso e recheado de livros fantásticos...

Os nossos amigos Topi mostram mais fotos aqui, aqui, aqui e aqui.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Aprender Russo



Em Bolonha foi apresentado um livro-colosso que, infelizmente, não trouxemos connosco.
É o projeto da vida de Vladimir Semenikhin, designer (Samolet design studio), e reúne em dois volumes gigantes a história da ilustração de livros para crianças na Rússia entre 1881 e 1939.

Cada volume tem 840 pgs. Aqui está à venda por 999€ (+ o preço dos correios) mas aqui, se o meu o russo não me engana, vende-se por 548€. Num dos sites diz que pesa 2 quilos e meio mas quando o tivemos na mão parecia muito mais pesado.

A pesquisa foi feita tendo como base a colecção de Alexander Durié e apenas foram feitos 500 exemplares. Há também uma versão em inglês.

Mais notícias de Bolonha para breve!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

2 de Abril: Dia Mundial do Livro Infantil



É uma tradição do IBBY (International Board on Books for Young People): pedir a um autor da Literatura Infantil ou Juvenil que escreva um texto para este dia. A mensagem de 2011 foi escrita pela autora estónia Aino Pervik e traduzida por José António Gomes.

O cartaz é uma iniciativa da DGLB que anualmente entrega ao vencedor do Prémio Nacional de Ilustração a responsabilidade de criar uma imagem especial para este dia. Este ano, a (magnífica!) imagem é do nosso Bernardo Carvalho.

O livro recorda

Aino Pervik

“Quando Arno e o seu pai chegaram à escola, as aulas já tinham começado.”

No meu país, a Estónia, quase toda a gente conhece esta frase de cor. É a primeira linha de um livro intitulado Primavera. Publicado em 1912, é da autoria do escritor estónio Oskar Luts (1887-1953).

Primavera narra a vida de crianças que frequentavam uma escola rural na Estónia, em finais do século XIX. O Autor escrevia sobre a sua própria infância e Arno, na verdade, era o próprio Oskar Luts na sua meninice.

Os investigadores estudam documentos antigos e, com base neles, escrevem livros de História. Os livros de História relatam eventos que aconteceram, mas é claro que esses livros nunca contam como eram de facto as vidas das pessoas comuns em certa época.

Os livros de histórias, por seu lado, recordam coisas que não é possível encontrar nos velhos documentos. Podem contar-nos, por exemplo, o que é que um rapaz como Arno pensava quando foi para a escola há cem anos, ou quais os sonhos das crianças dessa época, que medos tinham e o que as fazia felizes. O livro também recorda os pais dessas crianças, como queriam ser e que futuro desejavam para os seus filhos.

Claro que hoje podemos escrever livros sobre os velhos tempos, e esses livros são, muitas vezes, apaixonantes. Mas um escritor actual não pode realmente conhecer os sabores e os cheiros, os medos e as alegrias de um passado distante. O escritor de hoje já sabe o que aconteceu depois e o que o futuro reservava à gente de então.

O livro recorda o tempo em que foi escrito.

A partir dos livros de Charles Dickens, ficamos a saber como era realmente a vida de um rapazinho nas ruas de Londres, em meados do século XIX, no tempo de Oliver Twist. Através dos olhos de David Copperfield (coincidentes com o olhar de Dickens nessa época), vemos todo o tipo de personagens que ao tempo viviam na Inglaterra – que relações tinham, e como os seus pensamentos e sentimentos influenciaram tais relações. Porque David Copperfield era de facto, em muitos aspectos, o próprio Charles Dickens; Dickens não precisava de inventar nada, ele pura e simplesmente conhecia aquilo que contava.

São os livros que nos permitem saber o que realmente sentiam Tom Sawyer, Huckleberry Finn e o seu amigo Jim nas viagens pelo Mississipi em finais do século XIX, quando Mark Twain escreveu as suas aventuras. Ele conhecia profundamente o que as pessoas do seu tempo pensavam sobre as demais, porque ele próprio vivia entre elas. Era uma delas.

Nas obras literárias, os relatos mais verosímeis sobre gente do passado são os que foram escritos à época em que essa mesma gente vivia.

O livro recorda.


Nascida em 1932, na Estónia, Aino Pervik publicou cerca de meia centena de livros para crianças, a par de poesia e narrativas para adultos. Distinguida com vários e prestigiosos prémios e traduzida em diversas línguas, obras suas têm sido adaptadas ao teatro e ao cinema. A velha mãe Kunks, Arabella, a filha do pirata, Paula aprende a sua língua (integrado numa série protagonizada pela mesma personagem) são apenas três dos seus títulos mais conhecidos.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Última chamada para Bolonha



Jutta Bauer (na foto), vencedora da última edição do Prémio Andersen será uma das convidadas de honra da Feira de Bolonha deste ano: é ela a ilustradora da capa do catálogo de 2011 e, tal como o italiano Philip Giordano (vencedor do Prémio de Ilustração da Feira + Fundação SM), terá direito a uma exposição individual dos seus trabalhos.


Philip Giordano

E o que há mais para ver em Bolonha?
(Para além de conferências algo técnico-comerciais, encontros sobre licenciamento e afins...)

A Lituânia é o país convidado desta edição e preparou um conjunto de exposições a que chamou Illustrarium (o site do evento conta tudo aqui). Deste país, será possível ver ilustração contemporânea e também o trabalho de jovens artistas, mas a exposição que parece ser mais interessante é a terceira: Soviet Lithuanian Children's Book Illustration, uma mostra histórica que reúne trabalhos de ilustradores desde 1945 aos anos 90.



Leonardas GUTAUSKAS




Vytautas BANYS


Vytautas BANYS

Duas outras novidades: o encontro TOC — "Tools of Change for Publishing" que propõe um dia inteiro de conferências sobre "Digital Storytelling"ou, dizendo de outro modo, como é que os editores estão a lidar e vão viver neste mundo de livros digitais e Ipad's.
O evento esgotou em poucos dias. As conferências podem ser acompanhadas via Twitter aqui.

E uma outra novidade: a Feira vai apresentar um novo Prémio, desta vez para distinguir o trabalho de Museus para Crianças. Uma excelente ideia, a que podem concorrer alguns dos nossos serviços educativos (e não estou a ser irónica).

A feira inaugura já esta segunda-feira e nós estaremos de partida no domingo bem cedo, para montar o stand e pôr tudo a postos para a maratona de reuniões.
Este ano partilharemos o espaço com a Topipittori (Itália) e a Notari (Suíça).
Quem estiver por lá e quiser fazer-nos uma visita, é muito bem-vindo.
Estaremos no Hall 29, stand D36.

Ariivederci amici.
Para a semana estamos de volta (com boas notícias, esperamos!).

Escolhas difíceis



quarta-feira, 23 de março de 2011

Tóquio

O Japão antes da terra tremer (tanto).
Filmado e editado pelo Bernardo há mais-ou-menos um ano.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia Mundial da Poesia



Avós, pais, filhos, bebés, miúdos e adolescentes estivemos todos ontem, no CCB a celebrar este dia.



O Joel de mochila e mala, preparado para a grande viagem...



As meninas da escola Eb 2, 3 de Santo Tirso orgulhosas do seu poema...





Algumas das malas construídas num dos ateliers. Malas para encher de palavras preferidas (ou malas para encher de palavras de que não gostamos e que queremos muito mandar para longe).



O atelier de preparação do Trocoscópio...




... e as imagens trocoscopadas.



Finalmente, o atelier inspirado no livro "Cá em Casa Somos".
Obrigado a todos os que vieram até ao CCB.

Alguns poemas...

... mais ou menos dadaístas como lhes chamou aqui o Bibliotecário de Babel.











Um Dia, um Guarda-Chuva... no PÚBLICO de sábado



"Quem nunca perdeu um guarda-chuva ponha o dedo no ar. (Já pode baixar.) Foi isso que aconteceu ao senhor do cachimbo, que deixou o seu “protector de intempéries” no autocarro. De mão em mão, eis como o guarda-chuva passará o resto do dia. Afugentar um ladrão, transportar dois gatos, ajudar um equilibrista e um realizador serão algumas das funções que lhe estarão destinadas pelos donos temporários. Um Dia, Um Guarda-Chuva é um livro que conquista de imediato o leitor. Seja porque logo se revê ou porque se interessa pelo percurso daquele objecto fotogénico (melhor dizendo, gráfico) tão fácil de ficar esquecido. As pistas que cada ilustração vai dando para que se antecipe o cenário das páginas seguintes são de grande eficácia e sedução. Bela obra de estreia “estrangeira” de uma editora que só tinha publicado títulos “fabricados em Portugal”, embora com seres de um planeta especial: o Tangerina."

Um Dia, Um Guarda-Chuva
Texto Davide Cali
Tradução Isabel Minhós Martins
Ilustração Valerio Vidali
Edição Planeta Tangerina
32 págs., 12,50 euros


Rita Pimenta (Letra Pequena)


quinta-feira, 17 de março de 2011

E os Gambozinos

Ainda o Dia Mundial da Poesia: como a Cristina Madureira lembrou, o Bando dos Gambozinos vai estar no Pequeno Auditório às 15hoo. Mais uma grande razão para passar pelo CCB.

Sobre as ideias

O pior que pode acontecer quando julgamos ter uma ideia nova é perceber que a ideia não é tão original assim. Que outra pessoa, noutro canto do mundo, há dois meses ou há 35 anos tenha tido uma ideia parecida com a nossa é uma coisa estranha, uma descoberta um bocadinho amarga (quando a ideia parecia mesmo boa), que rapidamente faz esmorecer aquela luz espetacular que as boa ideias sempre trazem. As luzes apagam-se e partimos para outra, com a sensação de que já nos devíamos ter lembrado daquilo há mais tempo. Chegámos atrasados... Azar.

Muitas vezes a ideia até é resolvida de uma forma diferente daquela que imaginámos e, provavelmente, até chegaríamos a um resultado diferente daquele que vimos concretizado se não a abandonássemos. (Mas, bolas, uma pessoa tem o seu orgulho... E pegar numa ideia que já passou por mãos alheias, não é uma sensação muito agradável.)
As ideias simples podem ser as mais traiçoeiras (as ideias simples, no caso dos álbuns ilustrados podem ser as mais espetaculares). Por vezes a ideia é tão simples que de certeza já foi tomada por alguém; mas também acontece o contrário: damo-nos conta de que aquela ideia ainda estava desocupada e pensamos: como é possível?



Ainda nada? Christian Voltz, Kalandraka

Já me aconteceu ter uma ideia para um livro e ainda antes de a começar a escrever, descobrir (graças aos céus!) que não a poderia usar pois já existia num (fantástico) livro da Kalandraka chamado "Ainda nada?". A ideia, que já vivia feliz na minha cabeça há umas semanas, era exatamente igual à deste livro: as páginas divididas ao meio por uma linha que separa a superfície do interior da terra, e um menino que espera o nascimento de qualquer coisa que plantou. Cá fora, a expetativa é grande, mas para os leitores ainda é maior porque se apercebem do que se vai passando debaixo da terra, graças às imagens que mostram aquilo que as personagens não veem.

Felizmente (ou será infelizmente?) só sabemos de muitas destas coincidências à posteriori. Porque esbarramos com elas num site de alguma editora ou porque alguém nos disse que uma amiga viu um livro parecido com o nosso, numa livraria qualquer. Nestes casos, acho que há pessoas que ficam sempre desconfiadas (umas mostram, outras não): e passa-lhes pela cabeça palavras como "plágio" ou "inspiração não assumida" (lembrei-me deste caso aqui). Mas, obviamente, é muito natural que estas coisas aconteçam: a não ser que sejamos génios do outro mundo, as cabeças podem fazer percursos parecidos, pisar o chão que alguém já pisou, perseguindo uma ideia, uma preocupação ou uma motivação qualquer, vendo graça num detalhe, num objeto, numa situação que mais ninguém reparou... ou que pensávamos que mais ninguém tinha reparado.






Cars, A little golden book

Sobretudo quando falamos de álbuns ilustrados, que para além das palavras e das imagens, partem de uma ideia que se quer forte, convém não nos repetirmos (num caso de um romance, já é diferente: a mesma ideia pode ser repetida e podemos ter sempre livros muito diferentes). Mas às vezes repetimo-nos mesmo (em parte ou na totalidade) e não ganhamos para o susto.

Tudo isto para dizer que há poucos dias encontrei estes dois belos livros (um de 1961; outro de 1973) que me fizeram lembrar dois dos nossos: A Grande Invasão e Andar Por Aí.
No caso do livro Cars, trata-se apenas de uma coincidência de tema.
Mas, em The Listening Walk as semelhanças nas primeiras páginas chegam a ser assustadoras. Depois o livro vai por outro caminho... e sente-se um enorme alívio.







The Listening Walk, Paul Showers e Aliki

As duas descobertas foram feitas no blogue The Apple and the Egg.
Já agora, descobri que este último livro teve uma versão mais recente, 30 anos depois da original, mas também 30 vezes pior (espreitem aqui).
Às vezes o tempo pode não ser o bom conselheiro (ou o tempo ou o editor, neste caso não se sabe).

terça-feira, 15 de março de 2011

Dia Mundial da Poesia

Vamos estar no dia 20 de Março, Domingo, a comemorar o Dia Mundial da Poesia no CCB. Há actividades para todos (todas as idades, todos os gostos). Este ano a Maratona da Leitura é dedicada a Herberto Hélder, vai haver uma exposição de Mário Botas, (O Jogo e o Caos — a não perder, apostamos) e muito mais.
O Planeta Tangerina vai montar um trocoscópio gigante no Foyer Maria Helena Vieira da Silva (piso 2).
Apareçam entre as 11h00 e as 19h00 de Domingo.

Mais informações aqui.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Isto é que é um jornal

O Guardian acaba de lançar um site dedicado "apenas" aos livros para crianças.
O site é dirigido aos leitores mais novos e as críticas e sugestões de melhoria já começaram a chegar.

terça-feira, 8 de março de 2011





Sinais da Primavera... cá e no quintal vizinho.